Para além do medo

Você já parou para observar aonde você vive?
Não estou me referindo a um lugar como cidade ou bairro, tão pouco se você mora em casa ou apartamento, se é grande ou pequeno. Na verdade o questionamento refere-se ao cercadinho de crenças que parece delimitar o território interno de nossas percepções, pensamentos e emoções.
Raramente colocamos nossa atenção na carga pesada que carregamos  e sobre a qual pautamos a maioria de nossas ações, carga essa constituída de crenças que herdamos da sociedade na qual estamos inseridos e de tantas outras que agregamos ao longo do caminho. Sejam herdadas ou adquiridas, estamos falando de crenças limitantes que cerceiam a liberdade de movimentos no decorrer da vida.

Sabe quando chegamos na praia e escolhemos um lugar para fincar o guarda-sol e a barraca, na faixa de areia entre o mar e a mureta que separa a praia da avenida? Pois é, fazemos algo muito semelhante com a própria vida. Apesar da vastidão desse Universo sem começo nem fim, da diversidade de forças que nele atuam e que o constituem, de todo potencial criador e criativo que trazemos dentro de nós, acabamos por nos acomodar em um cantinho acanhado e murado que nos guardará dos tantos perigos deste mundo (jura?). Ficamos condicionados a um estreito campo de experiências e atrofiamos nossa capacidade de pensar, discriminar, escolher e expandir.

Acabamos por trilhar caminhos conhecidos, repetir modelos e nos conformar com as limitações, como se elas fossem rochas firmemente assentadas sobre o solo, de tal maneira que as vemos como parte de uma paisagem impossível de ser transformada. Sem dúvida cada geração que nasce supera a anterior e dá um passinho a mais no caminho evolutivo, mas o medo restringe e castra o sonho de liberdade de todos nós.

Como seria viver além do medo? Como seria se tivéssemos consciência de todas as crenças que comandam nossos passos e resolvêssemos incendiá-las até se tornarem cinzas que pudessem ser sopradas ao vento? Quem seríamos nós libertos desse ditador implacável??

Não sei se um dia a humanidade chegará lá, mas sei que podemos começar essa desconstrução aqui e agora. Questione-se sempre, coloque a atenção em tudo que faz, se observe, faça escolhas independentes, separe o joio do trigo. Será que realmente eu acredito que não posso agir deste ou daquele modo ou será que já me acostumei a pensar assim? Será que isto de fato me coloca em risco ou será que o risco maior é viver nesta clausura na qual me coloquei? Vamos acordar?

Quem acredita que ousar, desafiar e mudar é só para quem é muito jovem está intoxicado de crenças limitantes. Que tal fazer um detox? Que tal desapegar do que é tão antigo que já caducou? Que tal importar-se mais com o que você quer do que com o que os outros vão pensar de você?

Há vida além do medo, há vida além do arame farpado que nos separa de todas as infinitas possibilidades de nos sentirmos despertos e felizes!!

Autor: Ana Amorim

Psicóloga Clinica, Terapeuta, eterna curiosa e aprendiz de assuntos metafísicos. Escrevo todos os domingos sobre Comportamento.

Um comentário em “Para além do medo”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *