ELAS – A identificação com o masculino

A viagem da heroína começa com uma separação inicial dos valores femininos, buscando reconhecimento e sucesso em uma cultura patriarcal, experimentando a morte espiritual e se voltando para recuperar o poder e o espírito do feminino sagrado. As etapas finais envolvem um reconhecimento da união e do poder da natureza dual para o benefício de toda a humanidade (Murdock, 1990, pp. 4-11). Com base em mitos culturais, Murdock ilustra um modelo de viagem alternativa ao da hegemonia patriarcal. Tornou-se um modelo para romancistas e roteiristas, iluminando a literatura feminista do século XX.

Deuses e deusas são muitas vezes vistos como formas diversas de ser no mundo e a deusa antiga, Juno, simboliza o segundo estágio da Jornada da heroína no jogo ELAS. Esta deusa da civilização romana foi educada pelas Horas. Ao conhecê-la, Júpiter, que era seu irmão, apaixona-se por ela.

Como Juno resistia a seus avanços, Júpiter decidiu aproximar-se por meio de um estratagema. Ele se transforma em um pássaro, parecendo fraco e enregelado. A compassiva Juno o toma nos braços para protegê-lo e aquecê-lo. Júpiter, então, retoma suas feições e violenta Juno, forçando-a assim a aceitar casar-se com ele. Este estágio envolve uma identificação com o masculino, mas não a masculinidade pessoal interna. Pelo contrário, é o masculino patriarcal externo cuja força motriz é o poder. Um indivíduo em uma sociedade patriarcal é levado a buscar o controle sobre si mesmo e os outros em um desejo desumano de perfeição.

A jovem pode ver os homens e o mundo masculino como adulto e se identifica com sua voz masculina interior, seja essa a voz de seu pai, o deus pai, o estabelecimento profissional ou a igreja. Infelizmente, a consciência masculina muitas vezes tenta ajudar o feminino a falar; Salta, interrompe e assume o controle, não esperando que seu corpo conheça sua verdade.

A próxima etapa, como a jornada do herói, é a Estrada dos Ensaios, onde o foco está nas tarefas necessárias para o desenvolvimento do ego. No mundo exterior, a heroína atravessa os mesmos arcos que o herói para alcançar o sucesso. Tudo está orientado para escalar a escada acadêmica ou corporativa, alcançar o prestígio, a posição e a equidade financeira e sentir-se poderoso no mundo.

No entanto, no mundo interior, sua tarefa envolve a superação dos mitos da dependência, da inferioridade feminina ou do déficit de pensamento e do amor romântico. Muitas mulheres foram encorajadas a ser dependentes, a desconsiderar suas necessidades de amor de outrem, proteger outras de seu sucesso e autonomia.

Jogando o ELAS as vivências propostas nos ajudam a fazer essa jornada tocando cada uma das dimensões em que a experimentamos – o corpo, a mente e o espirito. Dessa maneira, podemos identificar como foi que construímos a nós mesmos, nossos paradigmas, a estrutura social e a psíquica. Também nos convida a identificar quais arquétipos temos no nosso mundo interno. São eles os que nos levam a responder de modo automático às demandas da vida, desprovidos de consciência e com a ausência dos poderes do sagrado feminino.

Ao identificá-los, isso nos dá a possibilidade de escolher incorporar esta consciência e poderes e começar a atuar e sentir de forma mais integrada e compassada com nossa porção feminina.

  • Bibliografia
  • Campbell, J. (1949). O herói com mil rostos. Princeton, NJ: Princeton UP.
  • Campbell, J. Entrevista com o autor, Nova York, 15 de setembro de 1981.
  • Murdock, M. (1998). O livro de jornadas da heroína. Boston: Shambhala Pub.
  • Murdock, M. (1990). A jornada da heroína: busca da mulher para a totalidade. Boston: Shambhala Pub.
  • Woodman, M. (1992). Deixando a casa do meu pai: uma jornada para a feminilidade consciente. Boston: Shambhala Pub.
  • Zolbrod, PG (1984). Dine bahane: a história da criação de Navaho. Albuquerque: Novo México Pub.

Texto de Kayala Tannus : Terapeuta holística, conferencista internacional, integrante do Gamifica Mundi.

Autor: Marise Toschi

Professora e tradutora de Francês, instrutora de Being Energy. Buscadora, praticante de yoga, meditação, estudiosa de tarô e astrologia. Com +50, casada, um filho e uma cachorra mimada. Escrevo às quintas-feiras sobre espiritualidade, corpo e comportamento.

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