Em 2017, viva o HOJE

Por que existem calendários, datas, festas? Os animais conhecem os ciclos da natureza instintivamente. Simplesmente sabem quando acasalar, emigrar, hibernar. Já o homem procurou pontuar a vida através de rituais, desenvolveu uma capacidade de encontrar padrões, observando as mudanças na natureza, as constelações no céu. Os calendários são o resultado da nossa necessidade de contar o tempo.

Datas e festas são formas de simbolizar a vida. Se para alguns, o dia 1 de janeiro é simplesmente uma continuação do ano anterior, para outros, trata-se de uma oportunidade imperdível para zerar o cronômetro. Ritualizá-las cria uma organização interna, estabelece um novo marco. E o recomeço pode ser totalmente real, assim como é real a energia de milhões de pessoas acreditando em mudança, expressando esperança. E é real o movimento de deixar para trás o que não serve mais e criar o novo.

Cada um vive o momento como quer ou como pode. Mas, geralmente temos sempre um ritual, seja ele intimista (lista de desejos pessoalíssima), ou compartilhado (nas águas de Iemanjá, por exemplo).

Seja qual for a sua escolha, seja generoso com você mesmo! Generoso com o que foi e com o que vai ser. 2016 está chegando ao fim. Ufa! Que alívio! Mas, não maldiga o ano, encontre gratidão dentro de você. Há sempre o que agradecer, há sempre alguma vitória ou algum aprendizado. Às vezes, mais do que se imagina num primeiro olhar.

Que 2017 seja lindo! Mas, não se atormente com listas impossíveis. Menos é mais. Seja generoso aqui também. Qual aspecto da minha vida pede um real investimento de energia? O que realmente quero potencializar aproveitando esta ocasião? Deixe de fora tudo aquilo que não for um desejo seu, pessoal, verdadeiro, abandone todos os quereres que têm a ver com a necessidade de aceitação e aprovação pelos outros. Você verá que a lista será bem menor, e os objetivos, bem mais fáceis de alcançar.

E lembre-se, na verdade, o único ponto de poder é o HOJE e nesse hoje, o AGORA. Acalme a mente e honre este instante. Ele é tudo que existe. Se a cada minuto fizermos isso, teremos uma vida feliz. Viva um dia de cada vez, acalme a mente, aprecie a sua existência. Em 2017 e sempre.

Felicidades!

O que você fez de notável em 2016?

Em toda virada de ano meu marido nos pergunta o que fizemos de memorável no ano que está terminando. Para ele a resposta vem fácil: sendo por gosto um homem extremamente trabalhador, há sempre a computar os obstáculos que foram vencidos, novos cargos assumidos, um doutorado terminado, e por aí vai. Para os filhos também é simples, já que falam das etapas cursadas nas faculdades.

Para mim, not so much… 

Além do fato de ter ido para New York absolutamente sozinha e ter me saído muito bem, não tenho muito o que dizer. Minha rotina é restrita pois não saio de casa para ir trabalhar há anos. Dou assistência remota às Empresas quando necessário, mas não marco presença. Isso me deixa com dias sempre muito iguais: passo a maior parte do tempo no meu escritório de casa, em frente ao computador, de segunda à domingo. Meus afazeres/prazeres atuais são as leituras e escrever para os blogs (Eai50 e Pílulas de Moda). Devoro livros no iPad (li uns setenta em 2016), assisto séries (#adoro), me atualizo em meu Bloglovin’. Porém… o que fiz de grandioso?

Apesar de não ter nada específico “para contar”, meus anos têm sido tão bons! Tenho absoluta consciência da sorte imensa de poder fazer somente o que quero, como por exemplo não enfrentar trânsito todo dia. Minha irmã é uma querida, nos damos super bem e dá saudade quando não conseguimos nos encontrar, o que tentamos fazer acontecer diariamente. Dou assistência aos meus pais com os assuntos burocráticos, e a cada vez que os vejo fico feliz por tê-los ainda por perto. Minha família é a coisa mais importante do mundo para mim e amo todos com uma intensidade insana.

É, não tenho o que contar, de verdade. Mas meus dias são cheios de amor e de gratidão voltada a essas pessoas incríveis que me rodeiam. Minha vida não é notável mas é tão feliz! Não estará bom?

E você, tem algo que considera memorável neste ano?

Domingo de Natal

Hoje é Natal! Para os cristãos a data é especial, comemora-se o nascimento do filho de Deus, que veio à Terra para mostrar o caminho da salvação. Mas independente da religião, o Natal possui tantos outros significados simbólicos. Vamos primeiro separar o joio do trigo; há o Natal dos que saem correndo, de última hora, para comprar presentes, os mais baratos ou mais fáceis, para cumprir tabela no jogo do amigo secreto. Há também aqueles que respiram fundo, tomam fôlego para passarem a noite junto de pessoas que fazem parte do mesmo bando, sem necessariamente haver afinidade. Há o Natal dos que sofrem de solidão, dos que estão distantes das pessoas amadas, dos que perderam um amor para a vida ou para a morte. Há os que não se mobilizam minimamente com essa data, os que não crêem, por medo ou cansaço. Mas, para todos esses e tantos outros, não há a presença do espírito do Natal, é só mais uma data festiva, onde pode-se comer e beber à vontade.

O espírito de Natal é um sopro que toca os que estão de coração aberto e disponíveis para o encontro. No presépio, o filho de Deus é uma criança, um menino deitado sobre a manjedoura. O espírito natalino tem a ver com as crianças, que deixam-se levar pela magia e pelo encanto, que acreditam que Papai Noel vai entrar pela janela e trazer a concretização dos seus desejos. Tem a ver com o renascimento da nossa criança interior, que depois de ficar escondida debaixo do peso de um ano inteiro de trabalho e batalhas de todas as ordens, espreita novamente o horizonte, levanta-se, quer brincar, comemorar, sonhar e acreditar no sonho de um mundo onde pode-se olhar para o outro e reconhecê-lo como um aspecto nosso, uma parte de nós, que por ser diferente nos complementa, nos convida a conhecer outro universo, a trilhar outros caminhos. Um mundo onde a família não é bando, mas grupo, formado de pessoas que compartilham da mesma ancestralidade, que caminham juntas pela jornada da vida, apoiando-se e aprendendo, nos erros e nos acertos, nos encontros e desencontros, mestres uns dos outros, cuja troca de experiências constrói uma possibilidade de ampliação de consciência e expansão da energia amorosa.

Essa energia amorosa é um esboço da energia Crística, de amor e sabedoria, compaixão e perdão, que o menino Deus representa. O Natal traz a possibilidade de reacendermos a chama dessa energia que vive em nossos corações, de incendiá-la para que ganhe vulto, cresça e aqueça o coração de todos que estão ao nosso redor. E quem está ao nosso redor? Engana-se o que pensa só na família e nos amigos, a humanidade inteira está ao nosso redor, estamos inseridos nela, e ela em nós. E a humanidade está inserida na Terra, e esta no Sistema Solar, e este em uma galáxia vizinha a tantas outras galáxias, e portanto, o Universo inteiro compartilha dessa expansão amorosa.

Natal é consciência Crística, somos todos energia luminosa, fagulhas de amor à espera do despertar. Que possamos contatá-la e distribuí-la pelos quatro cantos, pelos quatro elementos e através dos quatro compromissos: a impecabilidade da palavra, a consciência de não levar nada para o lado pessoal (o mundo não gira ao redor de nós), não tirar conclusões (isso nos leva a evitar os julgamentos pessoais), e dar o melhor de si, sempre. Talvez esse possa ser um dos caminhos que nos leve de encontro ao tão sonhado mundo melhor, que não será deixado debaixo da árvore pelo Papai Noel, mas que pode ser construído por nós em cada momento precioso de nossas vidas.

À todas vocês, Feliz Natal!

Livre aos 50!!

Você já considerou a possibilidade de parar de pintar o cabelo e exibir uma bela cabeleira branca ou cinza, com um corte descolado? Essa moda, que há alguns anos parecia algo impensável, tornou-se prática comum e constato que cada vez mais mulheres adotam o cabelo grey.

