Do luto ao lixo

Parece que uma nuvem de tristeza encobriu os céus do país, e que os ventos não são fortes o suficiente para fazê-la mover-se.  Estamos todos enlutados diante da perda de tantas vidas interrompidas pela lama, pelo fogo, por falhas técnicas, por descasos de toda ordem. O mar de lama que cobriu Brumadinho continua expandindo-se, entra em nossas casas através de imagens, fatos, relatos, hipóteses e apurações. O fogo que consumiu a vida e os sonhos de meninos pobres e suas famílias arde desconfortavelmente em nossos pensamentos, nos coloca frente a frente não apenas com a impermanência, mas também com a precariedade do cuidado com a vida humana. E a voz lúcida e íntegra que denunciava e expunha as feridas desta sociedade doente, calou-se para sempre!

RIP jornalista Ricardo Boechat

Entre um acontecimento e outro eis que surgem nas redes sociais fotos e mais fotos de uma festa, comemoração dos 50 anos de uma mulher branca, rica, poderosa, diretora da revista Vogue Brasil. Essas imagens poderiam até trazer alguma alegria, desviar um pouco nosso olhar da dor, não fossem elas reveladoras do entulho no qual, enquanto sociedade, estamos mergulhados.

Não sei como é para vocês, mas para mim é inimaginável como alguém pode ter a ideia de fazer uma festa cujo cenário e fantasias façam menção ao Brasil Colônia e escravocrata, que dividia os homens entre brancos e negros, senhores e escravos, sendo que aos primeiros era dado o direito à vida, e aos segundos era dada a sentença de morte. Um período manchado de sangue, de tortura, de apropriação da vida alheia; um período onde o mar da inconsciência e do obscurantismo parecia afogar a sociedade brasileira. Fala sério, como isso pode ser tema de uma festa? Como mulheres negras aparecem fantasiadas de escravas com abanadores nas mãos e se colocam ao lado de cadeiras que lembram os “tronos de sinhá”, para que os convidados brancos lá sentassem e posassem para fotos??

Donata Meirelles pediu demissão da Vogue Brasil após polêmica festa

Como não acredito em coincidência e sim em sincronicidade, não consigo deixar de relacionar os fatos. Se alguém, de alguma forma, reedita a história desta maneira é porque deve existir, mesmo em um nível mais inconsciente, um ranço preconceituoso, um racismo que se manifesta disfarçado de brincadeira, de modismo fashion ou qualquer coisa do gênero. Ou seja, persiste a crença que somos diferentes, não em razão da individualidade, porque aí sim somos diferentes, mas em razão da cor da pele, da classe social ao qual cada grupo pertence, das aquisições econômicas e culturais, a tão antiga e caduca sociedade de castas, de classes. E abro um parênteses para colocar que do meu ponto de vista isto não tem nada a ver com posição política de direita ou de esquerda, uma vez que a corrupção corre solta sem respeitar lados, e a possibilidade de expandir a consciência não está restrita a uma ideologia específica, é maior e transcende tudo isso.

Da mesma maneira acredito que se a barragem de Brumadinho estivesse debruçada sobre grandes propriedades de pessoas ricas e influentes, os cuidados com segurança, manutenção e conservação seriam bem diferentes. E caso os meninos mortos fossem brancos e ricos, a questão já teria ultrapassado a comoção geral, e o clube já estaria sendo arguido de maneira mais precisa, rápida, eficiente e inflexível.

Infelizmente grande parte desta sociedade é racista, homofóbica, preconceituosa. Grande parte ainda acredita que há pessoas superiores a outras, e que portanto tem que haver distinção na maneira como são tratadas. Infelizmente há pessoas que não tem nenhuma empatia com a dor alheia, nem vergonha de fatos que mancharam a história e massacraram milhões de seres humanos, e que se dão ao luxo de brincar com eles.

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/02/camara-faz-minuto-de-silencio-por-mortos-presidente-da-vale-nao-se-levanta.shtml

Infelizmente também, o CEO da Vale parece demonstrar solidariedade zero com todos os mortos de Brumadinho e suas famílias pobres, e sequer teve a capacidade humana de levantar-se da cadeira para honrar a memória dos mortos no minuto de silêncio que foi feito na Câmara dos Deputados, em uma reunião da Comissão Externa. Diante de uma sala toda em pé, ele manteve-se sentado. Talvez estivesse com cãibras nas pernas… ou talvez não considerasse que pobres e negros merecessem seu esforço em levantar-se. Sua declaração após a tragédia: “A Vale é uma joia, e não pode ser condenada por um acidente, por maior que tenha sido a tragédia”. Hein??!? Presidente da Vale, Fabio Schvartsman – um ser que só enxerga lucros, dividendos e negócios, e para quem a vida humana não tem qualquer valor.

A boa notícia é que outra grande parte da sociedade não é assim, não pensa nem age assim. A outra parte é capaz de fazer mutirões que atravessam dias e noites para socorrer o próximo. A outra parte é capaz de sentir vergonha alheia!!

A flor do deserto

Volto a escrever depois de certo tempo, passadas as férias, a quebra do ritmo, a ausência de inspiração…

Ando um tanto quanto insone, nem sei bem precisar o porquê e em uma dessas madrugadas em que fico procurando pelo sono que resolve esconder-se (embora bem saiba onde encontrá-lo durante o dia), me veio à  cabeça a flor do deserto.

A rosa do deserto é uma planta que pode alcançar até 4 metros de altura e tem uma forma diferente, com um caule muito desenvolvido na base e próprio para sobreviver nesse ambiente, já que precisa acumular água e suportar ventos fortes. Floresce em meio à aridez, em uma explosão de cores que vai do branco ao vinho, passando pelo vermelho e pelo lilás. Não depende de condições climáticas ideais para sobreviver e florir, encontra recursos em sua estrutura interna.

Acredito que todas nós somos flores do deserto, embora na maioria das vezes não tenhamos essa consciência ou percepção. Fomos domesticadas para acreditar que precisamos de certas condições externas para nos sentirmos realizadas, e ao esperar por tais quesitos que nunca chegam, acabamos invadidas por frustrações e sentimentos de fracasso. Mesmo quando conseguimos certas realizações, como um amor, sucesso profissional, lugar de reconhecimento na sociedade, ainda assim vem a frustração, porque tudo foi tão idealizado que o real não dá conta de suprir tantas projeções!

O homem que vai nos beijar e nos trazer de volta à vida só existe nos contos de fada para as princesas sofridas e desmilinguidas; o sucesso profissional que propicia a sensação de poder e até de onipotência dura até a primeira fragilidade física ou emocional, até o enfrentamento de uma enfermidade, de uma depressão. A valorização do meio social é chuva de verão, assim como vem e inunda, rapidamente passa. Passa o glamour, a juventude, as promessas de futuro; mas também passam as dores, as previsões negativas que não se cumpriram, os períodos de extrema dificuldade, as fantasias de morte, o medo de sucumbir em meio ao entulho emocional, afetivo.

Aí nos damos conta que somos a rosa do deserto, que trazemos um reservatório interno onde acumulamos as águas da vida para os períodos de extrema secura e aridez. Que nosso tronco, por onde circulam as energias que vem do céu que nos cobre e da terra que nos ancora, sabe se sustentar diante das tempestades e ventos fortes, tem a maleabilidade do bambu que se curva para não quebrar e, passado o furacão, volta a se reerguer altivo e belo.

Sim, somos terra, planta, flor, estamos neste mundo, mas somos de outro. Nosso corpo abriga uma alma que pulsa e que busca a evolução e a realização na matéria através do reconhecimento de que nascemos com os recursos que necessitamos utilizar no decorrer da vida, como a inspiração, intuição, força, amor. Trazemos incubado o poder da transformação, da alquimia interna, e despertá-lo é despertar a consciência sobre nós mesmas.

Não há mais lugar para o vitimismo e a espera passiva por algo ou alguém que nos resgate dos buracos nos quais caímos durante a vida; passado meio século de existência é impossível postergar essa descoberta, se fazer de tonta, de frágil, esperar pelo que vem de fora.

Que possamos olhar para dentro de nós, entrar em contato com essa alma que é, ao mesmo tempo, força, vida, bússola, poder, amor. Que possamos nos aliar à ela e nos aproximar de pessoas que realmente “conversem” com nossa alma e nós com as delas, para que essa ciranda viva possa nos lembrar quem somos se, por acaso, nos esquecermos.

O destino de toda flor é florescer! Que venham as primaveras onde espreguiçaremos nosso caule e abriremos nossas pétalas; os verões onde o colorido de nossas roupagens brilhará nos raios de sol; os outonos cujos ventos nos farão desfolhar; os invernos que nos deixarão desnudas. São só estações que vão e vem, se repetem no ciclo que não tem começo nem fim. O que de fato conta é o fogo e a água da qual somos feitas.

O fogo que arde em nós e nos dias frios aquece, reacende a chama da vida sempre que ela parece se apagar, regenera a saúde, transmuta as energias. A água que flui em nós, que hidrata quando parece que vamos secar, que nos faz boiar quando as ondas estão fortes, que limpa e lava todas as feridas.

Simples assim, flores do deserto.

Machismo e o medo do poder do feminino

Esta semana soube de duas histórias que me motivaram a escolher este tema para inaugurar as postagens de 2019. A primeira é sobre uma notícia que li a respeito de uma selfie que a Xuxa postou, onde aparece seu rosto com o cabelo molhado e ela chama a atenção das pessoas para a cor da água do mar. É evidente que ela está sem maquiagem no auge dos seus cinquenta e poucos anos (acho que 55), e a enxurrada de comentários maldosos, preconceituosos e críticos sobre sua pele e seu envelhecimento me deixaram estarrecida.

Xuxa: imagem de uma mulher real

A segunda história é sobre uma amiga muito querida, mulher inteligente, culta, elegantérrima, com cinquenta e tantos anos, que estava sofrendo de depressão. Foi a um médico neurologista muito bem indicado que, no primeiro contato, mostrou-se bastante simpático e atento ao seu relato. Medicou-a e felizmente ela tem melhorado a olhos vistos; e esta semana fez uma nova consulta, onde relatou  o quanto sentia-se melhor, disposta, motivada, ou seja, em relação à medicação ele acertou em cheio.

Ao final da consulta ele resolveu dizer que ela deveria voltar na próxima vez mais cuidada, que deveria usar batom, maquiagem e mudar o cabelo. Ela ainda teve paciência de explicar que não gostava de maquiagem (só usa delineador nos olhos), e que quanto ao cabelo, havia acabado de fazer uma mudança no visual. Abro um parênteses para contar que há alguns meses ela se deu conta de que estava cansada de usar tintura e resolveu assumir seus cabelos brancos. Fez um corte maravilhoso, bem curto e moderno, e os fios brancos estão misturados aos escuros, em uma harmoniosa combinação de tons grisalhos que emolduram seu rosto e realçam sua beleza. O médico continuou a conversa “anos 50” e perguntou se o marido gostava do cabelo dela assim, ao que ela retrucou que ele talvez não gostasse tanto, mas que ela estava sentindo-se bem e satisfeita com essa escolha, a qual julgava ser exclusivamente dela. Agora vem o pior, preparem-se para ler! Ele disse que se o marido dela preferia o cabelo com a tintura, que ela voltasse a tingi-lo, afinal ele poderia cansar-se de não ser “priorizado” e trocá-la por uma mulher de 30 (anos), que certamente tingiria os cabelos como ele gosta.

Em que século estamos mesmo?

Vou poupá-los da minha opinião sobre essa criatura que tem um diploma pendurado na parede e acredita que isso o torna médico, assim como vou omitir a avalanche de adjetivos que vieram à minha cabeça quando ouvi esse relato. Minha amiga, sabiamente, não levou para o lado pessoal; apesar de estar saindo de uma depressão, não perdeu o discernimento e nem a autoestima. Percebeu a limitação do homem sobrepondo-se à capacitação do médico e lamentou a ignorância e o preconceito que não se rendem nem à informação nem ao conhecimento.

Médicos também podem ser palhaços

Vamos recuperar o poder pessoal ?

Já passou da hora de nós mulheres resgatarmos o poder pessoal que está adormecido dentro de nós, de recapitular quem somos, de onde viemos, a força que corre junto com o sangue em nossas veias. O machismo está a serviço do medo que os homens têm de perder o controle (que julgam ter) sobre o mundo, a sociedade, sobre si mesmos e sobre as mulheres. Eles, os homens, acreditam que podem envelhecer, perder os músculos, a cintura delineada, os cabelos, o respeito, a empatia. E também acreditam que nós, mulheres, temos que nos manter a expressão do desejo deles até a morte, temos que fingir que não estamos envelhecendo, como tivemos que fingir os orgasmos que não sentimos, a fragilidade que não nos pertence, a aprovação que não nos interessa e da qual não dependemos.

Evidentemente não estou me referindo a todos os homens, tão pouco estou denegrindo ou atacando o gênero masculino. Os homens íntegros e conscientes lutam contra a cultura machista que está enraizada em todos nós, independente do sexo. Me refiro ao machismo de alguns homens e mulheres que morrem de medo de olhar para o espelho e verem refletido nele a própria imagem, que se ocupam de ditar regras (para não usar outro verbo…) e de apontar o envelhecimento alheio para não ter que entrar em contato com o próprio envelhecimento, que se agarram à forma porque lhes falta conteúdo, essência, substância.

Envelhecer é um privilégio, tornar-se mais sábio ao longo dos anos é uma conquista para poucos, afinal, para isso é necessário desgarrar-se da mediocridade e do ranço machista que cheira a mofo, a ignorância, a estagnação no processo evolutivo. Assumir a própria idade sem filtros é só para aqueles que aprenderam a gostar de si mesmos e se orgulham do seu percurso, valorizam a vida e são gratos a ela, têm coragem de vivê-la porque seguem seus corações.

Que em 2019 possamos despertar o poder pessoal, cada vez mais e melhor, e expressar quem somos, sem maquiagem e sem medo!

Passagens

2018 está de partida, acaba de dobrar a última curva e já vai desaparecendo na estrada, deixando em cada um de nós sensações  diferentes. É interessante fazer um recorte no tempo e observar tudo que acontece em um determinado período; quando se trata de uma recapitulação de um ano inteiro o desafio é grande, sabem por que? Porque o tempo linear, cronológico, que é mensurado pelo relógio de pulso, pelo calendário pendurado na parede da cozinha, pela tela do celular, pelas páginas da agenda, esse tempo não só comporta as quatro estações, não só contempla todas as vezes nas quais o sol nasce e se põe, mas também comprime e dilata rendendo-se à vastidão da experiência humana.

Tenho a impressão que ao término do ano costumamos fazer uma retrospectiva baseada nos eventos externos (quem nasceu ou morreu, quem casou ou separou, quanto dinheiro foi ganho ou perdido, quantas viagens foram ou não realizadas, e por aí vai) devido à nossa incapacidade de perceber e dimensionar todos os movimentos internos que aconteceram durante esse período de 365 dias que está prestes a findar no dia 31, feito sol que se apaga por detrás das montanhas. Tudo que foi experimentado e vivenciado, de forma consciente ou inconsciente, parece formar o desenho de uma lemniscata, o símbolo do infinito que representa o equilíbrio dinâmico e rítmico entre pares de opostos, a eternidade, a divindade, o que não tem começo nem fim, ou seja, não possui um ponto de partida ou de chegada.

A origem da lemniscata remete ao Ouroboros, a serpente da mitologia grega que é representada devorando sua própria cauda, sugerindo a ideia do que não principia nem acaba, de tudo que eternamente está sendo recriado no Universo.

Me causa estranheza imaginar que somos Ouroboros e que o tempo é ferramenta que nos permite criar e recriar nossas histórias e aprendizados neste momentum, no aqui e no agora. Entra ano, sai ano, somos convidadas a participar dessa experiência ampla e irrestrita que é a vida, como se fôssemos jovens perplexas adentrando o grande salão de baile. Não há como adivinhar qual vai ser o ritmo tocado, que notas darão o tom. Tão pouco se encontraremos pares adequados ou se dançaremos sozinhas, se acertaremos ou não o passo; ou em que momentos seremos motivadas pelo entusiasmo ou derrubadas pelo cansaço. Não há como prever se seremos empurradas pela percussão ou conduzidas pela leveza das cordas, se arrastaremos o pé ou flutuaremos pelo amplo salão.

