Sandálias para o Verão

Tatiana Loureiro é uma marca de calçados que acompanho há tempos. Sua especialidade inicial eram as sapatilhas: extremamente bem feitas, com materiais de primeira e costuras à mão, eram confortáveis e referência para todo mundo que amava sapatos baixos.

De um tempo para cá, porém, a shoemaker alterou sua vocação primária e começou a criar modelos com saltos altos. Tenho que confessar que fiquei bem triste com a mudança, já que sou fervorosa adepta de suas sapatilhinhas.

Continuo acompanhando sua trajetória e criações, e ela não tem parado de buscar novos rumos. Vocês lembram da parceria Tatiana Loureiro + Joulik, que foi lançada em 15 de setembro p.p.?

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E agora, para o Verão, criou esta sandália com bolinhas que é uma coisa  linda, bem diferente dos modelos habituais que se repetem todo ano.

Não são tachas nem meia-esferas, como já vi em outros sapatos: são bolinhas inteiras formando um cordão na tira frontal da sandália.

Também se apaixonou? No site da marca há três cores (nude, amarelo ou azul marinho) e custa R$350.

Também gostei destas rasteiras delicadas e sinuosas, incomparavelmente mais bonitas que as que imitam uma cobrinha, sabem quais?

Essa verde não está incrível?? Rasteira Cristais, valor R$420 (link)

Acabei por comprar a sandália acima para mim, que tem uma pegada mais pesada, mais rocker. Tem saltinho pequeno, totalmente viável para quem gosta de sapatos baixos. Essa cor é “aço” e as bolinhas são prateadas (R$530 – link). Há a opção de entrega em um dia que, lógico, foi a que eu escolhi.

Conclusão: Vale conhecer os calçados. O preço é salgado, mas a qualidade e o conforto compensam. A marca chegou a ter lojas em três shoppings de SP, mas atualmente só mantém a do Shopping Iguatemi. #recomendo

Ah! E é bom lembrar que este post não é patrocinado. Quando elogio ou escolho escrever sobre uma marca, o que vocês leem é exatamente o que penso.

A ilusão da imagem perfeita

Na França foi aprovada uma lei que obriga que todas as fotos que tenham sido manipuladas tragam a inscrição “fotografia retocada”. Segundo o Ministério de Saúde francês, o objetivo é evitar a promoção da beleza inacessível. As imagens não reais mexem com a auto estima da população e propiciam sentimentos de desaprovação em relação ao próprio corpo, o que pode induzir muitos jovens a desenvolverem transtornos graves como bulimia e anorexia.

Até que enfim começa um movimento no sentido de quebrar com a idealização do corpo perfeito, veiculado como real, forjado para promover o consumismo, e introjetado por todos nós como padrão a ser seguido se desejamos aprovação, reconhecimento, amor e sucesso.

Não pensem que essa busca da perfeição restringe-se às jovens mulheres; de alguma maneira todas nós perseguimos o ideal do peso e aparência perfeitos no decorrer da vida, e ainda hoje essa cultura machista e interesseira está arraigada no inconsciente coletivo. Quantas vezes sentimos vergonha de usar um biquíni na praia, uma saia mais curta, um decote ou blusa cavada por não podermos mais exibir aquele corpo durinho e com tudo em cima? Quantas vezes abrimos mão de um programa gostoso porque estamos mais “cheinhas” e queremos evitar aquilo que consideramos uma exposição da nossa imagem?

Pois é, triste constatar que é tão difícil nos livrarmos das manipulações e adestramentos da cultura na qual estamos inseridas. Triste também ver que quase todos os comerciais veiculados nas diversas mídias exibem apenas mulheres jovens divertindo-se e aparentando felicidade. Qual a mensagem subliminar que fica para nós? Que a única fase boa e valorizada da vida é a juventude? Que a possibilidade de ser feliz tem relação com o ano em que você nasceu?? Que só os jovens, sejam mulheres ou homens, têm o direito de divertirem-se, apaixonarem-se, aventurarem-se sem parecerem ridículos? Até quando ficaremos algemados à preocupação com a imagem?

Continuo acreditando que um dos grandes benefícios da maturidade é a possibilidade da percepção rasa transformar-se em uma percepção mais profunda e abrangente, consequência do que foi vivido e aprendido no decorrer dos anos. É claro que essa mudança não acontece automaticamente porque envelhecemos, e ela só é possível quando topamos fazer uma reforma interior.

Quando despertamos para a constatação de que o mundo, tal qual o conhecemos, é uma bolha soprada por inúmeros interesses político-financeiros, que nos enreda na ilusão de ser real. Que o real é o que trazemos dentro de nós, e que a preocupação com a expansão da consciência deveria ser maior do que com os quilos apontados pela balança.

A medida entre o saudável e o exagero da preocupação com o corpo, o direito de vestir o que se deseja e a harmonia da roupa com as formas de cada uma, é dada pelo bom senso.

Há um proverbio chinês que diz que se você pode se ocupar tanto em arrumar o cabelo, também pode se ocupar em arrumar o coração!                      

Que tal uma faxina nos sentimentos e emoções que carregamos, que muitas vezes nos deixam tão pesadas? E também uma boa revisão nos conceitos adquiridos, nas prioridades estabelecidas, no que realmente importa? Não sei se vamos emagrecer, mas certamente nos tornaremos mais leves, livres e soltas…

O Mundo à disposição

Há alguns anos, tive um sonho muito curioso. Eu estava no alto de uma montanha da qual se descortinava um panorama impressionante: uma imensa cordilheira, vales em vários tons de verdes, um rio que avançava por entre as matas e um céu de luminosidade impressionante. Ao meu lado, um guerreiro indígena de estatura elevada contemplava a vista. 
-“É maravilhoso”. disse eu.
-“É. E eu me pergunto porque você ainda escolhe viver a vida como formiga…”

Perto de mim, havia um formigueiro e eu podia observar a diligente ação dessas criaturinhas entrando e saindo, cumprindo sua ação de sobrevivência. Olhei para ele esperando uma explicação.

