O poder feminino e a mulher selvagem

O dia tem 24 horas, mas precisaria ter mais. Diante de nós, uma quantidade enorme de atividades. Somos mulheres que trabalham, cuidam da família, educam crianças, lidam com o dia a dia atribulado. Seres urbanos.

O que restou da mulher selvagem? Das mulheres que sabiam curar e que liam o mundo através da intuição e da sabedoria transmitida por suas ancestrais? E por que eu preciso dela?

Apesar de toda a tecnologia e do ritmo frenético que se impõe pela comunicação quase instantânea, nós, mulheres, continuamos a ser seres da natureza, seres que se conectam ao tempo, às estações, aos momentos, seres que leem as energias. Somos assim.

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A mulher selvagem é a parte dentro de nós que traz a sabedoria da alma. É aquela além do tempo, que enxerga o que os outros não veem, porque sai da visão banalizada, sai do estado de dormência ao qual estamos imersos. Vai buscar no centro do seu ser, na sua ancestralidade, o espaço secreto onde reside sua força e determinação, de onde resiste as intempéries, às injustiças, à violência e de onde extrai as respostas, as saídas, os canais que a levam para a luz. Esse local está dentro de nós. Dentro de cada uma de nós, reside uma bruxa, uma curandeira, uma cozinheira sagrada, uma xamã. Nós cozinhamos para curar, cantamos para fazer dormir, ensinamos os filhos do corpo e todos aqueles que precisem. Somos assim, seres da natureza, seres que buscam estar em equilíbrio. Antes, no passado distante, vivíamos em matriarcado. A marca do feminino é a colaboração, a associação.

Hoje, o mundo está em plena ebulição. De um lado, mulheres e homens compartilhando poderes e responsabilidades, mulheres dirigindo empresas e países. De outro, há ainda o jugo masculino, mulheres impedidas de estudar, submetidas à lei que as priva de todo direito.

E embora, a aparência nos faça crer que entre essas duas realidades nada exista em comum, partilhamos a mesma biologia, o mesmo instinto de vida. Cada uma dessas mulheres, com experiências tão diversas, intui que deve preservar o lugar secreto de onde extrai a força, para onde vai quando nada mais faz sentido, onde encontra sua forma primitiva: a mulher selvagem, aquela capaz de desbravar e vencer qualquer obstáculo. Nunca, nunca se desconecte dela.

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Autor: Marise Toschi

Professora e tradutora de Francês, instrutora de Being Energy. Buscadora, praticante de yoga, meditação, estudiosa de tarô e astrologia. Com +50, casada, um filho e uma cachorra mimada. Escrevo às quintas-feiras sobre espiritualidade, corpo e comportamento.

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