É imprevisível

Vocês lembram da cena inicial do filme Forrest Gump? Tom Hanks está sentado em um banco enquanto uma pequena pena voa ao sabor do vento até cair sobre seus pés, quando então ele a recolhe. Por que lembrei disso agora? Justamente porque estava pensando em como a nossa vida assemelha-se a uma pena que dinamicamente se move, para cá e para lá, à mercê dos ventos.

Às vezes sopra uma brisa suave, e temos a ilusão de que podemos controlar sua direção. Outras vezes sopra uma rajada mais forte, vem uma turbulência, e demoramos um pouco para nos aprumar. Mas difícil mesmo é quando uma ventania se faz presente, e a pena que estava movendo-se em uma determinada direção, abruptamente é carregada para o outro lado, de uma maneira desordenada e num ritmo completamente diferente. Aí sim somos forçados a constatar que houve uma mudança, a despeito da nossa escolha ou desejo, a despeito sequer de nos sentirmos preparados para enfrentá-la, e que se faz necessário corrigir a rota que estávamos seguindo e criar condições internas para aceitar a mudança que já aconteceu.

E de nada adianta a perplexidade ou a lamentação; tão pouco parece útil a tentativa de justificar o que aconteceu, atribuir-lhe causas, razões. O nosso choque é resultado de vivermos tão resistentes e inconscientes diante da constatação de que a impermanência é a regra do jogo.

Um placar favorável não é garantia de que o jogo está ganho, assim como um placar desfavorável não é uma sentença de condenação. Vamos recordar a dualidade da nossa existência? Dia e noite, sol e chuva, frio e quente, passado e futuro, amor e ódio, e por aí vai… Eu pessoalmente acredito que estamos aqui para aprendermos justamente a encontrar o caminho que nos leve à unificação e integração das experiências; e vivenciar os pares de opostos talvez seja o método para essa aprendizagem.

Então vamos lá, força na peruca!! Seja inteiro e esteja inteiro em tudo que faz. O momento presente é o único lugar possível para aportarmos. Se você está ganhando o jogo, mergulhe de corpo e alma nessa alegria. Divirta-se, aproveite cada oportunidade de ser feliz. Encante-se com cada por do sol, ria até doer a barriga, fique até o último minuto, depois de acabar o sorvete não esqueça de lamber os dedos. Não economize beijos, abraços, encontros para jogar conversa fora; ouse!

Porque quando o placar ficar desfavorável, você vai encontrar uma reserva de força e de alegria dentro de você que vai ser imprescindível para que possa atravessar o caos e manter-se inteira, firme e forte, até reencontrar um porto feliz.