Carta aberta para 2018

Olá 2018, também conhecido como Ano Novo. É estranho que você “nasça” para nós sem um nome, e seja identificado apenas por um número. Eu não gostaria de ser numerada no lugar de ser nominada, mas talvez você não se importe. Também, nem sei se você existe de fato ou se é apenas uma lenda urbana, feito Papai Noel, Coelhinho da Páscoa e Fada dos Dentes. Ou melhor, uma lenda terrena. Pouco importa, vamos partir do princípio que você existe para quem acredita. Se eu acredito? Humm, não sei ao certo. Estou parecida com aquela criança que escreve uma carta pro Papai Noel e depois encontra debaixo da árvore o mesmo pacote que, dias atrás, viu escondido no armário dos pais. No dia 31 eu uso roupa branca nova, como lentilha, guardo na carteira as sementes de romã e uma folhinha de louro, se estiver na praia pulo as 7 ondas, mas… tenho lá minhas suspeitas. Essas histórias de tempo, calendário, ano velho e ano novo, parecem “contos da carochinha”. Mas tudo bem, não vamos nos prender a isso. Deixe-me prosseguir.

Se você existe, já nasce pesado com a carga de expectativas e de promessas que são depositadas sobre seus ombros. Perdão, sei que não tem ombros e isso não é bullying, entenda como metáfora. Mas vamos combinar que você não chega livre, leve e solto; é esperado que você seja muito melhor e supere seu antecessor em todos os sentidos!!! Algumas pessoas esperam que você traga paz ao mundo, descoberta para a cura de doenças, crescimento econômico, proteção ao meio ambiente, segurança pública, o desfecho de um processo que tramita há anos na justiça, a realização da viagem dos sonhos, a compra do carro novo, o reconhecimento do chefe junto com a merecida promoção, a volta de um amor impossível. Mas, a grande maioria dos seres que habitam neste planeta, espera que você acabe com a fome, a miséria, o desemprego, a violência, a corrupção, a desigualdade social e o preconceito.

Olha só, se eu fosse você dava meia volta e me fingia de morto, mesmo! Como é que nós, em nosso delírio coletivo, podemos esperar que você, que sequer tem nome ou identidade, possa chegar e trazer a solução de todos esses problemas? Nem mesmo o Gênio da Lâmpada Mágica que Aladdin encontrou seria capaz de atender a tantos pedidos. Mas desta vez vou agir diferente, não vou fazer nem pedidos nem promessas. No máximo vou compartilhar minhas intenções para os seus 365 dias. Pretendo me ocupar só com as situações sobre as quais eu possa, de fato, interferir. A paz mundial está fora do meu campo de ação, mas a paz no meu coração depende de mim.

Então eu quero arrebanhar sabedoria para conquistá-la no decorrer dos seus dias e noites. Quero cuidar da minha vida com o reconhecimento de que ela é um precioso presente, e buscar pelo meu bem estar de todas as maneiras possíveis. Cuidar do corpo, das emoções e do espírito. Trabalhar com foco e dedicação para concretizar aspirações verdadeiras. Aprender que as pessoas têm livre arbítrio e aceitar suas idas e vindas. Parar de me preocupar com quem não deseja estar próximo, e me ocupar dos que escolheram, de uma ou outra maneira, compartilhar suas vidas comigo. Aceitar que o momento é o mais importante, que a alegria é colhida no momento presente, assim como a felicidade, o carinho, o companheirismo, a cumplicidade e a amizade. E que cada um de nós é quem constrói o momento. De você, 2018, só quero o tempo. Os dias e as noites, todos os amanheceres e os pores do sol. E aproveitá-lo para viver e ser feliz.

Natal

E então, não parece que foi ontem? Éramos crianças, e a expectativa era grande. No canto da sala a árvore, iluminada e cheia de penduricalhos. Aos pés dela, caixas com laços de fita vermelhos que guardavam segredos; o que será que havia dentro delas, e quais presentes eram os nossos?

Na cozinha o mulherio se agitava, e o som das panelas era incessante. O cheiro dos assados impregnava a casa, entre suores e risadas. Trabalho não faltava às mulheres da família, encarregadas de colocar na mesa a ceia de Natal com sua variedade de pratos. Havia até uma certa disputa, implícita no capricho com que preparavam aquilo que seria servido… Qual prato seria mais elogiado, que sobremesa acabaria primeiro?

