Desinteressante?

Passeio no domingo chuvoso pelo Shopping. Coisa típica de paulistano. Tomar um café, andar um pouco, olhar vitrines distraidamente, olhar as pessoas. Você já reparou? Algumas estão lá. Outras… nem tanto. Há tantos olhos vazios.

Lembrei de Don Juan, xamã mexicano que diz a Castaneda que as pessoas nas cidades caminham com pressa como se estivessem buscando algo. “Parece que estão loucas.”

A ausência no momento presente é um tipo de loucura. É fácil desprezar o que se tem no presente, é fácil viver as obrigações do cotidiano como um meio para um fim, como uma etapa a ser vencida antes do enfim, finalmente, instante de prazer: chegar em casa, encontrar seu amor, abraçar os filhos, tomar um café com uma amiga, rir um pouco…

Mas o fato de viver tantos pedaços de vida meio roboticamente vai nos tornando exatamente isso: programados para postergar, adormecidos.

Hoje vi tantos casais autômatos no meu curto passeio. Desprovidos de vida, desligados, andando sem alegria, matando o tempo.
Matando o Tempo? Pois não é o tempo o nosso maior bem? Não é o tempo que nos iguala a todos, pois temos todos as mesmas democráticas 24 horas? E não é a forma como as empregamos que nos diferencia, que nos permite ser felizes e criativos ou… não?

Se ficarmos amortecidos, desligados do entorno, habitando um lugar melancólico e indefinível, que é nossa mente, perdidos em pensamentos repetitivos, como ficará a vida? Desinteressante?

Assim, fica aqui uma sugestão, aprendida com Eckhart Tolle: abra-se para seus Sentidos. Onde quer que esteja, observe as cores, sinta os cheiros, deguste os sabores, ouça com atenção, toque com amor. A atenção às sensações desliga aquela vozinha incessante da mente e quase magicamente nos conecta ao mundo. Mantenha os sentidos ligados e o coração aberto. Dê boas-vindas à Vida, a cada dia!

Autor: Marise Toschi

Professora e tradutora de Francês, instrutora de Being Energy. Buscadora, praticante de yoga, meditação, estudiosa de tarô e astrologia. Com +50, casada, um filho e uma cachorra mimada. Escrevo às quintas-feiras sobre espiritualidade, corpo e comportamento.

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