Minimalismo

Fui atraída pelo assunto Minimalismo após ler blogs de moda que tratavam sobre consumo excessivo e ter ficado refletindo sobre a grande relevância desse assunto. Em seguida me empenhei na leitura de diversos textos que tratam do tema Minimalismo.

 

 

O interesse por algo diferente do comum, do cotidiano, não acontece do nada: alguma coisa está mudando em você, ou lhe incomodando, criando a necessidade de transformação, de outro enfoque.

 

No meu caso, vejo que duas correntes complementares causaram isso: meu amor por organização + o desagrado com a maioria das compras de roupas que eu vinha fazendo.

 

O método de Marie Kondo ajudou a destralhar meu guarda-roupa e escritório. No entanto, ainda falta… Sinto que posso fazer melhor, que há mais a ser retirado das estantes.
E a quantidade absurda de roupas que foi removida do armário, muitas delas sem uso, fez com que eu tivesse de encarar de frente que meus hábitos de consumo estavam equivocados [para falar o mínimo].

 

Ou seja: cansei de lutar para manter a organização e cansei de gastar dinheiro à toa.
Solução: conhecer melhor, e de perto, o Minimalismo.
O que posso lhes dizer de pronto é que Minimalismo não é viver com um número x de objetos ou roupas, nem se recusar a comprar.
Não há radicalismo nessa ideologia: você a molda de acordo com sua necessidade e seus objetivos. 

 

A META é reduzir os pertences ao essencial, ao simples, para que, com menos entorno, possamos nos dedicar às coisas que realmente importam: busca da realização pessoal, amizades, hobby, tempo extra, etc. [ao seu gosto].

 

Escolhi começar pelo Project 333
Como meu maior problema é de longe o acúmulo de roupas, a opção lógica é atacar isso primeiro. E o Projeto 333 fornece um caminho já previamente testado para isso.

 

O que me deixou mais inspirada foi a frase:

 

“It’s so nice to wear your favorite things everyday.”
Já pensou nisso? Usar somente coisas que ficam ótimas no seu corpo, sem deixá-las guardadas, esquecidas, ou esperando uma “ocasião” para saírem do armário?

A ideia de 33 itens por 3 meses não nos serve muito bem pois é pensada para países onde as estações do ano são bem definidas: ou seja, você praticamente “troca” de guarda-roupa a cada 3 meses, conforme o clima.
Já aqui, principalmente em SP-Capital, você tem que ter de tudo um pouco pois pode estar fazendo 32°C hoje, com um sol de rachar, e amanhã estar 15°C e chovendo.
Olhando as fotos dos guarda-roupas de pessoas que estão no projeto por aqui me fez ver que é viável passar com 33 peças de roupas, mesmo num clima louco como o nosso.

 

Outra preocupação minha era quanto à escolha das cores dessas roupas: como as peças devem combinar entre si para permitir usos de formas diferentes, vi muitas cápsulas só em preto, branco e cinza. E eu sou uma pessoa de cores! E peças dramáticas! #comofaz?
Olhando o Pinterest do projeto vi exemplos de que é possível montar seu pequeno armário usando diversas cores.

 

O planejamento será:
  1. Montar um armário cápsula com cerca de 33 peças e retirar as demais de circulação por um mês. Usar somente as escolhidas por 30 dias e em seguida fazer as alterações necessárias para o próximo mês.
  2. Não comprar [roupas, revistas, livros, decoração] durante esses 30 dias.
Não pretendo excluir nada do guarda-roupa nesse primeiro momento. Após trabalhar sobre essa experiência, ficará fácil de ver o que é realmente do meu gosto e o que permaneceu encostado. Aí será a hora de fazer a exclusão de itens.

 

Para evitar tentações, descadastrei todas as newsletters de lojas e sites de compras. Sem receber emails contendo fotos e ofertas de novidades, diminui a vontade de clicar em algo e acabar comprando.
Estou animada no mesmo grau em que estou receosa.

 

PS: O post acima apareceu primeiro no Blog Pílulas de Moda, em 2015. Foi inteiramente revisto, e o tema continua tão relevante como anos atrás.
PS 2018: Deu tudo tão certo que agora não largo mais esta filosofia de tentar ter o essencial, não acumular tentando preencher um vazio existencial.
PS3: Devido imprevistos, o texto hoje não é da Ana Amorim.
PS4: Desculpem pela formatação, migrar texto de outro blog não é tão simples assim…

O labirinto

Vocês gostam de mitologia? Eu adoro, porque os mitos representam aspectos psíquicos apresentados sob a narrativa de estórias, e compreendê-los é compreender um pouco da natureza humana e sua interação com a vida e seus eventos. Esta semana lembrei do mito do Minotauro, um clássico da mitologia grega.

Consta que no palácio de Cnossos (ou Knossos), na ilha de Creta, havia um labirinto construído por ordem do rei Minos; lá vivia um ser monstruoso chamado Minotauro, com corpo de homem e cabeça de touro. Diz a lenda que os atenienses haviam matado um dos filhos do rei de Creta, que jurou vingança e declarou guerra contra Atenas, que foi derrotada. Após a vitória de Creta sobre Atenas, o rei exigiu que, todos os anos, os gregos enviassem sete moças e sete rapazes para serem devorados pelo Minotauro. Como este vivia em um labirinto imenso, era impossível sair dele vivo, quem lá entrasse sentia-se mesmo sem saída. Até que um dia um jovem grego chamado Teseu resolveu enfrentar o monstro, e contou com a ajuda de Ariadne, filha do rei Minos. Ela deu a Teseu um novelo de linha que ele teria que desenrolar na medida em que caminhasse pelo labirinto, de forma a não se perder e encontrar a saída. Graças a essa ajuda, Teseu conseguiu vencer o monstro após uma luta árdua, e livrou os jovens atenienses de serem exterminados pelo Minotauro.

Quantas vezes entramos no labirinto dos pensamentos tortuosos e nos sentimos ameaçadas pelas fantasias terríveis que lá habitam? Quantas vezes caminhamos pela vida com uma sentença de aniquilamento pairando sobre nossas cabeças, como se estivéssemos predestinadas à dor e ao sofrimento, perdidas em um labirinto sem saída? Quantas vezes somos tomadas pelo medo, desânimo, desesperança, frente às dificuldades que surgem no nosso caminho?

Teseu ousou acreditar que poderia vencer o monstro, ele sonhou com isso. Não se deixou dominar pela descrição do mundo, não compactuou com a predestinação de se perder no emaranhado do labirinto. E por acreditar, contou com a ajuda de Ariadne, que lhe ofereceu a mais simples das soluções. Todas nós carregamos uma Ariadne, um aspecto da nossa psique ligado à intuição, à sabedoria de nossas ancestrais, que consegue olhar a vida e seus eventos de um outro lugar, percebê-los de outra maneira.

Não precisamos nos entregar ao senso comum, nem devemos. Em tempos de labirintos, o coro dos pessimistas insiste em entoar a mesma ladainha. Não vai dar certo, você não escapa disso, a vida é assim mesmo, o tempo passou, já não dá mais… Mentira!!

Assim como carregamos uma Ariadne, carregamos em nós um Teseu. Um aspecto ousado, corajoso, rebelde, que desafia o estabelecido, que é capaz de sonhar um sonho diferente, um sonho lúcido! Que assim como Fernão Capelo Gaivota, está cansado de dar voos rasantes com o bando. Um aspecto que quer mais, e melhor, e mais alto.

Acredite, ouse, intua. Siga seu coração, ele é o novelo de linha que sempre vai lhe mostrar a saída do labirinto!