Enquanto isso nós, as crianças, corríamos de um lado para o outro feito baratas tontas, em um misto de euforia, ansiedade e um bocadinho de medo… E se Papai Noel não aparecesse? E se ele não trouxesse o presente tão esperado? Será que merecíamos ganhá-lo? Talvez não tivéssemos nos comportado bem o suficiente durante o ano para que nosso pedido fosse atendido. E se acordássemos no meio da noite, bem na hora em que ele estivesse entrando pela janela que tinha ficado aberta, uma vez que não havia chaminés pela cidade? Já pensou o susto de encontrar no escuro o famoso velhinho de barbas brancas? Qual seria nossa reação? E a dele??

Enfim, a hora da ceia. Homens, mulheres e crianças de banho tomado, roupas novas e cabelos arrumados. As cozinheiras foram embora e deram lugar a mulheres perfumadas e enfeitadas. Na mesa comprida as pessoas vão se ajeitando, e todo o ritual da ceia é inaugurado com um brinde ao Natal. As taças são erguidas e vão ao encontro umas das outras, ao som do tilintar dos cristais. Foi dada a largada, é hora da comilança. E lá vamos nós, as crianças, separar todas as passas que sempre ficam junto do arroz quando é Natal. O velho e bom bife é substituído por iguarias mais refinadas, e nem por isso mais gostosas para o paladar infantil. E começa a torcida para que todos comam rápido para que possamos passar para a próxima etapa, muito mais interessante que essa, que é a da troca dos presentes.

Mas de nada adianta a torcida porque eles, os adultos, não param de comer nem de falar. E lá vem as histórias! Lembranças de outros Natais, do que aconteceu de engraçado naquela vez, das pessoas que não estão mais ali, e das pessoas que acabaram de chegar na família. Há quem se emocione, há quem faça graça, há também aquele tio que tomou um pouco de vinho a mais e quase causa um atrito. Ai meu Deus, certas coisas deveriam ser proibidas de serem ditas durante o Natal. Há quem enalteça o valor da família reunida em torno da mesa farta, mas também há aquele que mal disfarça o desconforto por estar ali… Há abraços sinceros e há sorrisos forçados, há alfinetadas que são dadas em tom de brincadeira, e há brincadeiras que são gostosas de serem feitas. Há de tudo um pouco para todos os gostos e desgostos, afinal é Natal!

Bem, talvez nossos Natais não tenham sido exatamente assim, mas, de alguma maneira, se parecem. Talvez hoje não tenhamos mais aquela ansiedade de que ele chegue logo, mas mais uma vez ele chegou. Talvez a mesa posta não seja tão comprida como, um dia, já foi, mas continuamos brindando ao seu redor.

Pouco importa se o Natal não é mais o mesmo, afinal nós também não somos mais os mesmos. A vida é dinâmica e pede por mudanças, reciclagens, renascimentos.

Que o espírito natalino nos inspire a perdoar a nós mesmos e aos outros; a nos reconciliar com a vida e com tudo que nela está inserido. A buscar a felicidade da melhor maneira que pudermos, e a resignificar e aprimorar as relações que estabelecemos.

À vocês, Feliz Natal! Que a noite seja de paz e que o amor pulse com toda sua força no coração dos homens de boa vontade!

4 Rituais para começar 2018 com o pé direito

Por que não praticar algum ritual para iniciar bem o ano? É sempre bom colocar um pouco de energia positiva na vida. Pensando nisso, fiz alguma pesquisa e selecionei quatro rituais que me parecem bem legais:

  • Palavra chave

Tudo começa com uma olhadinha no ano que está acabando e com um breve balanço, pois a partir da consciência do lugar e estado no presente a gente pode fazer melhores escolhas para o ano que começa.

Então, toca a escolher uma palavra chave. Ela é um recurso para ter claro em que direção se quer caminhar. Ela deve nos inspirar a alcançar aquilo que consideramos um estado ideal em nossa vida. Abundância? Liberdade? Amor? Zen?  Escolha algo que ressoe intimamente, sem levar em consideração a opinião de outros.

Encontrou? Ótimo! Deixe a criatividade correr solta e faça um desenho, cole a palavra no armário, faça com que ela esteja visível. A rotina e a correria do dia a dia nos fazem esquecer até as coisas mais fundamentais. E você não quer esquecer o que quer alcançar, certo?

  • Quadro dos desejos

Sabe quando estamos folheando uma revista e de repente damos aquela paradinha, por que algo chamou atenção? Pois é, arranque a página e recorte. Seguindo sua intuição, procure em revistas, imagens, palavras citações e ou frase que inspirem. Espalhe sobre uma superfície plana e perceba o que essas imagens comunicam de especial para você. Você pode reagrupá-las por área de vida (pessoal, profissional, familiar…) ou seguir sua própria inspiração.  

Você pode fazer uma colagem e colocar em um local estratégico para poder ver sempre e para que as imagens e palavras se inscrevam na cabeça e no coração.  

  • Deixe ir !!!

Ritual fácil e eficiente. São necessários: alguns minutos, papel e caneta. Basta escrever o que não nos serve mais, o que queremos largar de vez. Exemplo: ex-marido, quilos, lembranças tristes, emprego chato…

E então, (que maravilha!!), a gente passa o papel na trituradora, ou queima, onde for possível! Que sensação boa! A ideia é parar de arrastar o que não serve mais e eliminar da vida aquilo que nos perturba!

  • Uma carta para você mesma! 

A ideia é escrever para si mesma uma carta e se desejar a realização de todos os sonhos, mesmos os mais loucos. Considere os aspectos pessoais, profissionais, de família, emocionais, financeiros. Nessa carta, você projeta em que situação quer se encontrar daqui a um ano.

Então, coloque essa carta em algum lugar especial, ou peça a alguém para entregá-la a você em dezembro de 2018, que é quando você vai relê-la.

Fiquei curiosa para saber qual será a sensação de rever os sonhos e descobrir o que terá sido conquistado!

Espero que algumas dessas ideias a inspirem e que elas se revelem instrumentos para colocar foco na vida. Vamos “esquentando os motores” para criar sempre o melhor para nós e para aqueles que nos rodeiam!

Que seu Natal seja lindo e que seu coração esteja leve!

Fonte: http://yoopa.ca/psychologie/parent/relations-familiale/quatre-rituels-pour-commencer-la-nouvelle-annee-en-beaute

Tempo de abraços

Virginia Satir é uma psicoterapeuta americana, autora de uma frase que enfatiza como os abraços são importantes na nossa vida. Ela nos diz: “Precisamos de 4 abraços por dia para sobreviver. Precisamos de 8 abraços por dia para nos manter. Precisamos de 12 abraços por dia para crescer.”

Abraçar e ser abraçado vai muito além de proporcionar uma sensação de bem estar e de felicidade. Estudos já comprovaram que os abraços têm o poder de diminuir os batimentos cardíacos e a pressão sanguínea, fortalecer nosso sistema imunológico e equilibrar os níveis de cortisol, que é o hormônio do estresse. Além, evidentemente, de todos os ganhos a nível emocional, como a sensação de ser reconhecido, o que nos torna mais seguros e alegres. Um abraço caloroso é um antídoto eficaz contra os medos, um conforto bem vindo quando estamos vivendo momentos de dor e angústias, um jeito de compartilhar quando estamos celebrando a vida, um escudo que nos protege de sentimentos de solidão.

Se tem uma coisa que esta época promove é a oportunidade de exercitarmos a “terapia do abraço”. O clima festivo, as confraternizações de final de ano, os almoços e jantares com os diferentes grupos de pessoas suscitam o desejo de abraçar. Claro que poderíamos fazer isso sempre, mas parece que nessas datas nos sentimos autorizados a dar e receber um pouco mais de afeto sem correr o risco de parecermos ridículos, piegas, ou qualquer outra coisa que a nossa rigidez e formatação insinue.

Assim sendo… vamos aproveitar! A pele é o maior órgão do nosso corpo, nos permite a relação sensorial com o mundo. Não é por acaso que criamos tantas expressões linguísticas e metafóricas com essa palavra, como sentir na própria pele, é uma questão de pele, e por aí vai. Um bom abraço parece que nos envolve por inteiro, como se toda a pele estivesse sendo tocada. E nesse momento a pele escorre, liquidifica, funde-se com a pele do outro. Dois corpos separados tornam-se um, dois corações entram em compasso e batem ritmados, duas histórias se encontram e se completam.

