Preconceito

À medida em que os anos foram se acumulando eu fui ficando cada vez mais crítica com as lojas muito “jovens”. Olhava as vitrines e já julgava que nada dali poderia – e nem deveria! – me servir. Pois mudei de ideia.

Semana passada entrei na mega jovem John John para comprar um presente e me vi encantada com a jaqueta que uma vendedora usava. Era da loja e quis experimentar. Foi paixão instantânea!

Sempre gostei da estética rocker e a John John tem muita coisa nesse estilo. Experimentei também esta parka de mangas bordadas, e é linda (apesar da cintura ter ficado muito alta, o que me fez desistir de levá-la).

Resultado: passei a achar que não importa o rótulo da loja, o que importa é se você encontra seu estilo nela. Não nego, voltarei lá para buscar outras peças.

Moral da história: deixei de ter preconceito e estou revendo essa questão de “idade”. O que você pensa sobre moda X idade?

Quase amenidades

O tempo parece ter perdido o juízo, disparou numa correria danada. Mal a semana começa já termina, e os eventos despencam feito enxurrada de verão; fazem um barulho danado, trazem ameaças implícitas, nos encharcam de informações e ficamos sem saber por onde ir…

Há muitas opiniões, depoimentos, impressões, julgamentos, embates e debates, tudo em excesso, com pressa; meias verdades e mentiras inteiras desfilam através dos personagens que as encenam e que invadem todas as mídias, preenchendo de nada o grande vazio!

Eu cansei, e você? Essa descrição do mundo está um tédio, um porre, acordamos todos os dias de ressaca. Que mundo é esse? Ainda bem que temos Drummond:

“Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.”

E mais vasto é o teu coração, nossos corações, guardiões do eterno agora, de verdades inteiras, de sabedoria ancestral. Mais vale o som dele batendo no peito do que o barulho de toda essa discurseira, mais vale seu ritmo e cadência do que todo esse frenesi. Mais vale o mar de amor que ele encerra, a vida sem começo nem fim, as pessoas que colocamos dentro dele, os vínculos que alimentamos. Mais valem todas as sementes de sonho nele plantadas do que todas as malas de dinheiro que circulam entre os que se esqueceram de despertar.

Estou me propondo um desafio, e talvez você possa querer se desafiar também. Vamos transcender? Não quero me alienar, quero ir além!! Além do medo, além da ignorância, além da pobreza de espírito e de caráter, além do ego e de suas armadilhas. Voar mais alto, além dos limites impostos e das feridas expostas, além do bando.

Claro que isso é desafio para muitas vidas, inúmeras encarnações… mas tudo bem, quem é que tem pressa? Além do tempo horizontal repousa a eternidade. Vamos construir na mente o mundo no qual desejamos viver. Vamos trocar as previsões pessimistas pela constatação da abundância do Universo, as queixas por ações, a lamentação pela oração. Vocês viram um vídeo que está circulando pela internet do lançamento de um livro de Adélia Prado no ano passado em BH? Essa mulher, escritora brilhante, na frente de um auditório lotado, propõe trocar os autógrafos e fotos por um minuto de silêncio e uma oração pelo Brasil. Ela e toda a plateia rezam juntas o Pai Nosso, é de arrepiar!

Atitudes diferentes trazem resultados diferentes, quebrar padrões repetitivos abre espaço para o novo do qual estamos todos desejosos. Falar menos e agir mais.

“Falar é prata, calar é ouro!”

Passando rápido

Começo esta postagem com uma declaração de total banalidade: “Como o tempo está passando rápido!” Pois é.  Frase padrão de elevadores, conversas em salas de espera ou de filas tem sempre uma receptividade entusiasmada. Comentamos convictos que o tempo, definitivamente, “passa cada vez mais rápido”. Quem é que nunca ouviu isso?

A verdade é que nos consolamos mutuamente dizendo que “ele voa”. Andamos tão atarefados, cumprindo um sem número de tarefas que não sabemos mais aonde queremos chegar. E os eventos vão nos levando. O tempo está lá, indiferente, nos olhando passar.
Imputamos a ele a culpa por horas perdidas diante da televisão ou do computador e se é fato que passamos longos momentos no trânsito, somos os únicos responsáveis por nos desgarrarmos no emaranhado de pensamentos inúteis.

O que eu fiz hoje que mereça ser lembrado, ser amado ou ser comemorado? O que eu aprendi neste dia? E sobretudo, estou me tornando uma pessoa mais amorosa com o passar dos anos?

Existe um tempo sem tempo, dentro do mundo interno de cada um. Ele não tem idade, não requer preparação, pós-graduação, concurso público. É amigo do silêncio e da generosidade. Pode ser descortinado por uma simples pausa, quando nos permitimos respirar com calma, viver o presente. Esse ser interno nos lembra que a jornada pessoal está além do calendário e que temos a cada instante a possibilidade de recomeçar, de fazer diferente, de existir plenamente, de esquecer a passagem dos dias. O ponto de poder é o Agora e o Agora está sempre disponível.

Vestindo o eu imaginário

Você compra um monte de scarpins de salto alto mas no dia a dia vive de sapatilhas? Ou se encanta sempre por blazeres de alfaiataria quando normalmente só é vista de moletom? Escolhe as peças mais coloridas das lojas quando seu hábito é sair sempre de bege e preto? Então… lamento informar, amiga, mas você está adquirindo roupas para seu eu imaginário!

