Paetês no dia a dia

No final do ano passado me dei conta que paetês poderiam se encaixar perfeitamente no meu estilo! A partir daí, saí buscando em lojas e sites – e, onde tivesse algo brilhando, eu ia lá ver. 

Aprendi o truque para usá-los no dia a dia: desconstrução. Use junto com calça jeans (rasgada, de preferência) e camiseta, tirando o ar de “festa” que é fácil atribuir a eles.

Olha esta inspiração:

Que graça essa senhorinha usando uma camiseta que diz “Too glam to give a damn“! E totalmente segurando o look desse casaco ultra brilhante: o conjunto ficou o máximo!

Ela é uma das modelos da Joulik e é uma pena que ela só apareça na home page… Eu gostaria de ver mais looks com ela!

No site em questão tem um filminho de 1 minuto (assista, vale a pena) que mostra várias pessoas usando paetês em situações completamente urbanas. E eles incluíram outra chiquérrima senhora de cabelos brancos (e fora do corpo-padrão, ainda bem!):

É muito legal ver que eles enxergaram que existem outras faixas etárias e outros corpos que não só os das modelos novas e magras. [E essas senhoras acima têm mais idade que os nossos 50′, e claro que servem de inspiração: se elas podem, o que dizer de nós, ainda tão jovens? 😅

Sei que é um lance de marketing colocar pessoas diferentes do padrão jovem-bonito-e-sarado. Mesmo se for marketing, desta vez acertaram em cheio! Precisamos nos sentir representadas em qualquer tipo de situação – e escolher justamente os difíceis paetês para isso foi uma sacada genial. Fiquei super inspirada por elas.

Depois de ver muitos looks da Sequinist (uma blogueira que é totalmente desencanada e está de paetês sempre) e as lindas modelos da terceira idade da Joulik, perdi o medo e estou usando direto os paetês durante o dia – até para ir à padaria, se bobear. 😆

Quer um exemplo concreto? Fui para Araxá – MG – numa viagem de três dias, somente levando uma malinha de bordo. E os casacos escolhidos foram um impermeável e uma bomber todinha de micro-paetês prateados. E me senti o máximo toda vez que a coloquei, rsrs.

Para quem quiser se arriscar nesse mundo brilhante, recomendo o Enjoei* para compras mais baratinhas e a Joulik para as de peso (e ela está com promoções agora).

PS: Cuidado com o Enjoei. Os preços são baixos, porém você se arrisca a receber uma blusa cheirando a mofo, outra com alguns paetês faltando, esse tipo de coisa. No final acabei usando somente uma das peças que vieram de lá.

  • Este post veio do meu blog Pílulas de Moda devido nossa querida Ana não ter podido escrever hoje.

Madonna e os 60

Nesta semana que passou Madonna atingiu os 60 anos. Figura pública que é, vive da imagem. Assume a idade, mas não o envelhecimento no sentido literal da palavra; seus cabelos continuam loiros, seu rosto traz poucas rugas e seu corpo mantém-se bem delineado e sarado. O que mostra que ela optou em manter as tintas sobre os fios de cabelo, deve recorrer a vários procedimentos estéticos assim como à assiduidade dos exercícios físicos. Ou seja, está envelhecendo da mesma forma como viveu. Sempre se diferenciou pela ousadia, e dela não abre mão. Segue sendo uma mulher sexy, desafiadora dos padrões estabelecidos, namora rapazes e assume seus romances, trabalha muito e não se acomoda no sucesso conquistado. Em termos musicais, uma das suas características é que continua fazendo novas músicas e shows para apresentá-las, não vive exclusivamente do sucesso do passado.

Independente de gostarmos dela ou não, Madonna traz uma coerência interessante no seu comportamento ao longo da vida e durante o envelhecimento, ou seja, ela não ficou velha, apenas envelhece. E não é assim que deveria ser? Os anos passam, esse é o processo natural. O corpo físico tem perdas importantes que necessitam de cuidados, há mudanças sim que precisam ser reconhecidas para serem respeitadas. Há que se cuidar da alimentação, do sono, do ritmo da vida, da atividade física e mental mais e melhor do que fizemos ao longo do tempo. É preciso estar atenta aos sinais que o corpo nos envia, ele sinaliza o que necessita.

