Princesa ou Mulher Maravilha?

O mundo anda mesmo muito louco. De repente, resolvemos ressuscitar personagens da ficção e tratá-los como seres reais.

Depois de descobrir (espantadíssima) a existência de uma “Escola de Princesas”, leio a notícia de que a “Mulher Maravilha” foi nomeada embaixadora da ONU para promover os direitos das mulheres. Hein? Dá para repetir?

É isso mesmo. A personagem é a embaixadora honorária das Nações Unidas para a autodeterminação de mulheres e meninas, anunciou a Organização no dia 21 deste mês. A razão dessa escolha? A Mulher Maravilha representaria o empoderamento feminino, por ser forte, atuante, inteligente, poderosa…

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Foi uma boa escolha? Em que medida a Mulher Maravilha, de corpo irreal e poderes idem, representa o esforço e a luta por mais direitos e menos violações? Por que não uma mulher de carne e osso, como tantas que trabalham, cuidam da família, têm uma atuação importante no mundo? Mistério.

Do outro lado da moeda, temos uma escola que quer formar “princesas” e considera a virgindade como um “valor” a ser preservado. Mais uma vez, volto à mesma nota: não existe bem que provenha da ausência de escolha. Ser obrigada a “se guardar” para o príncipe, desconsiderando o próprio julgamento, é se exilar de si mesma. Nesse sentido, a garota não é mais dona do seu desejo, não possui mais seu corpo. Este passa a ser um bem a ser usufruído pelo futuro esposo. Medo!

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Será que estamos tão descrentes do mundo e das possibilidades das pessoas reais que resolvemos debandar para um universo paralelo? Por que a princesa ou a mulher com superpoderes? E se, na verdade, não estamos buscando uma “mitologia” que oriente a nossa vida, já que temos dentro de nós todos esses arquétipos femininos?

Somos, ao mesmo tempo, a heroína, que se supera para realizar seu ideal e vencer as adversidades; a princesa, que busca o verdadeiro amor e romance; a feiticeira, sensual e poderosa, detentora de poderes e mistérios; e finalmente, a mãe/curandeira que acolhe, reconforta, cuida, protege. Todas elas morando no mesmo corpo. Só que esse corpo não pode ser aprisionado e limitado a apenas um papel. Ser saudável é poder transitar por todos eles.

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Autor: Marise Toschi

Professora e tradutora de Francês, instrutora de Being Energy. Buscadora, praticante de yoga, meditação, estudiosa de tarô e astrologia. Com +50, casada, um filho e uma cachorra mimada. Escrevo às quintas-feiras sobre espiritualidade, corpo e comportamento.

2 comentários em “Princesa ou Mulher Maravilha?”

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