Todo mundo tem algum estilo que mais admira ou que sonha em pertencer. O problema é quando seu guarda-roupas fica mais abastecido para a fantasia que para a vida real, levando ao velho dilema “não tenho nada para vestir”.

O meu eu fantasioso está sempre com uma terceira peça statement, seja uma jaqueta bordada, seja um casaco de couro maravilhoso, lenços coloridos, etc. Mas quando vejo o que usei no dia, em 95% das vezes saí com o combo calça jeans +camiseta, nem uma mera malhinha por cima para dar um charme…

Então, como fazer para evitar essa armadilha quando for às compras? Não tem outro jeito: tem que conhecer bem seu armário e saber o que realmente é usado diariamente. Se você trabalha em casa, para que se abastecer com tanta roupa formal? Ou, se trabalha fora 5 dias por semana em local de vestimenta estritamente convencional, de que adianta investir em incontáveis camisetas e shortinhos?

Melhor forma de descobrir o que você usa realmente é fazer uma planilha e anotar diariamente o que vestiu. Depois de 7 dias já dá para ver que você pode estar enganada quanto às suas compras de roupas. Não deixe de fazer essa experiência, é iluminadora!

Do caos à criação

Eu gosto de dividir com vocês os meus conflitos na hora de sentar e escrever o texto para esse blog, e sempre tenho vários. O conflito de hoje é escrever ou não sobre o tema que inundou a semana, e no qual estamos todos mergulhados.

Eu compartilho da crença de que alimentamos tudo que está onde colocamos nossa atenção, e que, portanto, precisamos ser cuidadosos para não alimentar o que não desejamos para nosso mundo. Desgraça atrai desgraça, já dizia minha avó, ou, em outra linguagem, pensamentos são frequências energéticas que plasmam a realidade externa.

Por outro lado, não dá para bancar a Poliana e ignorar o que está acontecendo no nosso país, então vamos lá buscar uma reflexão que agregue coisas positivas neste momento tão conturbado. O que mais ouvimos e repetimos nesses últimos dias é que mergulhamos no caos, no mar de lama, e não pude deixar de associar a tragédia de Mariana como um prenúncio simbólico do que estava por vir: a barragem rompeu e toda a lama veio para cima de nós e ameaça a nossa existência moral, ética, econômica e social.

Pois bem, resolvi fuçar a origem da palavra caos, uma vez que dela só tinha vaga ideia. Para isso me reportei até a mitologia grega e constatei que Caos foi considerado por Hesíodo como a primeira divindade a surgir no Universo, tendo sido, portanto, o mais velho dos Deuses, também conhecidos como Deuses Primordiais, e representava a desordem inicial do mundo. No principio só havia ele, um ser solitário que de forma assexuada gerou os filhos.

Segundo a mitologia, Kháos, Gaia e Éros eram três forças primordiais que surgiram de maneira autônoma e a partir das quais constituiu-se o mundo. Vou reproduzir um trecho que a meu ver é muito revelador:

“No princípio era o caos. Na origem de tudo, há o Abismo, Kháos para os gregos. Caos é a personificação do vazio primordial, anterior à criação, no tempo em que a ordem ainda não havia sido imposta aos elementos do mundo (…). Portanto, na mitologia grega, o estado primordial do mundo é apenas esse Caos, abismo cego, noturno, ilimitado, que evoca uma espécie de névoa opaca em que todas as fronteiras perdem nitidez. Mas Caos, divindade rudimentar, é também capaz de fecundidade. A palavra caos pode ser definida, filosoficamente, como vazio obscuro, profundidade insondável que precede e propicia a geração do mundo.”

A mitologia é uma ferramenta belíssima que nos ajuda a compreender a origem do homem e do mundo, e através dos símbolos nos mostram a realidade contada por suas histórias sagradas.

A manifestação do Brasil que queremos para todos nós e para os que virão depois de nós ainda está por acontecer. Talvez (ou certamente) tenhamos vivido no caos, na desordem, desde os primórdios do descobrimento. A corrupção atávica à realidade brasileira é a névoa opaca em que todas as fronteiras perdem a nitidez, e, os que a praticam agem como se não houvesse fronteiras, e para eles não há. Cabe a nós, como sociedade, restabelecer os limites entre o aceitável e o inadmissível, demarcar os territórios da moral, da ética, da honra, do respeito, da justiça, da ordem e do progresso.

Mas para isso teremos que agir como sociedade, muito além de partidos e ideologias de direita e esquerda. Nos deixamos enganar por todos eles, ladrões que formam uma única quadrilha, e que incitam em nós a divisão, porque divididos perdemos força e unidade.

Enquanto brigamos entre nós pelas redes sociais, nos cutucamos e nos provocamos, eles, que não são nem de direita nem de esquerda, reeditam a história de Ali Babá e os quarenta ladrões, em uma progressão geométrica e assustadora.

Que possamos olhar para este momento como portador da semente de um novo país, de uma nova maneira de fazer política, de uma nova sociedade que se liberta de seus falsos ídolos e suas personalidades cindidas e perversas.

A mudança que queremos ver no mundo está em nós, vamos mudar para que o país também mude!