Mulheres

8 de Março, um dia dedicado às mulheres, cheio de comemorações, protestos, reivindicações. Mas afinal, por que temos um dia no calendário anual para celebração da mulher? Pode até parecer homenagem, deferência, mas não é. As aparências enganam… vamos voltar um pouco na história?

Houve um período, há muito tempo atrás, onde a mulher ocupava um lugar completamente diferente dentro da sociedade, uma vez que ela era a representação humana da Grande Mãe. Em todas as antigas civilizações cultuava-se a Deusa, princípio feminino da divindade, a Mãe Criadora e Mantenedora da Vida, e as mulheres eram honradas e respeitadas por terem o dom de gerar a vida e mantê-la através do seu próprio corpo; do útero onde essa vida era fecundada e desenvolvida até o nascimento, dos seios por onde jorrava o leite que nutria a vida que começava.

Esculturas pré-históricas da Grande Mãe

As mulheres conheciam secretamente os mistérios da vida e da morte porque os vivenciavam em seu próprio corpo, com a fertilidade, o ato de gerar e parir os filhos, o sangramento mensal e a intimidade que tinham com a natureza. Eram curandeiras, conheciam as ervas e sabiam como usá-las para mitigar as enfermidades; eram intuitivas e transitavam com desenvoltura pelos dois mundos, tornaram-se benzedeiras, sacerdotisas, encarregadas de celebrar não só os ritos de passagem mas também as festividades relacionadas ao plantio e a colheita. À medida em que envelheciam e tornavam-se cada vez mais sábias, também cresciam no respeito e reconhecimento da comunidade à qual pertenciam. Eram as mulheres que se ocupavam das estações da vida, desde trazer crianças ao mundo até auxiliar na passagem daqueles que deste mundo se desligavam.

Lakshmi – Deusa hindu da prosperidade e da riqueza

Essas mulheres são nossas ancestrais e embora tenham sido perseguidas e mortas no desenrolar da história, o que viveram e conquistaram está preservado e guardado dentro de nós, através da memória celular e do inconsciente coletivo. Essas mulheres estão em nós e nós estamos nelas. Para resgatar tamanha força adormecida e retomar o poder pessoal é necessário voltar o olhar para dentro e buscá-las. Há um caminho a ser trilhado, como se fôssemos adentrar no bosque do esquecimento que nos impuseram, pela distorção da história e dos fatos. Para chegar até elas (até nós) precisamos de amor, consciência e coragem; diante da truculência sofrida durante séculos, de todo obscurantismo e engodo, talvez esse seja o único caminho possível.

Arianrhod – deusa Celta da fertilidade

Vivemos um momento onde a violência contra a mulher parece ter aumentado, mas talvez ela só esteja sendo vista, nomeada e denunciada mais do que antes; durante séculos essa violência foi negada e mascarada como proteção, punição justa e devida, hierarquia, e tantas outras expressões perversas de indivíduos doentes dentro de uma estrutura social também doente. E se considerarmos a hipótese de que a doença é o resultado da falta de contato com a alma ou essência, a cura só vai acontecer quando percorrermos o caminho de volta, o regresso a quem somos e a desconstrução de todas as imagens falsas e distorcidas que aceitamos como sendo nós.

Isis – Grande Mãe da magia no antigo Egito

Duvide quando ouvir de alguém que você não sabe, não pode, não consegue. Que você está gorda, ou feia, ou velha demais para fazer qualquer mudança de rota. Duvide se ouvir que você é frágil, insegura, incapaz de gerenciar a própria vida. Duvide se te disserem para não entrar na floresta porque é perigoso demais, porque o lobo mau vai te perseguir, te enganar e ainda por cima vai comer a vovozinha. Lembre-se que conhecemos as florestas como ninguém, que sabemos caminhar entre as sombras, que sabemos intuir qual a melhor direção, que temos um sexto sentido que é uma bússola existencial não revelada. Lembre-se do percurso do feminino através do tempo, das ancestrais, da conexão com a Grande Mãe.

Existe uma deusa dentro de você. Desperte-a!

E, principalmente, lembre-se que nenhuma de nós pode tanto quanto todas nós juntas; as mulheres sempre se reuniram em rodas, cirandas, círculos, porque mesmo inconscientemente sentiam que a irmandade entre mulheres ativa e libera o poder mágico da transformação. E quando uma de nós se transforma, todas as mulheres se transformam!

Autor: Ana Amorim

Psicóloga Clinica, Terapeuta, eterna curiosa e aprendiz de assuntos metafísicos. Escrevo todos os domingos sobre Comportamento.

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