Vamos abraçar? Abrace pai, mãe, filho. Marido, mulher, namorido, namorada. Abrace o irmão, o sobrinho, os amigos. Os colegas de trabalho, os vizinhos. As pessoas que nos ajudam o ano todo com seu trabalho para que possamos realizar o nosso. A ajudante de casa, a moça do cafezinho. Experimente abraçar também aquela pessoinha que não é tão simpática, e aquele cara chatinho que insiste em incomodar: vamos nos dar uma chance de perceber, durante o abraço, que ele sou eu, e que tantas vezes eu sou ele… Falando nisso, você tem se abraçado? Você tem escorregado as mãos pelo seu corpo e se confortado? Tem desejado coisas boas para você mesmo? Tem se reconhecido?

Pois é, it’s now or never, afinal, o Natal está logo ai. Quer ganhar um presente? Se dê um presente. Quer ser valorizado? Valorize-se. Isso não significa comparar-se aos outros e achar que vale mais, merece mais, ou qualquer outra bobagem. Significa apenas reconhecer-se como uma alma habitando um corpo físico, tendo a oportunidade de encontrar a si mesmo e ao outro, aquele que compartilha conosco dessa grande aventura que é a vida!

“Você pensa e fala demais. Deixe de falar sozinho.”

“- Você fala sozinho demais. Não é só você que faz isso. Nós todos o fazemos. Temos diálogos internos. Pense nisso. Sempre que você está só, o que você faz?

– Converso comigo mesmo.

– Sobre o que conversa consigo?

 – Não sei, sobre qualquer coisa, imagino.

– Vou lhe dizer a respeito de que conversamos conosco. Conversamos sobre nosso mundo. Na verdade, conservamos nosso mundo com nossos diálogos internos.

– Como o fazemos?

– Sempre que terminamos de falar conosco, o mundo está sempre como devia ser. Nós o renovamos, o animamos com vida, o mantemos com nosso diálogo interno. Não é só isso, mas também escolhermos nossos caminhos ao conversarmos conosco. Assim, repetimos as mesmas escolhas várias vezes até o dia da nossa morte, pois ficamos repetindo o mesmo diálogo interno a vida toda, até o fim. Um guerreiro sabe disso e procura parar de falar. Esse é o último item que você tem que aprender se quiser viver como um guerreiro.”

Uma Estranha Realidade”, Carlos Castaneda

Segundo dom Juan, homem de conhecimento, profundo conhecedor da tradição tolteca e mestre de Carlos Castaneda, o diálogo interno é aquilo que conserva nosso mundo da forma com ele é. Embora surpreendente a princípio, a declaração de dom Juan é de uma lucidez cristalina. Pois não vivemos hoje em um mundo onde os problemas psiquiátricos atingiram uma proporção nunca antes vista?

Segundo o neuropsicólogo americano Rick Hanson nosso cérebro capta as experiências negativas com maior intensidade do que as positivas. Assim, se ouvirmos 10 elogios e um crítica durante o mesmo dia, a crítica ficará mais presente no cérebro. E aí, lá vamos nós conversando obsessivamente conosco.

Somos todos meio vítimas do falar incessante da nossa mente, que compulsivamente nos fazer rememorar fatos, ansiar pelo momento seguinte, ou listar tudo o que devemos fazer, ser ou parecer. É quase uma máquina cujo botão para desligar é inexistente.  Nosso diálogo interno vai recriando nosso mundo, repetindo as angústias, reafirmando crenças. Fica a pergunta: Que mundo estamos criando e recriando através dessa mente falante?

E é nesse contexto que meditações, técnicas tais como Mindfulness (atenção plena) começam a ser cada vez mais praticadas, estudadas e respeitadas. Vários hospitais americanos estão utilizando a meditação para prevenir recaídas depressivas e algumas escolas já integraram a prática meditativa como um meio para melhorar a concentração.

Além disso, fiquei agradavelmente surpresa ao saber que o especialista Christophe André apresentou nesta semana, no dia 12, uma conferência sobre a meditação na Assembleia Nacional francesa.

O pensamento criativo, ideias novas, inspiração surgem quando estamos presentes. A fala contínua e repetitiva da mente estressada só causa incômodo. Em vista de tudo isso, deixo as palavras de dom Juan a título de lembrete:

“- Você pensa e fala demais. Deve parar de falar sozinho.”