O tempo

Dezembro chegou, o Natal logo vem, 2018 está quase aterrissando. O que acontece com o tempo que parece passar cada vez mais rápido? Ou, o que acontece conosco, que sentimos como se ele escorresse pelas nossas mãos?

Segundo consta, o tempo na verdade não existe, essa contagem de minutos, horas, dias, meses, anos, é invenção do bicho homem. O Universo respira, vibra, e a natureza se manifesta de acordo com seu ritmo. Tudo acontece quando existe a prontidão; assim florescem as flores, amadurecem os frutos, a onda arrebenta na praia quando ela está preparada para isso. Nós nos afastamos do ritmo natural das coisas, estamos distantes da natureza e, portanto, de nós mesmos.

O que conta agora é o relógio do pulso, do celular, o despertador ao lado da cama. O que conta é o Waze que vai nos mostrar quantos minutos do dia estarão comprometidos para que possamos chegar ao nosso destino. A agenda com as horas lotadas do que precisamos fazer às 14, 15, 16hs… Os compromissos são todos externos, tem o trabalho, a lista do supermercado, a casa para ser cuidada, os filhos que demandam, ou o companheiro, ou os pais, os amigos, os clientes. Já olhei o Facebook? E o Instagram? Respondi os e-mails, as mensagens, os recados da caixa postal? Já paguei as contas, baixei os aplicativos no celular, marquei horário com a manicure? E o almoço com as amigas, está devidamente encaixado e espremido no pouco tempo que disponho para isso?

E depois nos espantamos ao constatar que o tempo voou… como se, vivendo desta maneira, pudesse ser diferente… O tempo voa porque o engolimos com pressa!! Já perdemos de vista seu sabor, sua textura, seus encantos. O consumimos compulsivamente sem perceber, sem qualidade e sem escolhas. Parecemos soldados que marcham repetidamente, automaticamente; não temos estado presentes no tempo presente.

Então ele escorre feito água de chuva, e leva junto, bueiro abaixo, tudo que gostaríamos de ter feito e não fizemos… E ao terminar o ano ficamos com aquela sensação amarga na boca de que desperdiçamos um tempo que não volta mais.

Ainda dá para reverter, vamos nos opor à correria de final de ano!! Vamos olhar para nós mesmas e sentir o que queremos fazer. Comprar só os presentes que de fato desejamos dar, e escolhê-los especialmente para aquela pessoa. Nada de baciada que serve para qualquer um, combinado? Vamos nos libertar dos compromissos de fachada? Dos encontros com pessoas que supostamente são nossos amigos mas nem reconhecemos mais? Vamos nos presentear com aquilo que queremos, seguir as escolhas do coração?

Esteja com você mesma e com as pessoas que têm significado para você. Aproveite este último mês de 2017 e desacelere!!! Vá no sentido oposto da massa e deguste este tempo como quem bebe um vinho de safra especial, guardado para ser aberto naquela ocasião e saboreado com todo prazer!

Autor: Ana Amorim

Psicóloga Clinica, Terapeuta, eterna curiosa e aprendiz de assuntos metafísicos.
Escrevo todos os domingos sobre Comportamento.

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