O labirinto

Vocês gostam de mitologia? Eu adoro, porque os mitos representam aspectos psíquicos apresentados sob a narrativa de estórias, e compreendê-los é compreender um pouco da natureza humana e sua interação com a vida e seus eventos. Esta semana lembrei do mito do Minotauro, um clássico da mitologia grega.

Consta que no palácio de Cnossos (ou Knossos), na ilha de Creta, havia um labirinto construído por ordem do rei Minos; lá vivia um ser monstruoso chamado Minotauro, com corpo de homem e cabeça de touro. Diz a lenda que os atenienses haviam matado um dos filhos do rei de Creta, que jurou vingança e declarou guerra contra Atenas, que foi derrotada. Após a vitória de Creta sobre Atenas, o rei exigiu que, todos os anos, os gregos enviassem sete moças e sete rapazes para serem devorados pelo Minotauro. Como este vivia em um labirinto imenso, era impossível sair dele vivo, quem lá entrasse sentia-se mesmo sem saída. Até que um dia um jovem grego chamado Teseu resolveu enfrentar o monstro, e contou com a ajuda de Ariadne, filha do rei Minos. Ela deu a Teseu um novelo de linha que ele teria que desenrolar na medida em que caminhasse pelo labirinto, de forma a não se perder e encontrar a saída. Graças a essa ajuda, Teseu conseguiu vencer o monstro após uma luta árdua, e livrou os jovens atenienses de serem exterminados pelo Minotauro.

Quantas vezes entramos no labirinto dos pensamentos tortuosos e nos sentimos ameaçadas pelas fantasias terríveis que lá habitam? Quantas vezes caminhamos pela vida com uma sentença de aniquilamento pairando sobre nossas cabeças, como se estivéssemos predestinadas à dor e ao sofrimento, perdidas em um labirinto sem saída? Quantas vezes somos tomadas pelo medo, desânimo, desesperança, frente às dificuldades que surgem no nosso caminho?

Teseu ousou acreditar que poderia vencer o monstro, ele sonhou com isso. Não se deixou dominar pela descrição do mundo, não compactuou com a predestinação de se perder no emaranhado do labirinto. E por acreditar, contou com a ajuda de Ariadne, que lhe ofereceu a mais simples das soluções. Todas nós carregamos uma Ariadne, um aspecto da nossa psique ligado à intuição, à sabedoria de nossas ancestrais, que consegue olhar a vida e seus eventos de um outro lugar, percebê-los de outra maneira.

Não precisamos nos entregar ao senso comum, nem devemos. Em tempos de labirintos, o coro dos pessimistas insiste em entoar a mesma ladainha. Não vai dar certo, você não escapa disso, a vida é assim mesmo, o tempo passou, já não dá mais… Mentira!!

Assim como carregamos uma Ariadne, carregamos em nós um Teseu. Um aspecto ousado, corajoso, rebelde, que desafia o estabelecido, que é capaz de sonhar um sonho diferente, um sonho lúcido! Que assim como Fernão Capelo Gaivota, está cansado de dar voos rasantes com o bando. Um aspecto que quer mais, e melhor, e mais alto.

Acredite, ouse, intua. Siga seu coração, ele é o novelo de linha que sempre vai lhe mostrar a saída do labirinto!

Autor: Ana Amorim

Psicóloga Clinica, Terapeuta, eterna curiosa e aprendiz de assuntos metafísicos. Escrevo todos os domingos sobre Comportamento.

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