O Pai

Princípio masculino, tronco que propicia estrutura para a criança/copa expandir-se, senhor do tempo, o que interdita a relação simbiótica entre a mãe e o filho. O que comunica a lei, coloca os limites, exala o princípio da realidade e da autoridade. Traz o mundo exterior para dentro de casa e o representa. Provedor maior do senso de responsabilidade, presença que sugere outros caminhos para a manifestação do afeto. Assim como apresenta a possibilidade de outro olhar para o mundo, a vida, as relações. Parceiro da mãe na arte de educar, pondera com a racionalidade que nos auxilia a não naufragar nas águas da emoção. Exemplo, modelo a ser seguido ou evitado. Antagonista dos filhos no sentido de provocar seu crescimento e encorajá-los na superação de seus medos com a assertividade do masculino. Às vezes herói, às vezes “bandido”. Às vezes, como filhos e filhas, corremos em sua direção em busca de um lugar seguro para se estar; às vezes corremos dele, por receio, vergonha, raiva.

Mas um dia crescemos e nosso olhar para ele se modifica, assim como modifica o lugar que ele ocupa em nossas vidas. Já podemos nos aproximar sem receio, e ele, o pai, pode abandonar os personagens que representou e tornar-se apenas o homem que é. Já nos educou, já nos interditou, já nos empurrou quando empacamos, já nos inspirou coragem e força. Essa figura paterna já está introjetada, mora dentro. Está tudo certo. E ele, o pai, pode voltar a ser o sr. Fernando, Luiz, Paulo, Pedro. Pode compartilhar conosco seus receios, pode mostrar sua fragilidade. Não precisamos mais do mito, aprendemos, como filhos e filhas, a amar o homem, com todos os senãos, os defeitos, as limitações. Reconhecê-los nos autoriza, inclusive, a reconhecer em nós os próprios limites e virtudes, aprendizado duplo de aceitação e perdão.

Hoje comemora-se o dia dele, e novamente enquanto família nos reunimos em torno de uma mesa, rendemos a ele nosso respeito, nosso amor, nossa gratidão. Pode ser que ele esteja fisicamente presente, pode ser que não. Mas como ele está dentro de nós, está vivo. É atemporal. Seu rastro percorre em nosso sangue, parte de nossas células herdamos dele. Então não teria como ele não estar em nós. E sempre estará. Pai e mãe, duas pessoas que doaram parte da sua energia para que pudéssemos estar aqui. Cada um do seu jeito, com seu cheiro, sua linguagem, sua maneira de ser e de amar. O masculino e o feminino juntos para prover a vida de um outro ser.

“Pai e mãe, ouro de mina.

Coração, desejo e sina.

Tudo o mais, pura rotina, jazz.”

Autor: Ana Amorim

Psicóloga Clinica, Terapeuta, eterna curiosa e aprendiz de assuntos metafísicos. Escrevo todos os domingos sobre Comportamento.

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