Mas o corpo físico também responde ao corpo emocional, e o que pensamos e sentimos sobre nós mesmas exerce influência direta sobre a saúde; tenho para mim que esse é o pulo do gato! Se envelhecer é obrigatório enquanto estamos vivas, ficar velho é opcional, depende das escolhas que fizemos e que continuamos fazendo.

Acho que ficar velho é abandonar a vida e seus atrativos, e é, na verdade, abandonar a si mesmo. É acreditar na obrigatoriedade da juventude e em todas as restrições que nos são impostas quando já saímos dela. Como se só pudéssemos ser felizes enquanto jovens, e só tivéssemos direito a uma série de escolhas até os 30 anos.

Felizmente temos acordado dessa hipnose que a sociedade tende a exercer sobre nós. Conheço várias mulheres que, passados os 50, resolveram mudar o rumo de suas vidas. Há as que se divorciaram por perceberem que a antiga relação já havia se esgotado e não tiveram medo de separar mesmo não sendo tão jovens. Há as que se apaixonaram novamente, e se entregam a essa paixão sem receios. Há as que descobrem o prazer de estarem com elas mesmas, e não há aqui sentimentos de solidão. Há as que foram fazer um curso fora do país, se permitiram viver uma experiência que foi sonhada no passado e não pode ser concretizada em função dos inúmeros deveres de mãe e esposa. Há as que abandonaram as tintas do cabelo e assumem seus brancos sem perder a vaidade. E há aquelas que continuam casadas, desenvolvendo as mesmas atividades.

Ou seja, a idade não é um empecilho para mudanças nem tão pouco uma exigência para que elas aconteçam, depende do desejo de cada uma de nós. O que nos limita não é a idade, mas o sistema de crenças que incorporamos e repetimos; a jovialidade é uma conquista que implica em abrir mão dos preconceitos, da rigidez, dos julgamentos, e jamais da alegria e dos prazeres. Da vontade de aproveitar a vida e aprender com ela, da curiosidade que não morre. Há um grande privilégio em envelhecer, que possamos honrá-lo devidamente!

O Pai

Princípio masculino, tronco que propicia estrutura para a criança/copa expandir-se, senhor do tempo, o que interdita a relação simbiótica entre a mãe e o filho. O que comunica a lei, coloca os limites, exala o princípio da realidade e da autoridade. Traz o mundo exterior para dentro de casa e o representa. Provedor maior do senso de responsabilidade, presença que sugere outros caminhos para a manifestação do afeto. Assim como apresenta a possibilidade de outro olhar para o mundo, a vida, as relações. Parceiro da mãe na arte de educar, pondera com a racionalidade que nos auxilia a não naufragar nas águas da emoção. Exemplo, modelo a ser seguido ou evitado. Antagonista dos filhos no sentido de provocar seu crescimento e encorajá-los na superação de seus medos com a assertividade do masculino. Às vezes herói, às vezes “bandido”. Às vezes, como filhos e filhas, corremos em sua direção em busca de um lugar seguro para se estar; às vezes corremos dele, por receio, vergonha, raiva.

Mas um dia crescemos e nosso olhar para ele se modifica, assim como modifica o lugar que ele ocupa em nossas vidas. Já podemos nos aproximar sem receio, e ele, o pai, pode abandonar os personagens que representou e tornar-se apenas o homem que é. Já nos educou, já nos interditou, já nos empurrou quando empacamos, já nos inspirou coragem e força. Essa figura paterna já está introjetada, mora dentro. Está tudo certo. E ele, o pai, pode voltar a ser o sr. Fernando, Luiz, Paulo, Pedro. Pode compartilhar conosco seus receios, pode mostrar sua fragilidade. Não precisamos mais do mito, aprendemos, como filhos e filhas, a amar o homem, com todos os senãos, os defeitos, as limitações. Reconhecê-los nos autoriza, inclusive, a reconhecer em nós os próprios limites e virtudes, aprendizado duplo de aceitação e perdão.

