Feministas e feminino

Que o mundo é machista todas sabemos, e grande parte dessa responsabilidade é nossa, de mães que criam seus filhos e filhas ainda dentro desse modelo. Que precisamos desconstruir esse viés é claro para todas nós, e as feministas são fruto dessa necessidade de encerrar um longo e tenebroso ciclo de submissão e desvalorização do feminino. Que é imprescindível que as mulheres reajam e rejeitem o lugar de “presas”, tanto no sentido da dominação sexual quanto da restrição à liberdade, também é evidente. Mas às vezes me preocupa a maneira como isso ocorre, principalmente entre mulheres jovens.

Generalizações são enganosas e não estou aqui para generalizar, absolutamente não. Mas a observação dos acontecimentos através do tempo desenha uma imagem mais definida a respeito de como as coisas acontecem.

Infelizmente a história da humanidade neste planeta foi e continua sendo escrita através de conflitos e disputas intermináveis, de cabos de guerra que em nada lembram a brincadeira de crianças, mas que, pelo contrário, têm como objetivo nomear quem triunfa de um lado da corda e quem sucumbe do outro. Ao grupo que triunfa, a glória! Ao grupo que sucumbe, o menosprezo. E entre vencedores e derrotados, fortes e fracos, superiores e inferiores, nobres e plebeus, homens e mulheres, conseguimos construir uma realidade polarizada entre “o bem e o mal”.

Ao longo dos séculos as mulheres vem lutando para acabar com esse jogo perverso, e buscam pelo despertar do seu poder pessoal, a força do feminino que reside em todas nós, no interior do nosso ser. Mas justamente o poder do feminino reside nos atributos e qualidades próprios de sua natureza, que são, portanto, diferentes dos atributos masculinos.

Manter o cabo de guerra e só trocar de lugar, passar para o lado de quem representa a força e tentar derrotar o masculino, pode até ser tentador em um primeiro momento, mas passa longe de ser uma solução. Substituir um discurso de ódio por outro é manter a ignorância como aspecto catalisador das relações humanas.

Há vários grupos feministas nas redes sociais; alguns são muito úteis, circulam informações importantes e sugerem reflexões pertinentes às mudanças que desejamos fazer no mundo. Outros, entretanto, parecem incorporar a irracionalidade que permeou a história, parecem sugerir uma “caça às bruxas” ao contrário, já que adotam um discurso preconceituoso em relação ao universo masculino e seus representantes.

Há que se tomar cuidado para não cair na armadilha de trocar de papéis e manter o mesmo enredo, de fazer uso das mesmas armas que condenamos o tempo todo. A questão não é de gênero, mas de quem somos e do que estamos fazendo aqui enquanto seres humanos encarnados em aparatos femininos e masculinos.

Homens não são superiores as mulheres, mulheres não são melhores que os homens. Cada um está inserido dentro de um arquétipo e de um corpo físico, e através deles experimentamos a vida e exercitamos a ampliação da consciência e da compreensão do que viemos fazer aqui.

Ou crescemos juntos e damos um salto quântico na espiral da vida, ou afundamos juntos, o que seria um lamentável desperdício de tempo e oportunidade.

Autor: Ana Amorim

Psicóloga Clinica, Terapeuta, eterna curiosa e aprendiz de assuntos metafísicos. Escrevo todos os domingos sobre Comportamento.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *