Jeans e flats

Calças jeans são quase unanimidade na moda – com raríssimas exceções, todo mundo tem ao menos uma no guarda-roupa. Durante um bom tempo acreditei que para nós, 50′, as jeans deveriam ser retas e de cor escura, preferencialmente sem lavagens (desbotados). E, sim, esse é um modelo sem erro, com ele você estará 100% segura de estar corretamente vestida.

Ultimamente estou tentando incluir novos modelos e cores – afinal, não é todo dia que a gente quer segurança, às vezes quer mesmo é ousar. Sobre novas modelagens, esta aqui está sendo muito usada: a barra assimétrica.

Mais curta na frente que atrás, sem acabamento além do corte, uma boa opção para quem vai comprar jeans agora. E é preferencialmente usada com rasteiras, mules e sandálias flats. O que nos leva ao outro tópico deste post: a escolha do pisante.

Mule: esse tipo de sapato é traiçoeiro pois, se não tiver bastante área sobre o peito do pé, vai lhe obrigar a ficar encolhendo os dedos para “segurá-lo” no lugar, o que é totalmente não recomendado por ortopedistas.

Acima, uma Monse, caríssima, que não resisti a colocar aqui porque fiquei apaixonada pela ousadia dessa combinação de cores, materiais e estampas. As mules são quase chinelos, se não tiverem algum item de interessância, vão ficar exatamente como chinelos de quarto.

As acima estão  no site OQVestir, escolhidas por mostrarem estilos e marcas diferentes.

Sandálias: bem mais confortáveis, têm amarração ou tiras no calcanhar, deixando o pisar mais firme. Um pouco de salto é bem vindo, mas nada muito alto – até uns 4 cm estão dentro desta proposta.

Exemplo de interessância: Esta Jacquemus “Les Boutons Sandals” com saltos diferentes. Não é uma ousadia? E uma graça?

Em nosso País, pelo próprio clima, é mais difícil encontrar sandálias fechadas como a acima. E a nomenclatura também é confusa: encontrei mules na seção de sandálias e vice-versa. Vale olhar tudo quando estiver procurando online.

Escolhi aqui as mais fechadas ou com saltos diferentes (achei um bolinha e um quadrado ).

Conselho final: o conhecido é bom, porém, sair da caixinha e buscar novas formas de se expressar, mesmo que somente através da moda, é muito melhor.

Aborto, PEC e retrocesso

Quando você acha que já viu de tudo, vem a surpresa. Quando você acha que já chegamos no fundo do poço, descobre que dá para descer mais. Quando você imagina que os homens sem escrúpulos já mostraram sua cara, percebe que ainda há máscaras por cair. Fala sério, o que é isso que estamos vivendo? Parece que abriram um túnel do tempo que nos leva de volta à Idade Média e todas as suas atrocidades.

Esta semana, 18 deputados do sexo masculino, das bancadas evangélica e católica, aprovaram uma PEC que reforça a proibição do aborto mesmo nos casos de gravidez em consequência de estupro e quando também a interrupção é praticada devido a circunstâncias que colocam a vida da mãe em risco. Qual será a próxima medida? A volta das fogueiras?

Eu poderia partir para uma análise psicológica da situação; poderia questionar qual a condição emocional, dessas mulheres que foram violentadas, de gerar e parir uma criança. Poderia também refletir como essas crianças, concebidas sob o signo da violência e do medo, viriam ao mundo. Como elas sobreviveriam emocional e psiquicamente à rejeição, à raiva, ao horror das mulheres que as estão gerando. E se acaso elas crescessem, como fariam para lidar com a figura de um pai estuprador e de uma mãe vítima de estupro? Como se sentiriam se soubessem que nasceram por uma determinação da lei, e não por uma escolha amorosa?

Sim, eu poderia discorrer sobre tudo isso e muito mais, mas não vou fazê-lo por uma única razão: estou tão indignada que não tenho a isenção profissional suficiente para tratar do assunto. O que eu quero, na verdade, é escancarar a hipocrisia desses indivíduos que se acham em condições éticas e morais de se fantasiarem de guardiões da vida. Que vida? Uma criança nascer sem condições de ser amada, de ser alimentada, de ter família, casa, acesso à saúde, aos estudos, isso é vida? Pra quem, jacaré? Por acaso, na falta de uma estrutura familiar, o Estado cuidará delas?

