O segundo compromisso

O livro Os Quatro Compromissos, de Don Miguel Ruiz [resenha aqui], traz ensinamentos preciosos:

  1. Seja impecável com a sua palavra
  2. Não leve nada para o lado pessoal
  3. Não tire conclusões
  4. Dê sempre o melhor de si

Quando efetivamente aplicados em nosso dia a dia mudam nossa forma de agir e melhoram a vida.

Vou lhes dar o exemplo que para mim foi o mais marcante. Dirijo muito pela cidade de São Paulo, o que significa incontáveis minutos (quando não horas) num trânsito infernal. A coisa mais comum é acontecer mal entendidos nesse ambiente: alguém que joga o carro na frente do nosso para forçar passagem, motoqueiros que não nos deixam mudar de faixa (sim, isso é muito comum por aqui), motoristas lentos que nos fazem perder os faróis verdes, etc.

Típico trânsito da Av. 23 de Maio, onde trafego frequentemente

A mentalização do segundo compromisso ao dirigir transformou esse ambiente de guerra em algo tranquilo para mim. Não importa o que aconteça, a simples consciência de que aquele ato aparentemente hostil não foi algo feito visando me aborrecer intencionalmente, não foi nada pessoal, retira o stress da situação.

A diferença em paz de espírito é notável. Para não esquecer nunca mais disso anotei o texto do segundo compromisso num marcador de livros e prendi-o no quebra-sol do carro.

Tente essa prática. Você vai se surpreender com a eficiência de uma frase aparentemente tão simples.

Obs.: Este post apareceu primeiro no blog Pílulas de Moda e foi escolhido para republicação aqui devido minhas férias.

Eros e Psique

– Fernando Pessoa –
 
Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
Do além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.
A Princesa adormecida,
Se espera, dormindo espera.
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado.
Ele dela é ignorado.
Ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o Destino –
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E, vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora.
E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.
.

Corpo e Coaching

Para mim, coaching era algo do mundo coorporativo. Algo que você faz quando tem que atingir uma meta e não consegue. Ignorância minha. Existe o coaching ontológico, do ser, onde todo o trabalho é voltado para a pessoa. Não importa a meta, mas a relação dela com essa meta, pois ele visa a integração do ser: linguagem, corpo e emoção.

Trata-se de um trabalho focado. A meta é resolver a questão e dar ferramentas, tornar a pessoa capaz de caminhar sozinha. Através de conversas, de perguntas que fazem refletir e cujo objetivo é mudar o observador, a perspectiva. Mas, e o corpo? Como ele entra nessa conversa? É preciso que o coach tenha um olhar para ele, como é o caso do Sandro Mattos, bailarino, coreógrafo, professor de dança. Em uma sessão de coaching ele observa o conflito que existe quando, por exemplo, a emoção diz uma coisa e o corpo diz outra.

“Nesse caso, a gente não está SE escutando. O meu trabalho é justamente fazer com que essa pessoa esteja inteira.”

Diz ainda que, na nossa sociedade, o corpo carrega muitos tabus, muito bloqueios e que enquanto estivermos presos a esse tipo de percepção, a vida não vai fluir. “Separar a cabeça do corpo” é irreal. Somos um todo completo, intelectual, corporal, emocional.

Segundo ele, a limitação dos movimentos é algo que nos é imposto pela sociedade, televisão, etc., sem que a gente se pergunte a razão. Aceitamos sem perguntar.

“O coach é a arte das perguntas. É se perguntar sempre, não aceitar passivamente, podendo mudar o que você quiser, mudando o observador.”

Ele explica:

“Você está olhando para mim, você vê tudo que há atrás de mim. Eu não estou vendo nada. Isso não significa que não existe só porque eu não estou vendo. Não é assim, são perspectivas diferentes, cada um está observando um ângulo. Na vida, eu não sei o que é real, não sei o que é verdade. Eu conheço a minha verdade, a minha realidade. Que eu posso transformar o tempo inteiro. Ela está sempre em movimento. Assim como existem várias possibilidades, vários ângulos, eu posso ver a vida de qualquer outra maneira. Eu posso lembrar do meu passado e rever os fatos. Estou olhando o meu passado por um ângulo só. E se eu olhar meu passado por um outro ângulo? Ele vai deixar de ser verdadeiro? Não. Você só mudou o olhar.”

Ou seja, o truque é ser flexível por inteiro: na emoção, no corpo e na mente. E uma ajudinha não cai nada mal nessa hora. Para obter mais informações, clique aqui.

Arrumação dos sapatos

Desde que conheci o primeiro livro da Marie Kondo [leia Kôn-do] e fiz arrumação geral das minhas roupas, estava em débito para fazer o mesmo com os sapatos.

Deveria ser um processo bem mais fácil… Afinal, não há que experimentar tudo, é só olhar e definir o que fica e o que vai. No entanto, passei meses (mais de um ano) antes de criar coragem para mexer nesse nicho, e só consegui avançar depois de ter angariado a ajuda da minha irmã e de ter definido claramente qual o critério de escolha.

Para quem gosta de sapatos muito peculiares (coloridos, com cristais, com bordados, etc.), a coleção que se acumula ao longo do tempo parece ter um significado especial: como doar um sapato de estampa pied-de-poule? Ou um roxinho? Como vou ficar sem essas “opções” no guarda-roupa? [risos]

Foto: Sarah Jessica Parker shoes

Então, já que não havia como me desapegar espontaneamente de modelos tão diferentes, o critério foi Qualidade. Ficaram os de bons sapateiros (dos pares nacionais ficaram todos os da Tatiana Loureiro, com louvor!) enquanto os sapatos de feitio não tão esmerado, os repetidos em cor ou os desgastados foram separados para doação.

Que alívio quando terminamos! Saber que agora é só retirar qualquer um do armário que ele estará bonito e perfeito, é uma sensação ótima.

Sinceramente? Lamento não ter feito isso a mais tempo. Portanto, fica a dica: aplique já o método Konmari em seus pertences. A gente até respira melhor quando destralha! 😄

 

Obs.: Este post apareceu primeiro no blog Pílulas de Moda e foi escolhido para republicação aqui devido minhas férias.

Para Sempre

  • Carlos Drummond de Andrade
Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
— mistério profundo —
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
.