Aproveite a vida

Mês de março. Já.

Como vivi esses dois primeiros meses do ano? Foram dias em que me senti viva ou apenas repeti o mesmo dia quase 60 vezes?

E os meus mais de 50 anos? Foram anos interessantes, ou me limitei a reeditar um roteiro que havia sido escrito muito antes da minha chegada a este planeta?

Essas são perguntas que merecem ser respondidas honestamente. À medida em que o tempo passa e que avançamos nos anos, elas se tornam ainda mais primordiais. Afinal, estamos na contagem regressiva, certo? E não digo isso com amargura ou com intenção de assustar. Em algum momento, cada um de nós irá embora. Não há novidade nisso. Assim sendo, esse questionamento é essencial: estou aproveitando meus dias, minhas horas, meus minutos, cada instante?

Antes de mais nada, o que significa “aproveitar”? Pois bem, antes, para mim, essa palavra tinha a conotação de me divertir, dançar, rir, estar em companhia agradável. É claro que há momentos especialíssimos na vida, viagens, amor, vivências variadas. Mas, hoje, acho que aproveitar não se limita à diversão. A prova é que estamos cercados de meios para nos distrair: jogos eletrônicos, filmes, séries. É muito simples apertar um botão e desligar o mundo. Mas, isso é estar vivo? Esse estado de conforto aparente diante de uma tela pode abrigar um profundo vazio.

Já me senti viva estudando, dançando sozinha na minha sala, conversando com uma pessoa querida, assistindo aula sobre um tema que me fascinava, vendo um documentário que me fez rever conceitos. E já me senti amortecida no meio de uma festa, por assim dizer, “maravilhosa”. Não é apenas o exterior que conta, o maravilhoso está dentro de nós.

Às vezes, a vida que se apresenta é desafiadora. É assim. O que fazer? Onde fica o “aproveitar” quando há alguém doente na família, quando falta dinheiro, quando algo desconcertante ocorre? Nesse momento, o aproveitar se transforma em aprendizado. Sem fugir e sem desesperar, diante do inevitável, a gente procura absorver toda a lição contida nele. E assim, “aproveita a oportunidade” para crescer.

Gosto da frase de Aldous Huxley:

“Experiência não é o que acontece com um homem; é o que um homem faz com o que lhe acontece.”

 

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Autor: Marise Toschi

Professora e tradutora de Francês, instrutora de Being Energy. Buscadora, praticante de yoga, meditação, estudiosa de tarô e astrologia. Com +50, casada, um filho e uma cachorra mimada. Escrevo às quintas-feiras sobre espiritualidade, corpo e comportamento.

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