Blogueiras +40/+50 que escrevem em Português

Numa outra terça-feira escrevi sobre os blogs gringos de Look do Dia. Agora vou lhes mostrar alguns blogs que temos em português, de blogueiras na faixa 40-50 anos. Vamos lá?

 

A- Os que enfocam temas relativos à idade, moda mais madura, etc.:

Viva 50. Aqui, duas amigas brasileiras escrevem sobre beleza, moda, viagens, relacionamentos, etc. É bem variado, com um lay out muito bonito. [abaixo, destacada foto de um artigo deste site]

Pílulas de Moda – o Pílulas é voltado à moda, livros, opiniões diversas, sendo muitos dos posts direcionados às mulheres de +50.

Janeisa Tomás – com o slogan “Celebre a mulher que você se tornou”, ressalta os 50 em diante e versa sobre tudo que interessa a este universo.

50 e Mais: blog da jornalista Maya Santana, tem o subtítulo “vida adulta inteligente”. Está sempre mostrando artigos sobre as questões da idade, destacando feitos e ações de pessoas mais velhas. 

Novos 40 também escreve bastante sobre perfis de pessoas de mais idade, e fala um pouco de moda, festas, tecnologia, etc.

E não precisamos nem falar do E aí, 50? né? Se você está lendo isto já sabe!

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B- Blogs cujas donas têm 40-50 anos e que versam sobre vários assuntos:

Gosto Disto! é bastante concentrado em moda, em desvendar os trajes bonitos das revistas e celebridades passando-os para opções realistas de lojas brasileiras. Há postagens diárias e uma seleção de links legais todo sábado. [abaixo, destacada foto de um post deste site]

It’s (not) so simple! Apesar do nome em inglês o blog é de uma portuguesa e trata prioritariamente sobre minimalismo, mas também fala dos desafios da idade.

Gira aos Quarenta é um blog super fofo de Portugal. Os textos são curtos, rápidos, às vezes há só uma frase. E tudo é sincero e com uma vibe espontânea, intimista.

Cris Guerra – não dá para listar blogs sem citar Cris Guerra! Seus 46 anos a fazem pertencer a este roll, porém, seu blog é extremamente antenado a novidades e a comentar o que anda ocorrendo no mundo. Ou seja, não tem foco específico para mulheres de +40/+50, e sim, fala com todas as faixas etárias de forma muito profissional.

Casa da Chris é o blog da jornalista Chris Campos, autora de cinco livros com destaque para tudo que transforma a casa em um lugar delicioso de se morar. Seus textos são sempre sobre festas, receitas, faça você mesmo, etc., com humor leve e muita delicadeza de escrita. Chris tem 45 anos e não trata do assunto “idade” em seu blog, mas ele é imperdível.

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C- Um blog para a faixa +60. E que bom que isso já existe!!

Viver Aos 60 – me adiantando um pouco na cronologia, este blog se propõe a “trazer o lado bom, bonito, gostoso e divertido de ter 60 anos em pleno século 21”. Gostei da descrição! [abaixo, foto retirada de um artigo deste blog]

TV STILL -- DO NOT PURGE -- Jane Fonda and Lily Tomlin in the Netflix Original Series "Grace and Frankie". Photo by Melissa Moseley for Netflix.§

‘Bora ler o que essa mulherada linda tem a dizer?

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Dezembro

E aqui estamos nós, aportando no último mês do ano. De verdade, não dá para ficar indiferente a Dezembro, é um mês singular. Isso não significa que ele seja bem quisto por todos, claro que não! Há quem o adore e quem o deteste, por razões subjetivas e diversas.

Dezembro chega para sinalizar que o ano está por um fio e isso nos remete ao que vivenciamos nos últimos onze meses. Lembram-se quando começou 2016? Certamente fizemos algumas projeções sobre o ano que estava começando, nos prometemos uma série de coisas, desde emagrecer aqueles quilos adquiridos na comilança das Festas até mudanças estruturais e significativas em nossas vidas. Do que nos prometemos, o que cumprimos?