Se fazer essa escolha é uma decisão totalmente pessoal, acho fantástico podemos optar, decidir se queremos um look mais natural ou se preferimos tingir. Não haver mais a ditadura nesse sentido é um sinal dos tempos.

Sinal de que conquistamos uma liberdade de percepção: para sermos atraentes, para nos sentirmos bem não precisamos mais falsear a idade. A beleza assume a característica do seu tempo. Vejo mulheres lindíssimas, mulheres que não estão querendo “passar por mais moças”, mas que carregam seus anos com um charme inigualável. Escolhem a autenticidade, o bem-viver. Ao invés de provar algo, podemos trilhar o caminho que sentirmos ser o melhor, para cada uma de nós, sem seguir regras.

Toda pessoa busca se sentir atraente, confortável, saudável. Só que algumas vezes, essa tríade não anda junta. Já houve casos de mulheres que tiraram costelas para afinar a cintura. Os saltos altíssimos (que continuo achando lindos) são causadores de dores nas costas e nos joelhos. Passei alguns anos da minha vida adulta pendurada neles, diariamente. Hoje, sou moderada. Nos dois casos citados, a saúde e o conforto são colocados em segundo lugar em nome da beleza.

O que explica o fato de fazermos esses pequenos sacrifícios? Talvez o desejo ou a necessidade de se sentir admirada, de receber a aprovação dos outros. Nesses momentos o olhar alheio é a principal referência.

A verdade é que com o passar dos anos, ganhamos muito mais do que alguns quilos e algumas rugas: ganhamos o “direito” de fazer aquilo que NÓS achamos bonito. E o trio beleza, conforto e saúde coexiste com muito mais facilidade. Saímos com sapatilhas, roupas elegantes e confortáveis, sem ter que impressionar ninguém. Mas, podemos sair arrumadíssimas, super produzidas, se isso for nossa vontade. O que mudou? Temos a nós mesmas como referência. E isso não tem preço.

O Clube do Biscoito

Um livro com um nome tão peculiar! Conta a história de 12 amigas que se reúnem anualmente, na primeira segunda-feira de dezembro, para trocar receitas, biscoitos caseiros e para falar da vida.

Neste dia, essas mulheres sentem-se à vontade para compartilhar qualquer tema: a paixão e a esperança de um novo amor, as desilusões e as traições amorosas, os medos e as alegrias da maternidade, a agonia de perder um filho e, acima de tudo, a admiração e o respeito que sentem umas pelas outras. Contudo, neste ano, além das histórias divertidas, há alguns assuntos sérios a tratar: a filha mais velha de Marnie está enfrentando uma gravidez de risco. O pai de Jeannie está tendo um caso com sua melhor amiga. Taylor, após ser abandonada pelo amor de sua vida, está com as finanças por um fio. Já Rosie enfrenta a repulsa de seu marido à ideia de um possível filho.

Livros que falam de sororidade sempre me atraem. E este não foi diferente. Ao longo da noite de festa em que trocam seus embrulhos caprichados de biscoitos, cada uma das amigas divide com as outras um pouquinho da sua história, suas dificuldades, alegrias, mágoas, como somente boas amigas conseguem fazer.

Além de 12 receitas reais de biscoitos, a autora ainda acrescentou o histórico de vários ingredientes, como açúcar, sal, gengibre, etc.: onde primeiro apareceram, há quanto tempo, quem cultivava e como, e por aí afora.

Cada alimento que estudei deu ensejo a um filão de história e proporcionou uma visão das forças e acontecimentos responsáveis por nossa civilização e cultura. Afinal, foi o cultivo do trigo que possibilitou a existência de povoações; foi nosso desejo pela canela que levou à descoberta do Novo Mundo; e nosso vício pelo açúcar, possível apenas devido à escravidão, foi crucial para que os Estados Unidos fossem o país diversificado que é.

O texto em si tem altos e baixos, é um pouquinho arrastado para suas 290 páginas. Porém, acima dos dramas particulares está a clareza com que é mostrado o quanto precisamos de nossas amigas. A vida sem amigas é árida e difícil. Amigas são uma dádiva que precisamos cultivar e manter sempre por perto. Não podemos nunca prescindir delas. Uma ode à amizade feminina!