Por acaso também, alguma dessas ilustres figuras têm ideia do que uma mulher sente ao ser estuprada? E de como se sentirá se engravidar e não puder decidir se tem ou não condições de transformar esse feto em filho? Não, certamente eles não têm a menor ideia. Talvez estejam mais preocupados em subir em seus púlpitos nas missas e cultos dominicais para falar sobre o que não conhecem. Sobre o amor, a compaixão e o perdão. Sobre a generosidade e a empatia. Sobre o direito que cada um de nós tem de fazer suas escolhas.

Acho que desconhecem o poder do feminino, a força que cada mulher traz em seu sangue e em seu coração. A capacidade de resistir a todas as tentativas de aniquilamento e submissão.

Senhores deputados, somos livres. A essência do feminino é a liberdade, nossas almas são aladas e aprendemos, no decorrer da existência, a morrer e a renascer quantas vezes forem necessárias. O direito à escolha não é algo que vem de fora de nós, e que pode ser dado ou tirado, ele nos pertence. Continuaremos escolhendo, a despeito de seus discursos e suas retóricas!

NOTA: Em um movimento que deve mobilizar todo o País, as Mulheres irão às ruas amanhã, 13/nov/2017, para protestar contra a PEC 181.

#PARTICIPE

Os três Gunas

Descobri recentemente a sabedoria hindu dos três Gunas. Encontramos a seguinte explicação no Bhagavad Gita:

“…  Sattva, iluminação, Rajas, atividade, e Tamas, passividade – são os três poderes que nascem da Natureza e prendem o espírito infinito a este mundo finito. Desses três, Sattva, por ser puro e luminoso, possui o som de dar alegria e beatitude à alma livre de pecado e fascinada pela verdade. Rajas, porém, a paixão que cria cobiça, empolga a alma pelo apego às obras. Tamas nasce da ignorância e é causa da auto-ilusão em todas as coisas – um nada que domina o mundo inteiro e liga a alma pela inércia da passividade.”

Os três Gunas – Sattva, Rajas e Tamas – são considerados atributos fundamentais da natureza. Quando estamos na matéria, os três Gunas, presentes em todos os seres vivos, manifestam-se em diferentes combinações, criando a multiplicidade que conhecemos. Mas é apenas o ser humano que pode alterar essa configuração inicial, evoluindo para um padrão mais elevado de consciência, ou… piorando. Olha a responsabilidade!

A predominância de um Guna nos dá características específicas.Tamas é associado à passividade. O sono e a inércia imperam. É a dificuldade de levantar de manhã, de mudar algo na vida, mesmo que isso seja sabidamente ruim para nós mesmos. A visão do mundo é parcial, não há interesse por nada que seja   diferente daquilo que é familiar. Há pouca ação e se alguém fizer o trabalho pelo indivíduo “tamásico”, melhor…

Rajas é associado à ação, à atividade, a uma mente irrequieta. Valoriza suas conquistas, busca recompensa e reconhecimento. Abandona seus esforços quando são demasiados ou não recompensados. Há uma grande preocupação egóica.

Sattva é associado à iluminação. Há compromisso e ação coerentes, mas não há busca por reconhecimento ou recompensa. O fazer é voltado para o Bem, e o objetivo é o contato permanente com a alma. É o estado de felicidade e visão ampla e clara sobre a vida.

Viver em Sattva é me parece um propósito digno de investimento pessoal.

Cada um de nós tem todos esses elementos dentro de si. O interessante é percebermos qual desse Gunas é dominante e qual a consequência disso. E lembrar que temos o poder de evoluir.

 Bem, esse texto apenas cita de forma muito, muuuuuito superficial essa sabedoria profunda. Se você gostou do tema, sugiro este link.

