A hora é agora!

Nós, seres humanos, temos uma dificuldade muito grande em lidar com a finitude, e criamos mecanismos de defesa dos mais variados para não entrar em contato com essa constatação. Um dos mais prejudiciais à nossa felicidade é o de postergar o que queremos de fato fazer, como se tivéssemos a eternidade para realizar nossos sonhos. Costumamos nos encher de obrigações, a lista das tarefas é interminável, e o prazer, via de regra, fica para quando sobrar tempo, ou seja, fica sempre para amanhã.

Quantos livros estão enfileirados na cabeceira da sua cama aguardando o momento de serem lidos? Quantos filmes você se interessou em assistir e continuam na fila de espera? Sabe aquela amiga querida com quem você combinou um almoço, há quanto tempo você não a encontra? E aquela viagem tão desejada, que fica sempre para as próximas férias? Ah, tem também aquele dia de não fazer nada que nunca acontece, o final de semana sem nenhum compromisso que não vem. Quem já não se prometeu um dia de rainha, com Spa, ofurô, massagem, e quem conseguiu cumprir? Até mesmo aquele banho mais demorado, com direito a esfoliante e hidratação é difícil de acontecer.

Não sei de onde tiramos que o sentido da vida está em nos mantermos ocupadas o tempo inteiro, que somos imprescindíveis nas multitarefas que realizamos, que a rotina não pode ser quebrada. Que culpa é essa que carregamos inconscientemente e que nos mantem reféns dos deveres que acreditamos ter?

Fica aqui uma sugestão: dê uma espiadinha no seu passado e perceba o quanto você já fez, já correu, já se desdobrou para tudo e para todos num ritmo acelerado, alucinado. É claro que vai continuar fazendo, mas precisa ser nesse ritmo? Quando é que vai conseguir olhar para você mesma e identificar o que você precisa, o que você quer, como você quer, e se acolher tanto quanto já acolheu os outros?

Reconhecer as nossas necessidades e limitações é um passo importante para mudar a relação com nós mesmas, assim como aprender a respeitar as prioridades, não as que o outro coloca, mas as que de fato identificamos como nossas. Essa história de deixar para depois não sugere um final feliz; o depois está muito longe, em algum lugar difícil de ser alcançado. Tudo o que temos é o aqui e o agora, e este é o melhor momento para viver o que se deseja. O passado é pó e o futuro é bruma, mas o presente está aqui, inteiro, disponível para todas nós!

Autor: Ana Amorim

Psicóloga Clinica, Terapeuta, eterna curiosa e aprendiz de assuntos metafísicos. Escrevo todos os domingos sobre Comportamento.

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