Quase amenidades

O tempo parece ter perdido o juízo, disparou numa correria danada. Mal a semana começa já termina, e os eventos despencam feito enxurrada de verão; fazem um barulho danado, trazem ameaças implícitas, nos encharcam de informações e ficamos sem saber por onde ir…

Há muitas opiniões, depoimentos, impressões, julgamentos, embates e debates, tudo em excesso, com pressa; meias verdades e mentiras inteiras desfilam através dos personagens que as encenam e que invadem todas as mídias, preenchendo de nada o grande vazio!

Eu cansei, e você? Essa descrição do mundo está um tédio, um porre, acordamos todos os dias de ressaca. Que mundo é esse? Ainda bem que temos Drummond:

“Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.”

E mais vasto é o teu coração, nossos corações, guardiões do eterno agora, de verdades inteiras, de sabedoria ancestral. Mais vale o som dele batendo no peito do que o barulho de toda essa discurseira, mais vale seu ritmo e cadência do que todo esse frenesi. Mais vale o mar de amor que ele encerra, a vida sem começo nem fim, as pessoas que colocamos dentro dele, os vínculos que alimentamos. Mais valem todas as sementes de sonho nele plantadas do que todas as malas de dinheiro que circulam entre os que se esqueceram de despertar.

Estou me propondo um desafio, e talvez você possa querer se desafiar também. Vamos transcender? Não quero me alienar, quero ir além!! Além do medo, além da ignorância, além da pobreza de espírito e de caráter, além do ego e de suas armadilhas. Voar mais alto, além dos limites impostos e das feridas expostas, além do bando.

Claro que isso é desafio para muitas vidas, inúmeras encarnações… mas tudo bem, quem é que tem pressa? Além do tempo horizontal repousa a eternidade. Vamos construir na mente o mundo no qual desejamos viver. Vamos trocar as previsões pessimistas pela constatação da abundância do Universo, as queixas por ações, a lamentação pela oração. Vocês viram um vídeo que está circulando pela internet do lançamento de um livro de Adélia Prado no ano passado em BH? Essa mulher, escritora brilhante, na frente de um auditório lotado, propõe trocar os autógrafos e fotos por um minuto de silêncio e uma oração pelo Brasil. Ela e toda a plateia rezam juntas o Pai Nosso, é de arrepiar!

Atitudes diferentes trazem resultados diferentes, quebrar padrões repetitivos abre espaço para o novo do qual estamos todos desejosos. Falar menos e agir mais.

“Falar é prata, calar é ouro!”

Autor: Ana Amorim

Psicóloga Clinica, Terapeuta, eterna curiosa e aprendiz de assuntos metafísicos. Escrevo todos os domingos sobre Comportamento.

Um comentário em “Quase amenidades”

  1. Que bom poder ter um pouco de você nas suas crônicas de domingo. Continue assim , fazendo bem sem saber para quem… Para mim é muito bom!bjs Ana Coelho

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *