“Não podemos ensinar nossas crianças a competir com as máquinas, pois estas são mais inteligentes.”

 Você tem a sensação de não acompanhar o ritmo de mudança que ocorre na tecnologia? É uma situação compartilhada por todos aqueles que são meramente usuários, e não criadores, dos instrumentos, máquinas e recursos que vão progressivamente sendo colocados à nossa disposição: internet das coisas, assistente pessoal, casa inteligente… Enquanto escrevo este texto o que mais já terá sido inventado? Tenho certeza que estou defasada. Toda essa nova infraestrutura altera nossa forma de estar no mundo.

Há algumas semanas, no World Economic Forum em Davos, isso foi debatido. De acordo com o McKinsey Global Institute, robôs poderão ocupar 800 milhões de postos de trabalho por volta de 2030, isto é, dentro de 12 anos. A automação e a inteligência artificial tornarão o trabalho manual e repetitivo obsoleto.  Diante desse quadro, o que fazer?

Passo a palavra para Jack Ma é um dos homens mais ricos e poderosos do mundo, fundador e chefe do Grupo Alibaba, conglomerado tecnológico multinacional.

“Educação é um grande desafio agora. Se nós não mudarmos nossa maneira de ensinar, dentro de 30 anos nós estaremos com um grande problema. A base do que ensinamos se refere aos últimos 200 anos. Nós não podemos ensinar nossas crianças a competir com as máquinas, pois estas são mais inteligentes. Os professores precisam parar de ensinar conhecimento. Temos que ensinar algo único, algo que uma máquina não possa jamais alcançar. Valores, crenças, pensamento independente, trabalho de equipe, atenção e cuidado para com os outros. O conhecimento informativo não pode ensinar isso. Eu acho que nós deveríamos ensinar esportes, música, pintura, arte. Dessa forma, garantir que os seres humanos sejam diferentes. Tudo o que ensinamos deve ser diferente das máquinas. Se uma máquina pode fazer algo melhor do que um ser humano, temos que levar isso em consideração.”

Adorei essas palavras, vindas de alguém que vive em meio à tecnologia. Ele nos diz: vamos lembrar o que nos faz Humanos! Diante do avanço da informática, diante da nossa incapacidade de produzir no mesmo ritmo que as máquinas, temos que lembrar da nossa humanidade, nossa capacidade de nos conectarmos uns aos outros, de sermos solidários, de expressarmos nossas angústias e nossas alegrias através da escrita, da dança, do desenho, da fotografia, da escultura, da culinária, entre outras formas. Lembrarmos da nossa fragilidade e da nossa filosofia. Recordarmos nossa capacidade de sonhar e de sermos únicos. Aquilo que nos distingue das máquinas não está no plano do fazer, mas do Ser. Sejamos!

Autor: Marise Toschi

Professora e tradutora de Francês, instrutora de Being Energy. Buscadora, praticante de yoga, meditação, estudiosa de tarô e astrologia. Com +50, casada, um filho e uma cachorra mimada. Escrevo às quintas-feiras sobre espiritualidade, corpo e comportamento.

Um comentário em ““Não podemos ensinar nossas crianças a competir com as máquinas, pois estas são mais inteligentes.””

  1. Sem dúvida uma opinião interessante. Porém, não podemos criar somente artistas: quem irá programar e consertar as citadas máquinas? E sem o conhecimento da história de nossa evolução, governos correrão o risco de cometer os mesmos erros já feitos por gerações anteriores. Acredito que precisamos de tudo: arte, história, matemática.

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