Das dores nossas de cada dia

Uma amiga fez uma postagem no Facebook que trazia a seguinte frase: “Existem dois tipos de dores no mundo: A dor que te machuca e a dor que te muda”.

Fiquei pensativa, as dores não são todas iguais, não nos ferem de qualquer maneira? Mas depois de refletir um pouco concordei com a colocação feita, há diferenças sim.

As dores que nos machucam talvez sejam aquelas que não compreendemos e, portanto, não aceitamos. Essas nos imobilizam, nos prendem pelo impacto que nos causam e pelas interpretações subjetivas que delas fazemos. Ficam doendo por tempo indeterminado, sempre presentes como se tivessem acabado de acontecer.

Costumamos senti-las como um golpe traiçoeiro que a vida resolveu aplicar em nós; ficamos indignados, muitas vezes nos sentimos injustiçados e perseguidos de alguma forma, como se houvesse alguém (o agente da dor) disposto a nos atacar justamente quando estamos distraídos. E por permanecermos grudados nelas como se tivessem um velcro, não conseguimos mudar. Nos sentimos vítimas e impotentes.

As dores que nos fazem mudar são aquelas que conseguimos compreender de alguma maneira, seja porque percebemos que somos seus cocriadores, seja porque as acolhemos como fazendo parte do jogo da vida. Elas nos entristecem, claro, mas não atuam como âncoras que seguram o barco no mesmo lugar. Pelo contrário, pela possibilidade de aceitá-las e ressignificar o propósito das coisas, acabam funcionando como vento a soprar sobre as nossas velas, nos fazem navegar, nos colocam em movimento pelo vasto oceano da existência.

E movimento é mudança, porque implica em flexibilidade, novas percepções, novos ângulos de visão. Quando mudamos, o mundo se modifica, porque nós permitimos que as transformações aconteçam.

Talvez essas sejam as chamadas dores do crescimento, que nos desafiam na superação de nossas dificuldades e resistências, que nos inspiram a necessidade de nos tornarmos pessoas melhores, mais generosas e mais empáticas. Aprendemos com elas, amadurecemos, expandimos a consciência e evoluímos um pouquinho na escala da vida. À elas, a nossa gratidão!

Ho’oponopono

Às vezes, acordo com um pensamento em minha mente. Pode ser a palavra que faltava para eu terminar uma tradução ou algum tipo de orientação. Aprendi a respeitar essas intuições sem discutir. O exemplo mais convincente ocorreu no dia do meu casamento. Acordei com a seguinte frase na cabeça: “Telefone para o padre Cláudio”. Liguei e descobri que o Padre havia perdido a agenda e não fazia a menor ideia que deveria nos casar naquela noite. Graças a esse telefonema deu tudo certo.

Ontem, acordei com a palavra Ho’oponopono na cabeça. Indiscutivelmente, não é uma palavra banal. Quando tomei contato com esse sistema confesso que me pareceu muito estranho. No entanto, a história do Dr. Ihaleakala Hew Len cria impacto suficiente para fazer refletir a respeito. Ele realizou algo impensável: curar pacientes de um hospital de criminosos doentes mentais sem vê-los. É tão inusitado que merece verificação.

Nas palavras do Dr. Ihaleakala:  “Quando eu trabalhava no hospital psiquiátrico e examinava as fichas dos pacientes eu sentia dor dentro de mim. Era uma memória compartilhada. Era um programa que fazia com que os pacientes agissem como agiam. Eles não tinham controle. Estavam presos em um programa. Enquanto eu sentia o programa, eu ia fazendo a limpeza.” 

Em Havaiano, Ho’o significa “causa”, e ponopono quer dizer “perfeição”, portanto Ho’oponopono significa “corrigir um erro” ou “tornar certo”. De acordo com os antigos havaianos, os problemas são originados por pensamentos contaminados e memórias dolorosas. Praticar o Ho’oponopono seria uma forma de liberar a energia estagnada. Para tanto, são usadas as chaves mentais: “Sinto muito. Perdoe-me, por favor. Obrigada. Eu te amo.”

Ele é um processo para resolver problemas e se baseia nos princípios abaixo:

  1. O universo físico é uma manifestação dos meus pensamentos.
  2. Se os meus pensamentos são destrutivos, eles criam uma realidade física destrutiva.
  3. Se os meus pensamentos são perfeitos, eles criam uma realidade física repleta de AMOR.
  4. Sou 100% responsável por criar o meu universo físico do jeito como ele é.
  5. Sou 100% responsável por corrigir os pensamentos destrutivos que criam uma realidade enferma.
  6. Não há o lá fora. Tudo existe como pensamentos na minha mente.

