A Força do Grupo

Vivemos em uma sociedade onde o individualismo tem grande importância, e ensinamos as nossas crianças, desde cedo, a desenvolverem autonomia e independência. Valorizamos as pessoas que “se viram” por conta própria, que são descoladas, que se colocam como prioridade; não sei se vocês já tiveram a oportunidade de ver, nas redes sociais, cerimônias de casamento que estão sendo feitas onde não existe o casal, mas uma única pessoa que se casa consigo mesma!

Acredito que a maturidade, fruto da experiência adquirida ao longo da vida, abre uma possibilidade de sermos mais cautelosos no julgamento que fazemos a respeito do mundo, e de diminuirmos a distância entre o que considera-se certo e errado.

Eu tenho muita dificuldade atualmente em classificar o comportamento humano dentro dessa categoria, uma vez que isso pressupõe verdades absolutas e conceitos engessados. Entendo que há valores que sustentam, como pilares, a convivência em sociedade, e que nos ajudam a organizar o caos interno e a buscar pelo aprimoramento da condição humana, e esses não têm prazo de validade. Porém, além deles, existem conceitos, definições e interpretações que demandam por revisão constante.

Ontem vivi uma experiência muito interessante; faço parte de um grupo de mulheres que reúnem-se uma vez por mês e têm como proposta trabalhar o feminino em seu aspecto mais sagrado. A cada mês fazemos uma vivência diferente e, após um ano e meio de encontros, estamos cada vez mais afinadas. Desenvolvemos um vínculo de profundo respeito e companheirismo, e vamos descobrindo que a irmandade feminina é poderosa, e que o grupo nos impulsiona a mergulhar em nós mesmas e resgatar o poder pessoal, que por tantas vezes anda esquecido em algum lugar onde não somos capazes de acessá-lo.

A experiência de ontem fez com que nos déssemos conta que a maneira como cada pessoa percebe o mundo é restrita, fruto de um conjunto de crenças herdados da família de origem, dos relacionamentos estabelecidos, do processo de aprendizagem e da “lavagem cerebral” a que somos todos submetidos diariamente, pelo fato de não estarmos despertos. Quando nos fechamos em nossas “verdades”, quando nos colocamos como seres independentes, que prescindem do outro, empobrecemos.

Isso não significa que a autonomia, a capacidade de discriminação, a apropriação de si mesmo não sejam importantes. Mas há uma grande diferença entre estabelecer relações de dependência e estabelecer relações de troca, de compartilhamento.

Os grupos têm uma força incrível, e dependendo do propósito e do uso que se faz dessa força, podemos crescer em consciência e amorosidade. A sensação de pertencimento é uma bênção, e a possibilidade de comungarmos ideias, percepções, emoções com o outro é, sem dúvida, um caminho onde há alegria, apoio mútuo e estímulos variados que nos conduzem a um universo muito mais amplo e rico. O outro sempre representa um aspecto meu que está asilado, um insight que não tive, uma percepção que abre novos horizontes.

É a tal historia, o tópico da era de Aquário para o qual precisamos atentar: “Nenhum de nós é melhor que todos nós, ninguém sozinho é capaz de fazer o que, com o grupo, conseguimos.”

Autor: Ana Amorim

Psicóloga Clinica, Terapeuta, eterna curiosa e aprendiz de assuntos metafísicos. Escrevo todos os domingos sobre Comportamento.

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