Hoje comemora-se o dia dele, e novamente enquanto família nos reunimos em torno de uma mesa, rendemos a ele nosso respeito, nosso amor, nossa gratidão. Pode ser que ele esteja fisicamente presente, pode ser que não. Mas como ele está dentro de nós, está vivo. É atemporal. Seu rastro percorre em nosso sangue, parte de nossas células herdamos dele. Então não teria como ele não estar em nós. E sempre estará. Pai e mãe, duas pessoas que doaram parte da sua energia para que pudéssemos estar aqui. Cada um do seu jeito, com seu cheiro, sua linguagem, sua maneira de ser e de amar. O masculino e o feminino juntos para prover a vida de um outro ser.

“Pai e mãe, ouro de mina.

Coração, desejo e sina.

Tudo o mais, pura rotina, jazz.”

Agosto

Minha avó dizia que Agosto era mês de cachorro louco… E tem muitas pessoas que não simpatizam com ele, isto é fato, como se houvesse, no calendário, um mês destinado a causar desconforto ou não trazer sorte. Sabiam que é o mês mais evitado para casamentos? Isso traz vantagens para quem não é supersticioso, porque segundo li, casar-se nesse mês acaba saindo mais barato. Por que será que a maioria das pessoas olha para ele com desconfiança, o que ele suscita em nós que eriça os pelos do corpo?

O inverno é a estação do recolhimento, faz frio, a intensidade da luz é menor, os dias escurecem mais cedo, a vontade de sair por aí diminui. Começa no dia 21 de junho, mas a expectativa das férias nos mantêm no clima do Outono. Para quem viaja para o hemisfério norte não há inverno, para quem gosta de frio, neve, baixas temperaturas nas serras, o inverno é bem vindo, e de um jeito ou de outro, parte-se para as férias. Quando estamos em férias penduramos problemas e pendências no varal do tempo, abandonamos a rotina de obrigações e deveres e mergulhamos no principio do prazer! Julho pode ser considerado como um mês da estação “festa”.

Mas Julho acaba e Agosto chega, trazendo o céu nublado, a garoa fina e gelada, o retorno à rotina; e lá vamos nós, recolher do varal o que nele havíamos pendurado, problemas e pendências saem do quintal e voltam para dentro de casa; o princípio do prazer é substituído pelo princípio da realidade. E o que é realidade? Aquilo que os olhos veem e a mente decodifica?

A descrição do mundo é, para muitos, a realidade. Não é a toa que há quem grude olhos e ouvidos nos noticiários e se convença que o mundo vai de mal a pior, notícia boa tem pouco Ibope! Isso não significa negar a escassa capacidade humana de harmonizar-se consigo mesma, com os outros, com o planeta. Mas o que nossos olhos veem não é tudo que existe, longe disso!

Estamos treinados a olhar para as árvores desfolhadas e percebê-las quase mortas, nos falta sensibilidade para sentir que dentro deles começa o rebuliço do próximo florescer. Estamos treinados para avaliar o quanto a temperatura está baixa e o tanto de frio que faz lá fora, mas nos falta a percepção do quanto podemos aquecer os corações em torno de uma mesa, junto a pessoas queridas, com um bom copo de vinho ou com um prato de sopa quentinho. Temos receio da própria tristeza, não nos damos conta do quanto senti-la é imprescindível para poder buscar a alegria.

Que Agosto nos ensine a aceitar que é preciso anoitecer para raiar um novo dia, que o escuro antecede a luz, que o frio dos ventos internos que nos cortam faz com que possamos reconhecer que o amor nos aquece. Amor próprio e pelo outro, pela natureza, pelas estações do ano. Sem recolhimento não há expansão, sem dor não há crescimento. Sem o tempo de preparação que o inverno propicia não haveria Primaveras; precisamos “invernar” para podermos também florescer!