ELAS

Em 1949 Joseph Campbell estabeleceu em livro as etapas da jornada do herói.  Desde então, filmes, livros, ensaios têm sido produzidos sobre o tema.

Mas, e a jornada da heroína? Ela seria diferente? Teria algum aspecto que fosse próprio ao universo feminino?

O jogo ELAS, “A Jornada heróica de Conexão com o Ser”, nasceu desse questionamento.

Convido você a descobrir mais sobre essa viagem fascinaste, através das palavras de uma de suas criadoras, Pá Falcão.

COMO SURGIU O ELAS

O Mito do Herói está presente no nosso inconsciente desde o surgimento do homem, e foi descrito por Joseph Campbell em 1949 em seu livro “O Herói de Mil Faces”. 

Os homens têm experimentado este mito na prática sempre que saem da zona de conforto em busca de algo maior, encontrando inimigos e desafios no caminho. No final acabam retornando para onde vieram, porém com uma nova consciência, “transformados em heróis”. É uma jornada de ampliação da consciência de si mesmos e do mundo que os cerca.

Até o século XX isto foi um caminho essencialmente masculino, e a mulher quase sempre assumiu o papel de coadjuvante, apoiando a jornada do herói de seu homem. O próprio Campbell declarou na década de 50 que o lugar da mulher era em casa, esperando o herói.

Ao final da Segunda Guerra Mundial as mulheres saem de casa e vão ser heroínas, ombro a ombro com os homens. Os movimentos feministas da década de 60 e as sucessivas crises econômicas tornam esse caminho irreversível. Pela primeira vez na humanidade temos uma quantidade grande de mulheres trilhando este caminho. E os passos da Jornada do Herói não se adequam muito a elas.

Na década de 90 a psicóloga Maureen Murdock percebeu que as perdas aconteciam quando a mulher tentava se encaixar no caminho do herói. Percebeu que o caminho feminino é mais sutil e introvertido que o do homem. A partir de pesquisas com suas pacientes, conceituou o modelo do caminho feminino e publicou o livro “The Heroine’s Journey: Woman’s Quest for Wholeness”.

Nele, Murdoch detalha os 11 passos do caminho, e é com base nestes 11 passos que o jogo Elas foi criado.Tanto na jornada do herói quanto da heroína, Campbell e Murdoch contextualizam que a pessoa sai do “mundo real” para o “mundo da fantasia”. Isto combina com o conceito de Johan Huizinga de “círculo mágico”, onde o jogo e a brincadeira nos permitem entrar em estado de fluxo e dar o nosso melhor.

Ambas as jornadas começam com a entrada gradual nesse mundo especial, mas é na hora da internalização da experiência que a energia masculina e feminina exigem diferentes atitudes para desafios que também são diferentes.

Isto não condiciona a Jornada do Herói ou da Heroína aos gêneros masculino e feminino: depende da energia com que a pessoa está vivendo a jornada. Mulheres podem viver a Jornada do Herói e aprender mais sobre a sua energia masculina e homens podem viver a Jornada da Heroína e aprender mais sobre a sua própria energia feminina. O jogo amplia esta conexão interna especial dos participantes ao partir de uma base tríplice: o jogo, a obra de arte que é o tabuleiro em quilt e a criação literária dos mitos.

O jogo, sua beleza, mais a narrativa do mito da deusa fazem com que o jogador compreenda cada fase em seu corpo, emoções e mente, conseguindo se situar e perceber como tem usado suas energias e qualidades.

  Autora: Pá Falcão

Game Designer, especialista em gamification,  com vários jogos desenvolvidos e prêmios internacionais. É conferencista internacional, professora universitária, autora de vários livros. É idealizadora da Gamiifica Mundi .

Autor: Marise Toschi

Professora e tradutora de Francês, instrutora de Being Energy. Buscadora, praticante de yoga, meditação, estudiosa de tarô e astrologia. Com +50, casada, um filho e uma cachorra mimada. Escrevo às quintas-feiras sobre espiritualidade, corpo e comportamento.

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