Descanso

por Ana Amorim /

Estou em férias esperadas, justas, merecidas. Quanto mais amadureço mais prezo por esses dias onde é possível suspender a rotina, os deveres, o trabalho árduo, as preocupações. Quanto mais os anos passam mais compreendo o valor do tempo preenchido pela beleza, por novas descobertas, pelo compartilhar momentos de prazer com aqueles que amamos e que mal vemos na correria do dia a dia.

Férias representam a possibilidade de respirar, de saborear o dia sem pressa nem tédio, de abrir os horizontes e descortinar um mundo paralelo que sempre esteve aí mas que não notamos, tal a maneira com que ficamos mergulhados em nossos afazeres e problemas. Nas férias o sol fica mais luminoso, a lua e as estrelas mais sedutoras, o travesseiro mais macio, o café mais cheiroso. As pessoas ficam muito mais amáveis… ou somos nós que nos tornamos capazes de sentir o mundo assim?

É curioso como a liberdade de ir e vir sem o relógio e sem a agenda promove o aparecimento da criança que um dia fomos e que não cabe na nossa rotina (pelo menos é o que acreditamos). Aquela criança que se lambuzava com o chocolate e que ria da sua cara manchada refletida no espelho; a criança que era capaz de passar horas a fio olhando o movimento das nuvens e decifrando as figuras que elas desejam no céu: olha o urso, o gato, o velho com um saco nas costas. Olha lá a girafa, o navio… Olha lá o mundo sutil que paira sobre a definição de todas as coisas e todas as formas.

Em férias nos permitimos viver na atemporalidade, comer quando bate a fome, dormir quando chega o sono. Viajamos para dentro e para fora de nós mesmos, visitamos lugares desconhecidos, experimentamos sensações diversas. Colorimos o mundo com uma paleta de cores e tons pouco usadas e nunca ousadas na batida diária, onde branco, preto e cinza costumam compor a paisagem que nossos olhos cansados imaginam ver.

Tire um tempo para você. Descanse, relaxe, abstraia-se dos pensamentos e preocupações. Permita-se.

“Não podemos acrescentar dias a nossa vida, mas podemos acrescentar vida aos nossos dias.”                                                                                          Cora Coralina

Até a volta!

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