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Mas não vamos entrar por aí agora, vamos voltar a Dezembro. A corrida das compras, Black Friday (ou black fraude) já foi, e com ela foi dado o start. A lista dos presentes de Natal, o impacto disso sobre o orçamento, as mais diversas confraternizações com pessoas que muito pouco convivemos durante o ano todo (o que não significa que não sejam queridas), a reunião da família para a noite de Natal, o menu da ceia, a divisão (ou concentração) de tarefas, o encontro para tirar os papéis do amigo secreto, a programação das férias, a escolha entre a praia ou o interior, a ficha que cai do calor que enfrentaremos porque não sobrou dinheiro para a compra do ar condicionado, o suspense e a tensão até saber se o filho passou de ano no colégio, passou no vestibular, passou de ano na faculdade, vai conseguir notas para se formar, as festas de formatura de filhos, sobrinhos e afins, a apresentação do teatro da escola, do curso de música, a compra antecipada do peru (vai que acabe), marcar horário na manicure para o dia 24… Nossa, e o Réveillon? A procura por hotéis, o preço abusivo para essa data, as opções de passar em casa, no clube, na Paulista, o desejo de pular as sete ondas, o trânsito na estrada para a praia, os fogos que eu queria tanto ver, o congestionamento nas areias de milhares de pessoas envoltas em roupas brancas, as simpatias que seria bom fazer, o champanhe, aquele presentinho curinga para quem eu esqueci de colocar na lista, a postagem nas redes sociais desejando o bem para os amigos (ufa, que bom que os cartões de Natal foram substituídos e eu não preciso ficar na fila dos Correios), e o tempo a ser gasto pensando se eu esqueci de alguma coisa……

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Percebe como Dezembro é singular? Não dá para ficar indiferente a ele!! Não dá para não olhar para trás e pensar que, apesar de todas as inúmeras crises internas e externas que 2016 trouxe, sobrevivemos!!!!! Que depois de tanta correria virá uma pausa, um break nas brisas de Janeiro, um desacelerar, dormir até mais tarde, tomar sol (vamos abstrair as tempestades), ler aquele livro que está separado (abstraia também os IPs da vida, IPTU, IPVA), relaxar…

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Então respire fundo, faça um alongamento, e diga para Dezembro que ele pode vir, que venha, estamos prontas para ele!

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No caminho

Com o final do ano se aproximando, é meio automático fazermos o balanço do que vivemos, do que foi bom e do que precisamos melhorar.

Pessoalmente, acabo sempre me recriminando por minha falta de obstinação, por me entusiasmar e depois ir abandonando as atividades aos poucos, geralmente por estar cansada demais ou ocupada demais. Bem no meio de um momento de feroz autocrítica, li o livro “No caminho – fragmentos para ser o melhor”, de Maria Júlia Paes da Silva.

grd_34564_15133Nele, a autora relata seu trabalho diário, persistente, de todo dia cumprir aquilo que se determinou a fazer e o resultado desse esforço. A caminhada é cotidiana, o compromisso consigo mesmo é refeito a cada dia, ano após ano. O resultado é visível, é real.

Sei disso porque conheço Maria Julia e constato a veracidade de suas palavras. Admiro sua postura equilibrada e bem-humorada diante da vida. Ver uma pessoa próxima manter seus compromissos internos e executá-los coerentemente, me deu mais vontade de fazer o mesmo. Deixou de ser algo impossível. Tornou-se prróximo, concretizável. Está ali, presente na próxima decisão, entre comer um doce ou uma fruta, entre ler ou assistir televisão, entre fazer uma caminhada ou deitar e descansar um pouco.

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Não há resposta correta. A cada momento, temos que respeitar nossa realidade. No entanto, se quero melhorar meu condicionamento físico, sei que devo escolher caminhar mais vezes do que me deitar na rede de balanço. Isso é ser coerente.

Aquele projeto de começo de ano (às vezes, do começo de todos os anos) de fazer ginástica e emagrecer, não será alcançado se for passageiro. A primeira semana na academia pode ser seguida de várias semanas de ausência se nosso propósito não for real, ou se ele for imediatista. Mas ele pode ser lindamente realizado se optarmos por dar pequenos passos, todos os dias, sem nunca tirar os olhos do objetivo.

Espero que o livro “No Caminho” inspire muitas pessoas, assim como me inspirou, ensinando que cada passo, por pequeno que seja, é fundamental quando estamos criando nosso destino.

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Como envelhecer

Este é um livro da coleção The School of Life, uma série que aborda temas relevantes e informativos, que interessam à maioria das pessoas. A autora, Anne Karpf, é escritora, socióloga da saúde, jornalista premiada, locutora, professora adjunta de redação profissional e pesquisa cultural na London Metropolitan University e escreve artigos regularmente para jornais e revistas.

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O livro se inicia mostrando que hoje em dia pessoas com 30 anos, às vezes até 20 anos, já estão preocupadas com envelhecimento, enquanto muitos da faixa de 50-60 estão encarando fazer quaisquer intervenções que os deixem com aparência mais jovem. Na verdade, diz a autora, “todos estão sofrendo da mesma dolorosa condição: um medo profundo de envelhecer”.

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O que ela nos faz entender é que o envelhecimento é algo presente por todo o ciclo da vida, está acontecendo a todo momento para todas as pessoas. Não tem sentido determinar uma idade na qual chegamos à barreira do envelhecimento, como se fosse algo exclusivo da última década de nossa vida.

“Envelhecer é viver e viver é envelhecer, e ser anti-idade (como muitos produtos, cheios de orgulho, dizem ser) é o mesmo que ser antivida.”

O que devemos combater é a falta de habilidade de mudar, e não o envelhecimento em si. Ficam melhores as pessoas que são capazes de se livrar de ideias fixas e ter flexibilidade de pensamento.

“Na nossa cultura, sentir que tem a própria idade é sinônimo de se sentir mal e sem vitalidade. Agora imagine se significasse sabedoria e experiência.”

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Achei o livro muito bom, mostra que devemos ansiar por combinar com nossa idade real e não ficar tentando burlar um processo biológico que é inevitável. As pessoas ficam cada vez mais únicas à medida em que ficam mais velhas, pois têm mais bagagem específica, tanto cultural como de vivência. Precisamos tirar a impressão de que envelhecer é ficar doente e incapaz. Isso é uma visão deturpada que faz com que todos temam ganhar idade e é ótimo para companhias que lucram em cima dessa ideia: indústrias farmacêutica e de cosméticos, clínicas especializadas em plásticas e dermo-procedimentos, etc.

O texto foi muito bem escrito e é empoderador. Se você tem +50, leia. Você vai gostar!

{Comprei o e-book pela Amazon, a R$16,88. O livro físico está R$22,32}

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Segundo tempo, novas escolhas

Lembram-se quando estávamos na faculdade? Na passagem do primeiro para o segundo semestre acabávamos refazendo algumas escolhas, puxando algumas matérias, deixando outras para depois, reorganizávamos o horário e planejávamos um semestre um pouco diferente; vamos traçar um paralelo entre essa situação e o momento que estamos vivendo?

No primeiro semestre da entrada na vida adulta (ou até antes disso) fizemos uma série de escolhas que, acreditávamos, seria para o resto de nossas vidas. Escolhemos a faculdade que nos levaria ao exercício da profissão sonhada, escolhemos o companheiro ao lado de quem viveríamos e envelheceríamos, a cidade onde moraríamos, o círculo de amigos, o tipo de lazer e tantas outras escolhas. Quando ainda somos calouros em relação à vida costumamos imaginar que nossa existência acontecerá em um movimento contínuo de ascensão, afinal nos conhecemos e sabemos o que desejamos.

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A vivência ao longo do tempo tende a desconstruir essas certezas; vamos nos dando conta que dentro de nós habita um ser praticamente desconhecido, um enigma que nos desafia e, tal qual a esfinge no mito de Édipo, provoca-nos: decifra-me ou devoro-te!! Esse “eu” vai revelando-se aos poucos, brinca de esconde-esconde, é multifacetado, composto de luz e sombras, ambivalente, intenso. A cada estação da vida nos mostra uma face, pleiteia buscas diferentes, anseia por novas experiências; quando ainda estamos envolvidas com muitos papéis, como a profissional em começo de carreira, a mãe de filhos pequenos, a responsável por cumprir inúmeras obrigações do dia a dia, temos que sufocar a voz desse eu toda vez que ela não estiver de acordo com a lista das responsabilidades que assumimos.

Todavia o tempo passa, a carreira se consolida de alguma maneira, os filhos crescem, ganham asas, voam. Já não somos mais tão imprescindíveis na vida do outro, já há espaço entre nós por onde os ventos da vida circulam. Já é tempo de nos voltarmos para as necessidades que brotam de dentro de nós. Sabem todos aqueles projetos que foram adiados, os sonhos que talvez sequer tenhamos ousado sonhar, o tempo que não tínhamos ou a permissão interna que não nos concedemos para fazer o que queríamos? Pois é, a hora é essa!

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A descrição do mundo, com seus atrativos e suas urgências, já nos seduziu e nos fascinou o suficiente; já acreditamos um número incontável de vezes que a felicidade estava nos aguardando em algum canto fora de nós, e corremos feito loucas para encontrá-la. Quantas vezes a vontade do outro colocou-se soberana sobre a nossa vontade, e nem sempre à nossa revelia, pois acreditávamos que isso poderia nos fazer feliz? E talvez tenha feito mesmo, naquele momento isso era importante.

Mas e agora? O que de fato é importante? Vamos nos reavaliar? Quais as nossas prioridades e desejos? O que nossa alma anseia por experimentar? Que dívidas contraímos com nossa criança interior?      

É tempo de olharmos para nós mesmas e nos presentearmos com todas as promessas que ficaram embrulhadas, esperando o momento de serem abertas e realizadas. É tempo de refazer as escolhas, manter o que ainda tem significado, mudar a rota do que não nos atende mais. Vamos ousar, abrir as asas e alçar voo, vamos nos permitir a liberdade de experimentar novos sabores, novos perfumes, novos encantamentos. A vida está sempre pronta a nos surpreender.

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