Entretanto é possível constatar que somos sim convidadas, que a cada ciclo a festa recomeça e que chegará um dia onde a faremos em outro lugar. A palavra festa não representa apenas alegria ou comemoração, mas também indica solenidade, bom acolhimento, cuidados. Cada ano que desponta é um convite da vida e do tempo, uma sugestão de participar do baile com coragem; essa palavra, coragem, vem da raiz latina cor que significa coração.

Que em 2019 possamos agir com o coração, enfrentar os medos, expor-se aos riscos. E que possamos cuidar de nós com amor e dedicação; não é o mundo que deve mudar, somos nós. Você se transforma e seu mundo se transforma, sejamos o que desejamos que o ano nos traga!

Natal

Pronto, chegou, já está batendo à porta. Mal posso acreditar, parece que faz pouco tempo que ele veio, mas já se passaram quase 365 dias. O que acontece com o tempo, será que encolheu? Ou somos nós que, vivendo em um ritmo frenético, engolimos dias e noites? Seja lá o que for, hei-lo novamente! Sua história é muito antiga, consta que teve inicio há mais de dois mil anos lá em Belém. Tudo começou em uma manjedoura, com o nascimento de uma criança. Mas, dizem, não era uma criança como todas as outras, e nem foi concebida como as demais; nasceu já sob o signo da diferença, com uma missão ousada e complexa. Não viveria muitos anos, não teria uma vida tranquila, muito pelo contrário. Seria morto, crucificado, sepultado e depois ressuscitaria. Entretanto durante sua breve vida encarnado como Jesus, o homem, tinha que contar à humanidade que era um enviado de Deus, mais precisamente seu filho. E tinha que contar que era nosso irmão, e que todos nós somos filhos desse mesmo Deus. E que a vida não acaba com a morte do corpo uma vez que é eterna, que estamos aqui encarnados com o propósito de aprender, crescer, servir, evoluir. Também tinha que nos contar que Deus é amor e que o amor é a lei maior, e que para amar é preciso perdoar. E falou muitas outras coisas, e mostrou pelas suas atitudes que sabia perdoar e amar como nunca tinha se visto antes.

O resto da história vocês conhecem, ou pelo menos já ouviram falar. O fato é que o Natal transformou-se em uma data simbólica e comemorativa do nascimento de Jesus, o Cristo. Mas se passaram tantos séculos, o mundo viveu tantas mudanças que o Natal hoje não representa necessariamente a mesma coisa, não para todo o mundo. Há uma preocupação em presentear as pessoas, o que tem certa relação com o começo de toda essa história. Porque aquela criança recém nascida também foi presenteada por três homens, três magos, que deram a ele ouro, mirra e incenso. O ouro era um presente para Jesus o rei, o incenso era para Jesus o Deus, e a mirra para Jesus o homem. Também ao presentearmos as pessoas queridas tentamos dar algo que faça sentido àquela pessoa.

Continuamos aprendizes do Mestre, nos reunimos à mesa com a família e celebramos o amor que nos é possível sentir uns pelos outros. Ferimos e somos feridos, o exercício do perdão é imprescindível. Não sabemos ainda nem perdoar nem amar como Ele, mas aos trancos e barrancos vamos aprendendo. Ou não, mas tudo virá a seu tempo.

Felizes os que podem reunir-se nessa data com as pessoas que caminham pela vida ao nosso lado, felizes os que sentem gratidão e alegria por acreditarem na força do amor, por sentirem-se filhos de Deus, privilegiados pela oportunidade que esta encarnação representa. Felizes os que trazem no coração todos aqueles que amam e por quem são amados, mesmo que eles não estejam mais fisicamente próximos.

Para o Natal ter sentido é preciso resignificá-lo. A vida é dinâmica, a roda não tem começo nem fim. Faça o melhor que puder para que esta data simbolize o amor, comemore e vibre amor e alegria. Afinal, quem não quer ser atraído por essa força magnética que nos conduz ao centro e ao começo de tudo, quem não quer reconectar-se com a divindade que habita em cada um de nós?  Seja feliz, faça o outro feliz, e você estará honrando a vida!

Feliz Natal!