Equinócio da Primavera

Na sexta passada, dia 22, o Sol entrou no signo de Libra e anunciou o equinócio da Primavera aqui no hemisfério Sul, e o de Outono no hemisfério Norte. Equinócios acontecem duas vezes por ano, em março e setembro, e marcam o momento em que o Sol incide com maior intensidade sobre as regiões que estão próximas à linha do Equador. Com a passagem do Sol no meio da Terra,os dois hemisférios do nosso planeta recebem a mesma quantidade de luz, o que faz com que o dia e a noite tenham a mesma duração, exatamente 12 horas.

Para nós é Primavera, e a natureza já assinala o início de um novo ciclo; as árvores já estão cobertas de folhas e algumas começam a florescer; mais um pouco, estarão completamente floridas.

A passagem das estações e as mudanças que provocam na natureza nos mostram tudo que precisamos aprender. A vida acontece em ciclos, e cada um deles traz uma dimensão da manifestação da energia vital. Na Primavera o tom é dado pela energia da renovação.

As árvores, que viveram sua plenitude no Verão, permitiram desfolhar-se no Outono, deixam suas folhas secas desprenderem-se, nos ensinando que nada é eterno, e que é preciso aprender a trabalhar o desapego. No Inverno tornaram-se silenciosas, discretas, como se voltassem para dentro de si mesmas, e manifestam a beleza na força da resistência. Agora, voltam a florir, renascem, renovam-se, tornam-se exuberantes e explodem nas cores das flores e nos sabores dos frutos.

Viver e morrer, renascer, esse é o movimento de todos nós que ainda estamos presos à Roda do Samsara, ao fluxo contínuo de vida e morte, sequência infinita de causa e efeito, sequência dos vários despertares da consciência no transcorrer da vida. Assim como as estações, repetimos o longo percurso da aprendizagem até o momento da iluminação, do insight maior que nos permitirá compreender o propósito da nossa existência, trazendo a possibilidade de romper com o ciclo das repetições e construir um novo modelo.

Que da Primavera possamos aprender a necessidade da renovação, da busca da beleza e da alegria, do erguer-se após cada queda, do brotar após cada poda. Que possamos plantar as sementes do novo sonho, regá-las com entusiasmo e perseverança, acreditar que tudo que vivemos pode transformar-se em instrumento de mudanças.

Adoro Cecilia Meireles:

“Aprendi com as primaveras a deixar-me cortar e a voltar sempre inteira.”

Que assim seja com todas nós!

Autor: Ana Amorim

Psicóloga Clinica, Terapeuta, eterna curiosa e aprendiz de assuntos metafísicos. Escrevo todos os domingos sobre Comportamento.

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