Sonho: o fio conector com a vida

Você já sonhou hoje? Não estou me referindo aos sonhos noturnos, que acontecem enquanto dormimos, aos sonhos que são mensagens do nosso inconsciente; me refiro à capacidade de sonhar, de desejar algo melhor para nós mesmas. A busca pelo novo, pelo que está além da realidade do cotidiano, aquele algo a mais que faz toda a diferença na qualidade de vida. Muitos confundem o sonho com a utopia, e embora eles tenham semelhança, não representam a mesma coisa. Segundo o dicionário, utopia é um lugar ou estado ideal, de completa harmonia e felicidade entre os indivíduos. Já o sonho é um pontapé inicial no processo de buscar a realização pessoal em algum aspecto da vida; nele estão inseridos a possibilidade de imaginar para além das cercas que nos são impostas e que nós mesmas criamos. Implica em confiança, esperança, determinação e ação. Se não houver ação, o sonho não passa do estágio da fantasia.

Somos muito condicionadas pelo sistema de crenças que rege a sociedade na qual vivemos; essas crenças são restritivas e estão a serviço de manter a humanidade no patamar da subserviência e da limitação. Do tempo de nossas avós para agora, poucas coisas, de fato, mudaram. Do ponto de vista quantitativo, o número é mais expressivo. Mas do ponto de vista qualitativo, temos muito o que sonhar!

Fomos domesticadas a nos contentar com pouco, e esse pouco é visto como se fosse muito. Sobreviver já parece muito, mas não é. A quem basta sobreviver? Depois de passado meio século de existência, não aceito ter apenas superado as dificuldades, ter vencido os obstáculos e ter sobrevivido a todas as dores. Claro que reconheço minha força e sou grata por cada superação, mas isso não é suficiente para eu me aquietar. Continuo sonhando com uma vida feliz, cada vez mais feliz. Não a felicidade utópica, que exclui o conflito, a frustração, as emoções menos nobres. Mas a felicidade possível porque sonhada, a ampliação do bem estar, a intensificação dos momentos felizes, o prazer como algo que está inserido no cotidiano, dividindo o espaço com todo o desconforto que faz parte do jogo da vida.

Essa felicidade não é um presente, mas uma conquista, e depende menos da sorte e mais do afinco em sonhar. Depende do intento, que pode ser compreendido como a energia proveniente do propósito, da vontade de realizar algo, e disso se transformar em uma bússola existencial que vai nortear a emoção, o pensamento e a ação. Sonhar não é para amadores, é coisa de gente grande, de gente que, vira e mexe, resvala na sua essência ou alma, ou como quer que a chamem. De pessoas que começam a desconfiar que o Universo é muito maior do que aprendemos a acreditar, e que nós, criaturas humanas, somos tecidas com o fio do divino, do Criador, e que também podemos criar uma outra realidade, maior e melhor, para nós mesmas e para o mundo no qual vivemos. E onde tudo começa? Na arte de sonhar….

Autor: Ana Amorim

Psicóloga Clinica, Terapeuta, eterna curiosa e aprendiz de assuntos metafísicos. Escrevo todos os domingos sobre Comportamento.

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