A jaqueta perfecto perfeita

Apesar de viver perseguindo um estilo rocker, por algum motivo (acomodação?) muitas das minhas roupas beiram o clássico. Adoro jaquetas, especialmente as de couro, porém as que estão no meu guarda-roupa têm corte blazer. Uma perfecto preta sempre foi um desejo inalcançável: nunca consegui uma com as ferragens do jeito que gosto, sem gola e sem que os ombros ficassem enormes e desproporcionais.

E eis que finalmente, num passeio descompromissado ao Shopping JK, encontrei a perfecto perfeita! Ferragens lindas, gola padre, tamanho de acordo, um forro lindíssimo (adoro detalhes!). A peça é da Animale (à venda também na Farfetch).

(Desconsidere essa gola de pelos HORRÍVEL – embaixo dela tem uma golinha de couro ideal).

Este post é só para lembrá-la que mesmo quando algo que você quer muito lhe pareça difícil, não dá para desanimar: existe a possibilidade real de um dia você encontrar o que é tudo que sempre quis, aquilo que vai falar diretamente com seu estilo.

E posso lhe dizer? Estou mega feliz com meu achado!!!


E então, o que te faz feliz?

Embora o título possa te remeter a propaganda de algum supermercado não é disso que se trata esta postagem. Na verdade tenho refletido sobre o assunto e me deu vontade de fazer algumas considerações: já parou para pensar o que é, para você, felicidade?

A maioria de nós tem por hábito colocar a felicidade ou no passado ou no futuro. Quando a colocamos no passado nos tornamos saudosistas e criamos um tanto de melancolia em relação ao que vivemos em algum momento e que não mais pode ser reeditado. Sentir gratidão pelo que foi vivido é essencial e saudável, mas querer “morar” nas lembranças é tentar construir uma casa no ar.

Quando a colocamos no tempo futuro tão pouco somos capazes de alcançá-la, ela está em algum lugar idealizado e distante de nós. E é muito curioso a facilidade que temos em transitar por pensamentos que vão desde “naquela época, naquele dia, naquele lugar eu fui feliz” até os que alimentamos tais como “quando eu for, quando eu conseguir, quando eu puder, eu serei feliz”.

E o presente, o aqui e o agora, o que fazemos com ele? O que fazemos com esta possibilidade real e atual de vida? Bem, se não estamos presentes para vivê-lo fica complicado. Se estivermos ocupados demais com as lembranças de um lado e as projeções do outro deixamos escapar justamente o que mais desejamos, a tal da felicidade. Porque ela, essa criança inquieta, provavelmente não tem uma forma definida, nem uma cor única ou um aroma determinado. Ela é uma composição de várias nuances, um filtro interno e individual através do qual cada um percebe o mundo. Felicidade talvez seja predisposição para o belo, o possível, a intensidade, a alegria. Também pode ser paz, consciência, generosidade, mansidão. Para mim não há felicidade sem amor no coração e amigos na proximidade. Mas ouvir uma boa música, deixar-se encantar por um bom livro, saborear um café gostoso, cair na risada, rir de si mesmo, rir para si mesmo, acaso não são tonalidades da felicidade?

E isso tudo e muito mais estão absolutamente disponíveis no momento presente. A ducha quentinha em um dia frio está dentro do seu banheiro, aquele por de sol maravilhoso está no final de muitas tardes, o amigo distante pode ficar próximo com um gesto seu, o filho agressivo pode se desarmar com um abraço. Isso sem falar de um beijo gostoso, de um olhar expressivo, de um carinho no coração.

E então, o que é que te faz feliz? E o que você pode fazer hoje, aqui e agora, para sentir-se feliz? Mãos a obra, a hora é já.

“A Gata do Dalai Lama” e “A Arte de Ronronar”

 

Se você, como eu, está cansado de ouvir que o mundo está caótico e que o comportamento humano é desalentador, esses dois romances de David Michie são para você.

Através dos olhos da simpática gata protagonista nos é apresentada uma outra realidade: compaixão e compreensão reinam soberanas no reino do Dalai Lama. Quero mudar para lá!

Os dois livros são leves, mas não superficiais. Os conceitos do budismo são transmitidos através de histórias e eventos cotidianos da vida de pessoas comuns. A possibilidade de autotransformação, de redenção, é sempre presente.

