Maturidade e mudanças

Segundo o IBGE a expectativa de vida da população aumentou 41,7 anos em pouco mais de um século. Em 1900 a expectativa era de 33,7 anos. Ou seja, houve um tempo que era esperado morrer por volta dos 33 anos!!

  • Com o passar dos anos esse número foi subindo:
  • em 1970 havia crescido para 52,6 anos;
  • em 1980, a probabilidade era viver cerca de 62,7 anos;
  • em 2014 já estávamos com uma expectativa de vida de 75,4 anos, e ela não para de crescer.

Talvez esses números possam justificar porque a maioria das pessoas fazia suas escolhas profissionais e afetivas na juventude, e com elas permaneciam até a velhice. A velhice chegava rápido, era o tempo de engrenar na profissão, casar (ou não), ter filhos, vê-los crescerem e terem seus próprios filhos, e morrer. Mudanças significativas no meio do caminho pareciam ousadas, e, via de regra, só aconteciam perante o imprevisto. Era comum as mulheres fecharem os olhos para as traições do marido e ficarem casadas até que a morte os separasse. Também era comum homens insatisfeitos com suas escolhas profissionais e mesmo assim, aposentarem-se na mesma empresa em que começaram a trabalhar.

Felizmente vivemos em outros tempos, demoramos para envelhecer, e não apenas porque vivemos mais, mas principalmente porque vivemos diferente. Mesmo assim precisamos tomar muito cuidado para não repetirmos o comportamento dos nossos antepassados, e não nos acomodarmos porque já estamos nos 50. Ainda vejo, tanto no consultório quanto na vida, mulheres insatisfeitas com suas escolhas pregressas e que sentem-se “velhas” demais para mudar, e tenho que tomar esse cuidado comigo também, afinal já aprendemos a pilotar esse modo de viver, e já nos acostumamos com ele.

Nada melhor do que este momento de experiências acumuladas para revisar a própria vida, e buscar novas aspirações para que nosso coração bata com entusiasmo através dos muitos anos que vislumbramos à frente. Somos mulheres inteiras, trazemos em nós vasta bagagem de conhecimentos, percepções, emoções e aprendizados que foram conquistados ao longo desta jornada. Trazemos também coragem e determinação por tudo que superamos, resiliência pelos fracassos e frustrações, e sonhos pela menina que habita em cada uma de nós.

Fizemos escolhas, vivemos, mas quantas delas ainda valem, e quantas já perderam o prazo de validade? Toda experiência valeu a pena, nada é desperdiçado no Universo, nada é jogado fora se tivermos a sabedoria de transformar nossas vivências em experiências de crescimento e aprendizado. Mas está na hora de revisar e escolher tudo de novo. Certamente algumas escolhas seguem as mesmas, e ótimo se não caducaram… mas outras talvez precisem ser abandonadas, dadas por encerrado, não porque desistimos, mas porque não têm mais significado.

Manter-se jovem apesar da idade é resultado de cuidados com o corpo, a mente e o espírito. O sonho, como já escrevi em outra postagem, é o fio condutor da vida. Sonhar é reinventar-se, dar rumo novo e fresco aos passos que iremos fazer. É colorir o que já está em branco e preto, substituir pelo que tem apelo e sentido à nossa alma.

Autor: Ana Amorim

Psicóloga Clinica, Terapeuta, eterna curiosa e aprendiz de assuntos metafísicos. Escrevo todos os domingos sobre Comportamento.

Um pensamento em “Maturidade e mudanças”

  1. Lindo texto! A maturidade nos proporciona a possibilidade de escolha: de manter o status quo ou de mudar! É muito prazeroso escolher mudar e ter orgulho de suas escolhas!
    Não trocaria meus quase 52 pelos meus 30 por nada nesse mundo!

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