Sororidade

Essa é uma palavra pouco usada na nossa língua, até desconhecida para muitas pessoas, e sabem por que? Porque ela representa um conceito relativamente novo na nossa cultura, que é o de união e aliança entre mulheres, baseada em empatia e companheirismo, em busca de alcançar objetivos em comum. Essa palavra tem sua origem no latim sóror, que significa “irmãs”, assim como fraternidade se origina do prefixo latino frater, que significa “irmão”.  Sororidade sugere uma irmandade entre mulheres, onde rivalidade e julgamentos preconceituosos entre nós ficam excluídos, de forma a não engrossar o coro machista que se fortalece através desse tipo de comportamento das próprias mulheres.

Acho que levamos alguns bons anos para descobrir o que sororidade significa na prática, mas a longa espera vale a pena! Atravessamos longos desertos durante a adolescência e a juventude, na medida em que estabelecemos relações de desconfiança, competição, inveja e ciúmes entre nós mulheres. Rivalizamos na disputa do olhar masculino, como se através dele pudéssemos conquistar a identidade feminina.

Um pouco mais tarde, quando nos tornamos jovens mães, continuamos a olhar outras mulheres com certa desconfiança, comparando o comportamento das crianças, as nossas e as outras, como se estivéssemos disputando o troféu de melhor mãe do mundo, a mais competente entre todas. Criticamos os filhos alheios para poder valorizar os nossos, e através deles criticamos outras mulheres para promover a auto valorização. No mercado de trabalho as coisas não são muito diferentes, quantas vezes fantasiamos que aquela mulher bem vestida e mais próxima do chefe não está lá por méritos próprios, mas por possíveis concessões que possa ter feito…. julgamento e preconceito andam de mãos dadas pela vida.

Só mais tarde atingimos certo grau de maturidade traduzida em uma ampliação da consciência, que nos permite enxergar a nós mesmas e ao mundo com outros olhos. É aí que descobrimos a força dessa irmandade. Nasce a oportunidade de mergulhar nesse imenso Universo feminino não só através de nós, mas também das mulheres próximas. Esse Universo feito de ar, terra, água e fogo. De multiplicidades, multidiversidades e de busca pela unidade. Esse feminino que é, ao mesmo tempo, Yansã e Yemanjá, Afrodite e Perséfone. Filha, irmã, mulher, mãe, amante, gestora, administradora, conselheira, conciliadora e guerreira. Um amplo e vasto Universo, descoberto em olhares, sorrisos, rugas, histórias, lágrimas e muito trabalho. Herdado da força de nossas antepassadas, velhas mulheres sábias, benzedeiras, rezadeiras, que transitavam pelo mundo mágico com a mesma facilidade com que caminhavam pelo quintal de suas casas.

Isso me faz lembrar de minha avó e suas irmãs, do quanto andavam sempre juntas, do quanto se apoiavam e se fortaleciam mutuamente, dos muitos cafés com bolo em torno da mesa. Isso me remete às minhas amigas irmãs, a todas essas mulheres com quem tenho o prazer de compartilhar a vida. Do olhar cúmplice, do colo amigo e materno, do esporro preciso, do empurrão certeiro. Viver a sororidade é viver embalada pela força do amor.                        Ao Círculo de Mulheres, e a todas as outras, minha gratidão.

Autor: Ana Amorim

Psicóloga Clinica, Terapeuta, eterna curiosa e aprendiz de assuntos metafísicos. Escrevo todos os domingos sobre Comportamento.

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