Dior coleção Outono 2017

As coleções de alta costura são inviáveis, tanto do ponto de vista econômico quanto do prático: é tudo muito conceitual, não dá para sair à rua com nada daquilo… No entanto, nos fornece pistas sobre o que eles consideram que continua na moda, e isso é informação importante para quem quer que faça compra de roupas.

Vamos lá?

As calças compridas continuam cropped, não há nenhuma com barra longa. E as pantacourts vieram forte, em vários materiais e formatos.

Transparências mil, coisas realmente reveladoras, nada usáveis – e até alguns sapatos com trama vazada.

O tema Astrologia continua em alta!

Coletes compridos se mantém como tendência deste inverno também.

As alças das bolsas estão compridas e bem grossas.

Os sapatos estão com saltos vírgula, inclusive algumas botas. Aliás, botas no melhor estilo galocha apareceram em inúmeros looks.  E este abaixo é o sapato que está fazendo o maior sucesso. Se você quiser um, está saindo a R$4.100 aqui no Brasil.

Não tem muita novidade, não é? Bom para nosso armário, que continua atual.  😉

Mães

Sentei aqui diante do computador disposta a escrever um texto sobre as mães que não caísse no lugar comum, que não apelasse para os clichês, que trouxesse uma releitura mais arejada sobre o dia de hoje e o lugar que a mãe ocupa na vida da gente, assim como o lugar que ocupamos na vida de nossos filhos. Pretenciosa eu, não?

Sinto informar, mas acho que não vou conseguir…

Acabei de assistir a um vídeo do Papa Francisco no santuário de Fátima, comemorando o centenário das aparições de Nossa Senhora, vocês viram? Independente da crença de cada um, acho difícil não nos comovermos com aquelas imagens que são muito representativas do significado da mãe, e mesmo relacionadas à Mãe Divina, nos permitem, por analogia, compreender o simbolismo da função materna. Milhares de pessoas se reuniram em Fátima e se colocaram em um profundo silêncio enquanto o Papa, silenciosamente também, orava diante da imagem da Virgem. Filhos que se colocam diante da Mãe buscando consolo para suas dores, proteção contra todos os perigos, benção para seguirem suas vidas em paz, aconchego para sossegar seus medos, amor para sentirem-se alimentados e pertencentes a algo maior.

O princípio feminino da divindade revela-se como amor incondicional, compaixão infinita, proteção e acolhimento. Que a divina Mãe se compadeça de todos nós e nos envolva em Sua aura de luz!

Que a Terra, Gaia, a mãe natureza, nos perdoe por todos os descuidos que somos capazes de cometer, essa terra que nos acolhe também e nos dá o solo, o ar, a água e todas as condições de vida para que possamos vivenciar nossa experiência neste planeta como criaturas encarnadas e em processo de evolução.

Às mães que temos e as mães que somos, mulheres que escolheram abrir mão de um espaço interno preenchido só por si mesmas, de uma vida voltada para si mesmas, e resolveram compartilhar esses espaços com filhos que geraram, frutos de um aprendizado amoroso incomparável e desafiador, que nos coloca constantemente frente a frente com a necessidade de nos superarmos, de nos tornarmos pessoas melhores.

Aos filhos cuja existência nos permitiu nos tornarmos mães, embarcarmos nessa vivência maravilhosa e única, uma vez que a maternidade apresenta-se como uma oportunidade e um caminho para o florescimento do amor, da compreensão, da aceitação, do cuidado e da troca afetiva que nos faz esbarrar no paraíso quando somos envolvidas por um abraço, por um olhar, por um sorriso que resignifica o fato de estarmos aqui, vivas e presentes.

Ao compromisso de assumirmos a função materna em relação a nós mesmos, independente de sermos homem ou mulher. Da possibilidade de fazer crescer amor e respeito pela pessoa que somos, de nos aceitar e nos acolher, de promover nosso crescimento, de nos perdoarmos por nossos erros, por nossas falhas. De estarmos atentos para o que necessitamos, e de sermos generosos o suficiente para nos proporcionarmos o que precisamos.

Eu me amo, eu me aceito, eu peço perdão a mim e me perdoo, eu sou grata à pessoa que eu sou. Eu sinto muito por todas as vezes em que me coloco em situações desfavoráveis que me ferem ou que me impedem de me desenvolver plenamente.

Aprendemos na relação com os filhos a nos relacionarmos conosco, nos conhecemos através deles. Para dar é preciso ter, para servir de exemplo é preciso ser.    

Feliz Dia das Mães a todos nós, mães e filhos. Todos podemos ser “mães” em um sentido maior, e somos todos filhos no sentido comum. Que esse exercício da maternidade nos proteja da mediocridade, do ensimesmamento, do abandono e do egoísmo!

Você já cuidou de si mesma hoje?

Hoje, resolvi me desfazer de boa parte das minhas plantas. Motivo: cansei de cuidar.

Tenho tido preguiça de regar as coitadinhas e, de verdade, ninguém merece passar sede. Gosto demais de tudo o que vive para fazer parte daqueles que descuidam. Meus maiores vasos serão transferidos para o jardim de meu prédio, onde serão devidamente tratados e ficarei feliz por eles.

Parece incrível, mas tudo tem pesado na minha rotina. Cadê aquela vida desocupada, engraçada, cheia de imprevistos gostosos? Pois é, o cuidar acabou com ela.

Tenho as obrigações do trabalho, que embora sejam interessantes, são deveres. Além disso, como não tenho mais empregada, cuido da casa, das compras, da comida, da organização, de tudo.  Cuido de meu filho e de meus pais. Cuido da minha cadela. Não é desagradável, todos são seres lindos que eu amo, mas a responsabilidade está lá. E de repente, onde está a diversão?

Por que, e sobretudo, como ficou tudo tão “sério”? Meu marido discute sobre política diariamente. Eu, de verdade, quero esquecer que moro neste país maluco, esquecer a Síria, o Trump e a Coréia do Norte. Tenho certeza de que tem gente normal no planeta. Certeza!

Aí, escolho ver documentários que me mostram isso: um planeta magnífico, pessoas que são decentes e atuantes, que vivem no reino da bondade. É para lá que eu quero ir. Como é que se faz?

Mas, tem tanta coisa (gente, bicho, planta) que depende de mim! Aí, ficamos assim: eu relego minhas escolhas prazerosas para outro dia, porque algo ou alguém precisa da minha ação responsável agora. E assim, vamos levando. Fica a pergunta: será que não assumo coisas demais por estar habituada a colocar meus sonhos em segundo (terceiro, quarto, quinto…) lugar?

Assim, faço para mim mesma a proposta de me dar prioridade, de lembrar que sou a única que pode me fazer feliz. Cuidar de mim, para variar.

Propaganda para as +50′

Parece que finalmente a propaganda está descobrindo as mulheres de +50. Em Orlando – EUA, no início do ano, vi esta vitrine em uma loja de artigos esportivos no Mall at Millenia:

O poster é a imagem de uma senhorinha em posição de yoga.
 
E hoje vi esta vitrine da C&A também se utilizando de uma mulher madura para sua propaganda:
[também fiz minha primeira tatuagem aos 50′, hihiiii]
 
Ela está usando uma jaqueta bomber bordada que está no manequim na mesma vitrine (repare na primeira foto).
A mensagem, tanto aqui quanto na exposta nos Estados Unidos, é a mesma: nossa loja tem produtos que vestem quem passou dos 50.
 
Apoio 100% a iniciativa. Tomara que isso não seja somente publicidade vazia e que realmente possamos cada vez mais encontrar peças que nos atendam na maioria das lojas.
 .

A passagem do tempo

Por mais que sejamos mulheres vaidosas, bem cuidadas, atentas à saúde, chega um determinado momento da vida em que o tempo começa a mostrar os sinais da sua passagem. A lei da gravidade é implacável: a pele fica flácida, a musculatura perde o contorno, o famoso “bigode chinês” se faz visível. A textura e o volume do cabelo sofrem modificações, o aspecto da pele também. Mãos, pés, pescoço, abdômen, tudo ganha uma aparência diferente daquela que estávamos acostumadas a observar. Um dia você levanta, se olha no espelho e se estranha… essa sou eu?

Essa constatação não é fácil nem simples, muito menos indolor. Dentro de uma sociedade que valoriza a juventude e a aparência, fica difícil envelhecer. E por essa razão, muitas de nós se perdem dentro do labirinto da ilusão de rejuvenescer a qualquer custo, caindo no conto do vigário de produtos milagrosos que prometem aparência de 20 anos para quem já está beirando os 50 ou 60… procedimentos invasivos justificados pela busca do corpo perfeito!

Vamos parar para pensar, o que estamos fazendo com a nossa estória de vida? Uma coisa é ser mulher e ser vaidosa, o que eu considero totalmente válido; eu, pessoalmente, sou bastante vaidosa, adoro um cabelo bem cuidado, a pele tratada, um bom perfume, uma roupa que valoriza meu corpo. Admiro mulheres que envelhecem e não deixam de lado o cuidado que sempre tiveram em relação a si mesmas, até porque parece não fazer nenhum sentido abrir mão da beleza e do bem estar só porque não se tem mais 20 anos! Mas outra coisa é ficar enlouquecida atrás de tentativas inúteis e enganosas para tentar manter a mesma aparência de antes!!

 

A menina de 20 anos que eu fui está dentro de mim, mas não sou mais ela, é só uma parte entre outras tantas. Foi superada por outras mulheres que vieram depois e viveram outras estórias, descobriram e exploraram outros universos, mais complexos e desafiadores. A cada momento surge outra mulher que agrega, soma, completa, destitui, questiona, descobre, se encanta e se desencanta, desconstrói e constrói outra coisa. A cada volta que eu dou na espiral da vida, desperta um “eu” diferente, e esse eu tem outro rosto, outro cheiro, outro olhar, outra maneira de seduzir e deixar-se seduzir.

E sabe de uma coisa? O melhor disso tudo é poder transformar-se, metamorfosear-se feito uma camaleoa, como bem cantou Caetano. Então, qual o valor de manter a mesma aparência se já não somos mais a mesma pessoa?

E nesse momento vem na minha cabeça a lucidez e a sensibilidade de Adélia Prado no seu livro inspirado e inspirador, “Erótica é a Alma”. Vou reproduzir abaixo um pequeno trecho que deveríamos colar na porta da geladeira, no espelho do banheiro, como um lembrete ou uma bússola a nos guiar nas noites escuras do medo:

“Erótica é a alma que se diverte, que se perdoa, que ri de si mesma e faz as pazes com sua história. Que usa a espontaneidade para ser sensual, que se despe de preconceitos, intolerância, desafetos. Erótica é a alma que aceita a passagem do tempo com leveza e conserva o bom humor apesar dos vincos em torno dos olhos e o código de barras acima dos lábios. Erótica é a alma que não esconde seus defeitos, que não se culpa pela passagem do tempo. Erótica é a alma que aceita suas dores, atravessa seu deserto e ama sem pudores. Aprenda: bisturi algum vai dar conta do buraco de uma alma negligenciada anos a fio.”

Pois bem, que possamos cuidar da alma mais do que cuidamos do corpo, porque é ela, nossa essência e estrutura, que quanto mais velha, melhor fica!!