_”Diante de tudo isso, de todo esse universo você ainda escolhe se preocupar com o infinitamente pequeno. Suas minúsculas preocupações cotidianas ocupam todo o seu pensamento e você simplesmente não vê o MUNDO que está a sua volta. Entra no formigueiro e não enxerga mais nada. Vive vida de formiga. Mas, a beleza, a grandeza e as possibilidades continuam aqui. Esperando. 
_”Não há limites.” continuou ele. “Os limites são ilusórios. Livre-se deles, enxergue e viva a vida.”

O mundo é realmente fantástico, mas é fácil se esquecer disso. A rotina vai tirando o brilho das coisas e, sem nos darmos conta, começamos a agir automaticamente,  sem alma. Como fazer, então ? É preciso lembrar de levantar a cabeça todos os dias e olhar a vastidão que nos cerca, o mundo de possibilidades. Esquecer um pouco as “preocupações de formiga” que costumam ocupar a mente e fixar o olhar na beleza do horizonte, permanentemente esperando por nós.

O desafio ’10 peças, 10 looks, 10 dias’

Quem me conhece sabe que eu sou a louca por Moda que tem um namoro tumultuado com o Minimalismo. Me seduz a ideia de ter somente o que uso e amo, e de dispensar coisas que ficam guardadas por anos a fio sem utilidade. Já experimentei o armário cápsula por dois meses e foi uma experiência super boa.

  1. O Amor pela Moda e o Minimalismo
  2. Armário cápsula: iniciando Projeto 333
  3. Armário cápsula: como foi o primeiro mês do Projeto
  4. O segundo mês do Armário cápsula

No entanto, volta e meia esqueço como esse exercício foi produtivo, me encanto com as últimas novidades das passarelas e do streetwear e volto às compras e a sub-usar minhas roupas.

Mas, retornando ao título do post, vamos falar do Desafio “10×10”: ele é um projeto idealizado pela blogueira StyleBee em 2015 visando o encorajamento a ser mais criativa com suas roupas durante um mês em que ela se propôs a não fazer compras de vestuário. Ela explica que é essencialmente um micro armário cápsula que funciona por 10 dias, de forma a forçar o uso das roupas em looks de diferentes estilos e de maneiras ainda não testadas.

Pensa bem, você consegue se imaginar usando somente 10 peças do seu closet, escolhidas entre tops, calças e sapatos, durante 10 dias? Olha só como é um empreendimento que exige programação e criatividade!

Veja as escolhas da blogueira Un-Fancy, que também faz esse desafio:

Parece super pouco, não é? Mas realize que são somente 10 dias e você verá que é totalmente viável! Eu acho que faria esse desafio escolhendo 2 partes de baixo, 6 partes de cima e 2 sapatos. Lembrando que bolsas, roupa de dormir e de ginástica estão liberadas. Ah! E uma coisa super importante: escolher bem a paleta de cores para que todos os itens sejam compatíveis entre si.

A vantagem do 10×10 é que sua preparação é mais simples que um armário cápsula para um mês inteiro, e você pode alterar as regras ao seu bel prazer.

E aí? Vamos experimentar??

Das dores nossas de cada dia

Uma amiga fez uma postagem no Facebook que trazia a seguinte frase: “Existem dois tipos de dores no mundo: A dor que te machuca e a dor que te muda”.

Fiquei pensativa, as dores não são todas iguais, não nos ferem de qualquer maneira? Mas depois de refletir um pouco concordei com a colocação feita, há diferenças sim.

As dores que nos machucam talvez sejam aquelas que não compreendemos e, portanto, não aceitamos. Essas nos imobilizam, nos prendem pelo impacto que nos causam e pelas interpretações subjetivas que delas fazemos. Ficam doendo por tempo indeterminado, sempre presentes como se tivessem acabado de acontecer.

Costumamos senti-las como um golpe traiçoeiro que a vida resolveu aplicar em nós; ficamos indignados, muitas vezes nos sentimos injustiçados e perseguidos de alguma forma, como se houvesse alguém (o agente da dor) disposto a nos atacar justamente quando estamos distraídos. E por permanecermos grudados nelas como se tivessem um velcro, não conseguimos mudar. Nos sentimos vítimas e impotentes.

As dores que nos fazem mudar são aquelas que conseguimos compreender de alguma maneira, seja porque percebemos que somos seus cocriadores, seja porque as acolhemos como fazendo parte do jogo da vida. Elas nos entristecem, claro, mas não atuam como âncoras que seguram o barco no mesmo lugar. Pelo contrário, pela possibilidade de aceitá-las e ressignificar o propósito das coisas, acabam funcionando como vento a soprar sobre as nossas velas, nos fazem navegar, nos colocam em movimento pelo vasto oceano da existência.

E movimento é mudança, porque implica em flexibilidade, novas percepções, novos ângulos de visão. Quando mudamos, o mundo se modifica, porque nós permitimos que as transformações aconteçam.

Talvez essas sejam as chamadas dores do crescimento, que nos desafiam na superação de nossas dificuldades e resistências, que nos inspiram a necessidade de nos tornarmos pessoas melhores, mais generosas e mais empáticas. Aprendemos com elas, amadurecemos, expandimos a consciência e evoluímos um pouquinho na escala da vida. À elas, a nossa gratidão!