A leitura é fácil e agradável. Após terminar os livros, fica o sentimento de esperança e a vontade de agir mais amorosamente. As palavras do autor, na primeira página do livro “A Gata do Dalai Lama”, se tornaram um mantra para mim:

“Que todos os seres alcancem a felicidade e todas as causas verdadeiras da felicidade.
Que todos os seres se libertem do sofrimento e de todas as causas verdadeiras do sofrimento.”

Que assim seja!

Doudoune – ou, Tudo igual

Gosto de moda, me inteiro das novidades via sites e blogs, visito lojas. Mas sabe que às vezes rola uma unanimidade em moda que dá canseira? Quer mais que os oxfords prateados? Quem ainda aguenta ver isso por todo lado?

A última tendência que está bombando é a dos casacos doudoune [/du.dun/]. São aquelas parkas acolchoadas, em gomos, que devem ser ótimas para o invernão.

Aqui em SP não faz tanto frio e, no entanto, este domingo no Shopping Vila Olímpia só dava esse casaco. Ou o colete no mesmo estilo. Cansei de ver. Será mesmo que faz sentido tanta gente usando a mesma coisa? Cadê individualidade?

Um pouco de moda a gente tem que seguir, afinal, ninguém quer parecer perdida no tempo. Os jeans estão mais curtos, ou mais largos? Bom saber. Só usar um tipo de jaqueta? Acho que não…

 

Feministas e feminino

Que o mundo é machista todas sabemos, e grande parte dessa responsabilidade é nossa, de mães que criam seus filhos e filhas ainda dentro desse modelo. Que precisamos desconstruir esse viés é claro para todas nós, e as feministas são fruto dessa necessidade de encerrar um longo e tenebroso ciclo de submissão e desvalorização do feminino. Que é imprescindível que as mulheres reajam e rejeitem o lugar de “presas”, tanto no sentido da dominação sexual quanto da restrição à liberdade, também é evidente. Mas às vezes me preocupa a maneira como isso ocorre, principalmente entre mulheres jovens.

Generalizações são enganosas e não estou aqui para generalizar, absolutamente não. Mas a observação dos acontecimentos através do tempo desenha uma imagem mais definida a respeito de como as coisas acontecem.

Infelizmente a história da humanidade neste planeta foi e continua sendo escrita através de conflitos e disputas intermináveis, de cabos de guerra que em nada lembram a brincadeira de crianças, mas que, pelo contrário, têm como objetivo nomear quem triunfa de um lado da corda e quem sucumbe do outro. Ao grupo que triunfa, a glória! Ao grupo que sucumbe, o menosprezo. E entre vencedores e derrotados, fortes e fracos, superiores e inferiores, nobres e plebeus, homens e mulheres, conseguimos construir uma realidade polarizada entre “o bem e o mal”.

Ao longo dos séculos as mulheres vem lutando para acabar com esse jogo perverso, e buscam pelo despertar do seu poder pessoal, a força do feminino que reside em todas nós, no interior do nosso ser. Mas justamente o poder do feminino reside nos atributos e qualidades próprios de sua natureza, que são, portanto, diferentes dos atributos masculinos.

Manter o cabo de guerra e só trocar de lugar, passar para o lado de quem representa a força e tentar derrotar o masculino, pode até ser tentador em um primeiro momento, mas passa longe de ser uma solução. Substituir um discurso de ódio por outro é manter a ignorância como aspecto catalisador das relações humanas.

Há vários grupos feministas nas redes sociais; alguns são muito úteis, circulam informações importantes e sugerem reflexões pertinentes às mudanças que desejamos fazer no mundo. Outros, entretanto, parecem incorporar a irracionalidade que permeou a história, parecem sugerir uma “caça às bruxas” ao contrário, já que adotam um discurso preconceituoso em relação ao universo masculino e seus representantes.

Há que se tomar cuidado para não cair na armadilha de trocar de papéis e manter o mesmo enredo, de fazer uso das mesmas armas que condenamos o tempo todo. A questão não é de gênero, mas de quem somos e do que estamos fazendo aqui enquanto seres humanos encarnados em aparatos femininos e masculinos.

Homens não são superiores as mulheres, mulheres não são melhores que os homens. Cada um está inserido dentro de um arquétipo e de um corpo físico, e através deles experimentamos a vida e exercitamos a ampliação da consciência e da compreensão do que viemos fazer aqui.

Ou crescemos juntos e damos um salto quântico na espiral da vida, ou afundamos juntos, o que seria um lamentável desperdício de tempo e oportunidade.