Ser Mulher

Esta semana comemorou-se o Dia Internacional da Mulher, e sempre chega alguém com a clássica pergunta: e dia dos homens, não tem? Não, não tem dia dos homens, porque numa sociedade patriarcal e machista os homens estão sempre em evidência, ninguém precisa ser lembrado disso.

Assim como comemora-se o Dia da Mulher, também comemora-se o Dia da Consciência Negra, do Índio, do Orgulho LGBT, enfim, dos grupos que, na célula social, não estão no núcleo e sim na formação periférica. Não pela minoria em número ou produtividade, mas pela formação da estrutura da sociedade. Há quem ainda estranhe essa comparação entre grupos, mas na vida real é isso que acontece. Por mais que estejamos vivendo no século XXI e por mais que tenhamos evoluído nas áreas de Ciências e Tecnologia, ainda beiramos a Pré-História em termos de compreensão do significado de igualdade entre os seres humanos. O ranço patriarcal persiste, e dentro desse contexto ainda não se alcançou uma consciência que permita estabelecer a sociedade toda em uma linha horizontal, onde todas as pessoas sejam vistas e tratadas como iguais, e onde as relações sejam de troca e não de subserviência ou algum derivado do escravagismo. Infelizmente ainda não chegamos lá, e é por essa razão que existem datas que deveriam servir como sinalizadores dos desajustes sociais, mas que também raramente atingem esse objetivo, porque ou transformam-se em feriado ou em dia de fazer uma homenagem duvidosa nas redes sociais.

Aos que criticam ou consideram “mimimi” a questão das mulheres, vale lembrar que as mulheres brancas, de classe média, que vivem em países democratas, desenvolvidos, que tem formação acadêmica, produtivas, financeiramente independentes, sofrem preconceito, violência doméstica, assédio, tem salários inferiores aos homens que ocupam os mesmos cargos e jornadas duplas de trabalho, fora e dentro de casa. E esse é um pequeno grupo de mulheres privilegiadas, se comparadas ao grupo das mulheres em geral. Porque a grande maioria das mulheres vive em condições sub-humanas por este planeta, são mutiladas, assassinadas, escondem o corpo, o cabelo, não têm acesso à educação, não têm o direito de ir e vir, são escravizadas pelos maridos/donos, não têm participação política, não têm voz nem representação, não têm direitos. A elas é proibida a liberdade, nasceram e vivem sem escolhas, são reféns da violência e dos maus tratos, são consideradas inferiores. Sequer podem sonhar em ganhar o mundo, nem desconfiam que existe mundo além das cercas que as contêm.

A luta é pelo reconhecimento e pelo respeito, é uma luta pelo direito de viver, de ser, de conquistar, de se expressar, de sonhar e ter ferramentas para realizar os sonhos. É pela possibilidade de livrar-se de um passado de opressão e violência, de superar a própria historia e de dividir com os homens as oportunidades de usufruir a vida através da evolução, do aprendizado, do ganho de consciência, de todas as melhorias na qualidade de vida. O sonho de uma sociedade com relações justas, dignas, respeitosas e igualitárias é acalentado e gestado no coração e no ventre feminino, cresce cada vez mais à espera de um bom parto!

O atraso em postar não é devido à Autora, e sim à formatadora online, ao que peço desculpas

Autor: Ana Amorim

Psicóloga Clinica, Terapeuta, eterna curiosa e aprendiz de assuntos metafísicos. Escrevo todos os domingos sobre Comportamento.

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