O fato é que depois do espanto inicial de ter resgatado o Ho’oponopono de alguma parte do meu cérebro, perguntei a mim mesma o que fazer com essa orientação matinal: “Peça perdão para o seu corpo”. Obedeci. Durante todo o dia, sempre que me lembrava usava as chaves mentais: Sinto muito. Perdoe-me, por favor. Obrigada.. Eu te amo.”

Surpreendentemente (não sei por que ainda me surpreendo!), comecei a me sentir fisicamente muito melhor, com um conforto renovado. Constatei que muitas vezes desrespeitei a saúde de meu corpo com alimentos errados, poucas horas de sono, sobrecarga de trabalho. Como é que podemos nos esquecer de dar amor à nós mesmos, de nos cuidarmos com o carinho que merecemos?

Não compreendo ainda por quais caminhos funciona a cura pelo Ho’ oponopono, mas não faz mal. Não é um processo mental, mas uma vivência, uma percepção íntima de que não há limites e que a separação é ilusória. Funcionamos integrados. Quando nos fragmentamos os problemas começam. Por que não tentar o sistema havaiano para caminhar para a solução?

Fontes de pesquisa:

http://stelalecocq.blogspot.com/2010/10/entrevista-com-dr-ihaleakala-hew-len.html

Paul McCartney (e a rotina)

Este domingo fui com meu marido e um filho assistir ao show de Paul McCartney aqui em SP, no Allianz Parque (estádio do Palmeiras). Foi absolutamente fantástico!! Pontualidade britânica para iniciar o espetáculo, duas horas e quarenta minutos de palco, um público animado que cantou todas as músicas acompanhando o ex-Beatle.

Como ele tem pique para dar um show desses aos 75 anos, é um mistério. Tenho certeza que ele está bem mais disposto que eu, que ainda estou nos 50′

Mas o que eu queria conversar aqui é outra coisa: o quanto é difícil sair da rotina. Quando compramos os ingressos (creio que em Maio), à mera lembrança que iríamos ver Paul McCartney surgiam sorrisos de alegria e empolgação. Nesta última semana antes do show propriamente dito, a coisa mudou…

A ideia de sair do conforto de casa para enfrentar trânsito e multidão, ainda ter que lutar por boa posição de cadeiras – os lugares não eram marcados, dependiam do horário de chegada – e naquele tempinho feio… nossa, deu uma preguiça!… Juro que eu e meu marido estávamos quase cogitando em abandonar o programa.

Mas a melhor coisa que fizemos foi sair, acompanhar o filho e ir ao estádio. Passamos alguns momentos de incerteza até encontrar lugares razoavelmente bons, o tempo estava geladíssimo, bem ao estilo “terra da garoa”, porém a satisfação de ver, ouvir e cantar junto com o Paul… não tem preço (parafraseando a propaganda de Cartão de Crédito).

Conclusão: a rotina nos põe uma bola de ferro no pé e, se a gente não se rebelar e lutar para sair dela, passa a vida inteira fazendo sempre a mesma coisa. E fazer o diferente é simplesmente MARAVILHOSO. Recomendo.

Consciência e Ética

Nesta semana esteve em São Paulo Jean-Yves Leloup, doutor em Psicologia, Filosofia e Teologia, padre da Igreja Ortodoxa, palestrante e autor de vários livros. Fez uma palestra intitulada Consciência e Ética onde abordou vários aspectos interessantes, com o brilhantismo e a clareza que lhes são peculiares. Dentre todas as colocações que fez, me chamou a atenção a de que a ética é proporcional à qualidade da consciência, e que a consciência, por sua vez e dependendo da sua qualidade, nos permite observar o visível e o invisível que habita todas as coisas.

Pois bem, quando eu sou apto a observar o visível e o invisível que habita todas as coisas, eu me dou conta que participamos de uma realidade chamada vida e a compartilhamos com todos os seres vivos pertencentes a todos os reinos da natureza, mineral, vegetal, animal e humano, e que há uma vida única que une todos nós.

Se estamos todos conectados e comungamos da mesma energia vital, fica claro que tudo o que eu penso, sinto e faço afeta a todos os seres que pertencem a essa teia energética.

