A ditadura do Medo

Medo, medo, medo. Quantas vezes por dia pensamos nele? Quantas vezes por dia temos essa sensação desagradável desencadeada pela percepção de um perigo, seja esse real ou imaginário? O medo advindo da percepção de um risco real nos auxilia através da existência, nos coloca em estado de alerta para que possamos agir e reagir com o propósito de preservar a própria vida. É um instinto que compartilhamos com o reino animal e quem sabe, com todos os seres vivos. O medo de atropelamento nos faz olhar com atenção quando atravessamos uma rua, assim como o medo de ferir alguém nos faz cuidadosos no trato com o outro; isso faz dele um aliado, um recurso, uma ferramenta.

Mas nem todos os medos são assim, e nem todos estão a serviço da vida. Muitos deles são frutos de um longo condicionamento, estão enraizados na linhagem de nossas famílias e na sociedade a qual pertencemos. Recebemos como herança mesmo antes de nascer, somos influenciados por ele ainda dentro do útero materno; a aprendizagem do medo está apenas começando… Ao nosso instinto de sobrevivência soma-se todo o sistema de crenças que permeia a humanidade, e assim começamos a desenvolver o medo dos perigos imaginados e imaginários.

Enquanto crianças e adolescentes resistimos a esse aprendizado, nos rebelamos, até ousamos desafiá-lo. Mas aos poucos começamos a ceder e a reproduzir no pensamento, na fala e nas atitudes o medo que foi aprendido. E ele, o medo, de aliado transforma-se em inimigo, em uma energia castradora e cerceadora de sonhos, e pouco a pouco nos encolhemos para caber no espaço restrito que seu comando ditatorial determina.

Passamos a acreditar que sobreviver é viver, que os muros que nos separam dos sonhos são protetores, que a cerca mental que nos aprisiona na repetição de um modelo caduco deve ser mantida e reforçada pela recusa diária do novo, do diferente, da possibilidade criativa; até parece que não estamos aqui para criar, e sim para reeditar a velha precariedade com que tomamos a vida.

Quer saber? Ouse travar uma batalha interna contra todas as crenças limitantes, ouse depor os déspotas que abrigamos em nós, que estão sempre prontos a nos convencer de que a escassez é moderação, seriedade é responsabilidade, sacrifício é altruísmo, e um monte de outros pressupostos que nos separam do sonho e do sopro divino em nossas vidas. A tradição judaico-cristã nos imputa muitas e variadas culpas, inclusive a de buscar a própria felicidade voando mais alto que o bando, ou diferenciando-se do rebanho. Mas a natureza está aí para nos mostrar, com toda sua beleza, força e exuberância, que o divino reside na alegria e na expansão, na diversidade de cores, de aromas, na abundância e no movimento!

Autor: Ana Amorim

Psicóloga Clinica, Terapeuta, eterna curiosa e aprendiz de assuntos metafísicos. Escrevo todos os domingos sobre Comportamento.

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