O que você escolheu ser?

Histórias e mais histórias, contadas ao outro e a nós mesmos. Eu sou assim, sabe? Tenho esse jeito um pouco tosco, um tanto carente, qualquer coisa de dissimulado, vingativo, depressivo, bonzinho, ansioso, e sabe por que? Ah, porque eu venho de uma família que tinha determinado padrão de comportamento, porque na infância eu mudei muito de colégio (ou nunca mudei de colégio), porque eu sofria bullying (ou cometia bullying), porque eu era filho único (ou tinha muitos irmãos), porque meus pais eram super protetores (ou não estavam nem aí comigo), porque eu tinha medo de chuva (ou era o valentão).

Porque eu era alto demais, ou baixo demais, porque eu usava óculos, aparelho nos dentes, ou não usava coisa nenhuma. Porque eu era o melhor aluno da classe, ou o pior, ou o aluno mediano. Porque eu morava em cidade pequena, ou cidade grande. Porque eu passei vergonha (e quem nunca?), porque na adolescência eu tinha muitas espinhas no rosto (ah é, só você?) e etc., etc., etc.

Ou seja, cada um de nós tem muitas histórias para contar, vividas ou imaginadas, pouco importa, até porque o que eu acolho como verdade transforma-se em verdade para mim. Cada um de nós tem suas dores guardadas ou expostas, traumas escondidos debaixo do personagem bem resolvido; cada um de nós, no decorrer da vida, recolheu alegria, felicidade, mágoa e decepções. A tudo isso nominamos “vida”, experiência, aprendizado, crescimento. Mas às vezes, insistimos em responsabilizar o que vivemos, o nosso passado, pelas dificuldades que apresentamos nos dias de hoje: eu sou assim porque aconteceu isto comigo. Será?

 

Jung, psicoterapeuta e psiquiatra, na sua lucidez nos diz:

“Eu não sou o que aconteceu comigo, eu sou o que eu escolhi ser.”

Forte, não é mesmo? Essa afirmação dá uma rasteira na tendência de nos colocarmos como vítimas frente às circunstâncias. Acaba com o uso de justificativas externas, diminui o poder do outro sobre mim e incrementa o poder pessoal!

Eu sou o que eu escolhi ser!!! Eu tenho o poder interno de superar minha própria história, de transformá-la em vivências que me permitiram buscar pela minha força, meu aprimoramento como ser humano. Eu trago recursos internos que nem imaginava ter, e os momentos difíceis me fizeram buscar por eles, como quem sai à busca do tesouro perdido. Para alguns esse processo é mais fácil, para outros é mais doloroso, demorado. Mas para todos nós é um processo alquímico possível, o de transformar as dificuldades em oportunidades, as limitações em desafios criativos, os ressentimentos em perdão.

Use e abuse do seu poder pessoal, e seja o que você escolher ser!!

Autor: Ana Amorim

Psicóloga Clinica, Terapeuta, eterna curiosa e aprendiz de assuntos metafísicos. Escrevo todos os domingos sobre Comportamento.

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