Isso nos coloca em um lugar que é ao mesmo tempo interessante e cheio de responsabilidades, que é o de co-criador da realidade e do mundo no qual vivemos; essa constatação tira de nós o “gozo” e o ganho secundário de representarmos o papel da vítima.

A assertiva de que a mudança que desejamos ver no mundo é a mudança que precisa ser feita em nós torna-se cada vez mais clara e verdadeira. O outro é a manifestação de um aspecto meu que, embora oculto, existe. Se eu desejo erradicar a violência do mundo eu preciso trabalhar para erradicar a minha própria violência, que externamente está representada no sujeito que rouba, mata e tortura, e internamente se alimenta dos pensamentos tortuosos, dos julgamentos severos e até mesmo cruéis que fazemos em relação a nós mesmos e aos outros, de todas as segregações preconceituosas. Não tem nada mais violento do que o preconceito.

Por outro lado, não podemos esperar comportamentos éticos de sujeitos que não desenvolveram a própria consciência, que são primitivos no sentido dessa evolução. Que ainda mantém a ilusão de que trabalhar para o benefício próprio a despeito do prejuízo dos outros é um bom caminho para prosperar… esses, mal conseguem perceber o visível, que dirá o invisível… Bastaria observar o funcionamento do próprio corpo; uma célula cancerosa não consegue ficar isolada do organismo, produz metástase e a falência geral do corpo.

Talvez o mais importante seja que cada um de nós desenvolva a auto-observação e o exercício da presença consciente na própria vida. Que nossas atitudes não sejam aleatórias, mas que estejam em ressonância com um propósito consciente de busca de equilíbrio e harmonização com o Universo como um todo. Que possamos acertar o passo e bailarmos no ritmo dos astros, uma vez que, dizem, somos feitos de pó das estrelas!

Corpo – Mente – Espírito

Nosso blog, “E aí, 50? ”, comemorou seu primeiro ano de vida. No momento de sua criação, cada uma de nós escolheu seus assuntos de preferência. Eu tinha intenção de me concentrar sobre o tema do corpo, mas acabei discutindo sobre espiritualidade. Na verdade, sobre os dois. Dá para separar? Eu não consigo. Acho que nossos pensamentos, crenças, sentimentos ficam impregnados no corpo. Se estamos felizes, brilhamos. Se a depressão nos atinge, é como se murchássemos. 

E assim, mais uma vez, vou misturar os dois assuntos. Estou terminando este mês um novo ciclo de formação no sistema “Being Energy”, do qual sou professora. Nesse programa, o corpo, a mente e o espírito são contemplados. Um dos aspectos abordados foi o que chamamos de “recapitulação”. Recapitular é retomar um fato do passado e revê-lo sem julgamento, em estado sereno. É o oposto de reviver emocionalmente. Trata-se de observá-lo a partir do momento presente e resgatar a energia que pode ter ficado bloqueada em função do ocorrido.

Outro assunto muito tratado é a alimentação, pois a escolha do que ingerimos nos afeta física, emocional e espiritualmente. Como resultado desse trabalho, eu me lembrei exatamente em que circunstância da minha vida comecei a ganhar peso. Foi libertador.

Por que será que emagrecer é tão difícil? É claro que chocolate é gostoso e que comer bem em boa companhia é uma delícia. Mas, você já pensou em que momento o ganho de peso se iniciou? Que seu corpo pode ter acumulado peso movido pela necessidade de protegê-la contra emoções destrutivas? E que permitir-se emagrecer é se dar a autorização de deixar ir o que não serve mais? Na verdade, é olhar para si e se enxergar nova. Desapegar-se do que passou.

Muitas vezes, nos criticamos, desfazemos do corpo, nossa verdadeira casa. E se as mudanças corporais estão relacionadas às etapas da vida, o brilho no olhar, o vigor físico e o desejo muitas vezes são mais afetados pelos nossos pensamentos, pelos acontecimentos do que pela idade. Somos guerreiras dentro de uma armadura incrivelmente vigorosa.

Assim, aos 50 anos, ou em qualquer momento da vida, dedique alguns minutos a cada dia para honrar seu templo pessoal, para render homenagem à incrível precisão do organismo com sua imensa capacidade de viver, de se levantar, de trabalhar, aprender, amar. Seu Corpo – Mente – Espírito agradece.