A busca da diversidade

“Corpo bonito” é meramente um padrão estético idealizado pela sociedade dominante, em um certo período de tempo. Nosso tempo atual tem sido muito cruel com as mulheres, mostrando na mídia somente corpos magros e malhados. Vocês às vezes não veem aqueles quadros do Renascimento e se perguntam “por que eu não nasci naquela época?”.

Brincadeiras à parte, graças a muito texto e muita discussão, estamos avançando para a inclusão e aceitação do corpo em todas as suas formas.

É por isso que não entendo como uma grife [Off-White] que está se intitulando “o novo fenômeno fashion ao redor do mundo”, escolhe uma modelo claramente numa das pontas do espectro da normalidade corporal.

Não consigo olhar para essa foto sem sentir desconforto. Tudo que é exagerado é feio…

Vamos combinar: não precisamos e nem devemos ser muito magras para nos sentirmos bem. E não vamos deixar que imagens da mídia nos influencie no que achamos coerente para nossa vida. Já sofremos isso por muitos anos, está mais do que na hora de gritar ‘basta’! Viva a diversidade!

Ancestralidade e revezamento

Nesta semana tivemos o feriado de finados (sempre achei essa designação estranha), ou dia dos mortos (pior ainda). Guardo lembranças da infância em relação a esse dia: meus avós iam ao cemitério depositar flores no jazido da família e algumas vezes eu os acompanhava, não por vontade própria, mas por se tornar um “programa” familiar, embora achasse aquilo tudo muito esquisito e nada convidativo…

Depois, a partir da adolescência, esse feriado tornou-se muito interessante, uma vez que permitia a emenda com dias próximos e garantia uma boa viagem, ou, pelo menos, dias propícios a estar com os amigos, pegar um cineminha, fazer coisas gostosas.

A ideia de aproveitar esse feriado para relaxar permanece até hoje, claro! O que muda com o amadurecimento e a aquisição de conhecimento é a possibilidade de ampliar a compreensão e dar significado a rituais que são repetidos automaticamente, esvaziados de sentido, até porque a maneira como nossa cultura os apresenta em nada favorece esse entendimento.

Pra começo de conversa mudaria a nomenclatura para “Dia dos Ancestrais”, e sabem por que? Porque Finados nos remete à morte, ao fim, e a tudo que a ela está associada, como dor, tristeza, finitude e por aí vai. Já a ancestralidade nos remete à ideia de um fio contínuo de vida, passado de geração em geração, cuja metáfora mais próxima parece ser a da corrida de revezamento, aquela onde os atletas correm carregando um bastão até certo ponto, e aí passam o bastão para outro atleta que continua a corrida.

Fui ler sobre a história da corrida de revezamento e descobri que na antiga Grécia, os atletas se revezavam em distâncias definidas carregando uma tocha acesa (o fogo da vida), e então passavam para outro atleta, e assim prosseguiam até chegar ao altar da deusa Atena, onde uma grande fogueira era feita de forma a prestar homenagem à ela. Não é lindo o significado disso?

Nossos ancestrais são todos aqueles que cumpriram o percurso da maratona da existência humana sobre a Terra, carregando a tocha do fogo sagrado da vida. Essa tocha é a herança genética do DNA, que possibilita a construção da forma física com todos os seus desdobramentos. Mas também é o Espírito Universal que anima todas as coisas, a alma do Universo que pulsa em cada ser vivo.

Só estamos aqui hoje graças a todos eles que nos precederam, assim como seremos os ancestrais de nossos predecessores. É a vida como sopro da eternidade que é transmitida através das incontáveis gerações, a fagulha da divindade imortal que carregamos em nós.

Ao honrar a nossos antepassados, honramos nossa vida; e ao fazê-lo, honramos a vida dos que virão depois de nós. O dia 2 de Novembro deveria ser uma data para nos lembrar que a vida não para, não acaba, é energia amorosa pulsante sem começo nem fim. Que as pessoas queridas que se foram apenas mudaram de dimensão, e que continuam vivas em nós. 

À todas elas, as que conhecemos e as que não conhecemos, nossa gratidão por nos permitirem estarmos aqui, experimentando essa aventura incrível que é viver no solo deste planeta!