Férias!!

Passadas as festas de final de ano e toda correria que isso implica, chega o tão esperado momento das férias. Para cada uma de nós férias tem significados diferentes, ou propostas diferentes, que dependem do nosso momento e das nossas possibilidades.

De qualquer maneira o desejo passa pelo não compromisso, pela ausência do relógio e pela oportunidade de se fazer o que bem se entende, sem atrelamentos que nos acompanham todos os outros incontáveis dias do ano!

Férias tem cheiro de terra molhada, de dama da noite que esparrama seu perfume pelo ar, de brigadeiro que gruda no fundo da panela, de maresia, de eucaliptos que balançam ao vento. Tem cheiro de infância, da nossa e de nossos filhos, ou netos. Combina com risada de criança, fila para banho na casa que reúne toda família, o correr para tirar as roupas do varal antes que a chuva caia. Combina também com areia esparramada pelo chão, com ataques de riso frente ao inusitado, com bolas e mais bolas de sorvete com direito a cobertura. Férias tem sabor de liberdade…

Pois é, eu estou saindo de férias e me dei o direito de não levar o notebook, não ficar plugada na internet, trocar o facebook pelo “face to face”. Por esta razão só voltarei com os textos no primeiro domingo de fevereiro. Mas programei algumas poesias que serão postadas nos próximos domingos de janeiro. Achei que férias e poesia também combinam, têm a ver com aproximar-se de si mesmo, tocar o coração, se encher de beleza.

A todos vocês, boas férias! Mesmo aos que vão continuar trabalhando, que não saem nesse período do ano, aproveitem as férias dos outros. A cidade mais esvaziada, o transito que flui, as ruas mais tranquilas, a oportunidade de se fazer o que se deseja sem ter que encarar longas filas, o horário de verão que deixa o dia mais longo, e nos dá a oportunidade de aproveitar o parque, a piscina, o bar com os amigos, a sorveteria com as crianças após o expediente. Pensando bem, férias é um estado de espirito com maior tempo disponível, é vontade de curtir a vida, de buscar o prazer possível, de ter leveza e beleza nos olhos para olhar a vida com outra disposição.

Até a volta, continuem acessando e se deliciem com a poesia!

Ano Novo!

Acaba de nascer um novo ano, recém saído do hábito humano de contar o tempo, como se cada dia fosse uma conta de um terço, e este tivesse 365 contas. Acabado o terço, acaba o ano, e começa a contagem novamente. Vamos percorrer as contas como se o fizéssemos pela primeira vez, e nos enchemos de expectativas, projetando como serão os dias deste “novo” ciclo.

Somos seres complexos; não nos basta o ciclo das estações, tão pouco o ciclo da própria vida. Precisamos de calendário e de relógio, não mais nos guiamos pelo nascer e pôr do sol, pelas características de cada estação, pelas folhas que brotam ou caem das árvores. Precisamos de dia e hora, de GPS, de calendário. Criamos a fantasia de que, ao final de um ano, nos livramos de um montão de coisas que não desejamos mais e, ao iniciarmos outro, renovamos as esperanças e abrimos um leque de possibilidades para alcançarmos o que queremos. De certa forma, esperamos que o ano seja diferente do seu antecessor, e esquecemos que nós é que temos que ser diferentes do que temos sido até então…

É fato que existem variáveis externas de um momento para outro. Os amantes de astrologia entendem que momentos diferentes trazem influencias astrológicas diferentes, de acordo com o movimento dos planetas e os desenhos que formam nos céus através de quadraturas, trígonos e sextis. A numerologia também estabelece que cada número vibra em uma determinada frequência, e que esta produz uma influência sobre nós. De qualquer maneira, essas frequências energéticas são sugestões que podemos aproveitar ou não, mas nada nos tira a responsabilidade pelo que fazemos e como fazemos com nossas vidas.

Então, além de torcermos para que o ano novo nos traga o que desejamos obter, talvez devêssemos fazer o contrário também, devêssemos nos comprometer a fazer com que o ano seja uma oportunidade de realização do que sonhamos. Vamos brincar com a ideia?

Imagine que 2017 seja uma criança que acaba de nascer, um bebê que é colocado sobre o nosso colo. Olhamos para ele, damos as boas vindas, comemoramos sua chegada e??… Bem, não podemos esperar que ele cuide de nós, nós é que precisamos nos organizar para cuidar dele. Nós precisamos nos organizar para aproveitar bem seus dias e suas noites, para abrigá-lo como se abriga a um amigo, dar o nosso melhor para que a convivência seja gratificante. Nós precisamos nos movimentar por suas horas com a consciência de quem sabe para onde está indo, aonde pretende chegar. Com a alegria de quem está aberto a fazer novas descobertas, assim como preparado e bem equipado para atravessar as noites escuras, sem estrelas.

Se o caminho até então percorrido não nos atrai mais, que tenhamos coragem para corrigir a rota e fazer todas as mudanças necessárias, sem perder de vista que mudança é processo, demanda tempo, paciência, determinação e trabalho. E sobretudo amor! Amar para mudar, perdoar para mudar, agradecer para mudar. Como bem colocou o grande poeta português, Fernando Pessoa:

“Tudo vale a pena se a alma não é pequena”.

Que nossas almas se expandam o suficiente para preencherem todos os espaços de 2017; que esses dias que virão sigam o ritmo da alma de cada um de nós, que nossos corações pulsem, vibrem e deem o tom para a espetáculo que acaba de começar. Que possamos compreender que somos os construtores do nosso mundo, e que ele será o resultado daquilo que sonhamos.

Bons sonhos, boas realizações, feliz ano novo!

Domingo de Natal

Hoje é Natal! Para os cristãos a data é especial, comemora-se o nascimento do filho de Deus, que veio à Terra para mostrar o caminho da salvação. Mas independente da religião, o Natal possui tantos outros significados simbólicos. Vamos primeiro separar o joio do trigo; há o Natal dos que saem correndo, de última hora, para comprar presentes, os mais baratos ou mais fáceis, para cumprir tabela no jogo do amigo secreto. Há também aqueles que respiram fundo, tomam fôlego para passarem a noite junto de pessoas que fazem parte do mesmo bando, sem necessariamente haver afinidade. Há o Natal dos que sofrem de solidão, dos que estão distantes das pessoas amadas, dos que perderam um amor para a vida ou para a morte. Há os que não se mobilizam minimamente com essa data, os que não crêem, por medo ou cansaço. Mas, para todos esses e tantos outros, não há a presença do espírito do Natal, é só mais uma data festiva, onde pode-se comer e beber à vontade.

O espírito de Natal é um sopro que toca os que estão de coração aberto e disponíveis para o encontro. No presépio, o filho de Deus é uma criança, um menino deitado sobre a manjedoura. O espírito natalino tem a ver com as crianças, que deixam-se levar pela magia e pelo encanto, que acreditam que Papai Noel vai entrar pela janela e trazer a concretização dos seus desejos. Tem a ver com o renascimento da nossa criança interior, que depois de ficar escondida debaixo do peso de um ano inteiro de trabalho e batalhas de todas as ordens, espreita novamente o horizonte, levanta-se, quer brincar, comemorar, sonhar e acreditar no sonho de um mundo onde pode-se olhar para o outro e reconhecê-lo como um aspecto nosso, uma parte de nós, que por ser diferente nos complementa, nos convida a conhecer outro universo, a trilhar outros caminhos. Um mundo onde a família não é bando, mas grupo, formado de pessoas que compartilham da mesma ancestralidade, que caminham juntas pela jornada da vida, apoiando-se e aprendendo, nos erros e nos acertos, nos encontros e desencontros, mestres uns dos outros, cuja troca de experiências constrói uma possibilidade de ampliação de consciência e expansão da energia amorosa.

Essa energia amorosa é um esboço da energia Crística, de amor e sabedoria, compaixão e perdão, que o menino Deus representa. O Natal traz a possibilidade de reacendermos a chama dessa energia que vive em nossos corações, de incendiá-la para que ganhe vulto, cresça e aqueça o coração de todos que estão ao nosso redor. E quem está ao nosso redor? Engana-se o que pensa só na família e nos amigos, a humanidade inteira está ao nosso redor, estamos inseridos nela, e ela em nós. E a humanidade está inserida na Terra, e esta no Sistema Solar, e este em uma galáxia vizinha a tantas outras galáxias, e portanto, o Universo inteiro compartilha dessa expansão amorosa.

Natal é consciência Crística, somos todos energia luminosa, fagulhas de amor à espera do despertar. Que possamos contatá-la e distribuí-la pelos quatro cantos, pelos quatro elementos e através dos quatro compromissos: a impecabilidade da palavra, a consciência de não levar nada para o lado pessoal (o mundo não gira ao redor de nós), não tirar conclusões (isso nos leva a evitar os julgamentos pessoais), e dar o melhor de si, sempre. Talvez esse possa ser um dos caminhos que nos leve de encontro ao tão sonhado mundo melhor, que não será deixado debaixo da árvore pelo Papai Noel, mas que pode ser construído por nós em cada momento precioso de nossas vidas.

À todas vocês, Feliz Natal!

Tchau querido!

Faltam 13 dias para terminar o ano, e aposto que estamos todos em contagem regressiva, esperando ansiosamente pela descida das cortinas, pelo game over. Vamos combinar que 2016 não foi fácil para ninguém!! Independente das questões pessoais, o cenário político e seus personagens bizarros contribuíram de forma ampla, geral e irrestrita para o peso que estamos sentindo sobre nossos ombros e pela sensação de exaustão que nos toma diariamente; o show de horrores não deu tréguas!

Todos temos um limite para suportar com certa sanidade as nuances grotescas da vida, e quando esse limite é ultrapassado, nos sentimos como se algo se esgarçasse dentro de nós; talvez seja a trama do tecido constituído de esperança, expectativa positiva, confiança, crença na justiça, que fica puído diante da performance desses “ditos” homens da política, que mentem, roubam, dissimulam, arrombam o país e sugam de canudinho o fruto do nosso trabalho escravocrata. E feliz ou infelizmente, 2016 trouxe à tona a ponta do iceberg desse submundo do crime legalizado, e fomos completamente impactados por tudo isso.

É evidente que a conscientização da sociedade sobre o que acontece nos bastidores da política brasileira é extremamente favorável, uma vez que para haver alguma mobilização para a mudança se faz necessário dar-se conta do problema, reconhecê-lo e nomeá-lo. É evidente tanto quanto que a mudança do calendário não alterará magicamente todo esse panorama. Mas estamos precisando de um tempo, de uma brecha, de uma pausa para respirar.

Talvez as festas de final do ano nos ofereçam essa oportunidade. Vamos diminuir o ritmo do trabalho, nos voltarmos para a família e amigos, celebrarmos a vida e à vida junto às pessoas que amamos, afinal não há mal que nunca acabe, continuamos caminhando, elaborando as perdas e ganhos, aprendendo e crescendo em percepção e consciência.

Daqui a uma semana será Natal, e a duas semanas será Ano Novo. Para muito além da comilança e dos presentes há a chama do renascimento e do recomeço; quando uma lição foi aprendida não há necessidade de ser repetida, podemos passar para a próxima. Que possamos reconhecer com gratidão que a dificuldade nos fortalece, nos faz descobrir talentos e recursos internos que até então estavam adormecidos. Claro que não queremos nos descobrir só através do caminho das dificuldades, queremos mais sossego e alegria, prazer e facilidades. Mas estamos aqui, vivos na reta final dessa maratona, quase rasgando a fita.

Estamos aqui para olhar para 2016 e dizer, em alto e bom tom, tchau querido!!

Esquisitices

Sentei em frente ao notebook buscando inspiração para escrever o texto de hoje, mas devo confessar que está difícil. As ideias surgem na minha cabeça, mas nenhuma delas me arrebata o suficiente para ser escolhida e burilada. É como se eu caminhasse por um imenso jardim cheio de canteiros com flores variadas, admiro-as, algumas me atraem mais, outras menos, mas nenhuma me detém.

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Há dias em que nos sentimos assim, como andarilhos percorrendo o caminho dos pensamentos, ou talvez eles, os pensamentos, se comportem como andarilhos inquietos se movendo em nossas cabeças, ciganos e fugidios, feito paisagens que desfilam diante de nosso olhar através das janelas do trem. Sabe aquele dia em que você vai ao shopping, experimenta blusas e sapatos, e sai sem sacola alguma porque nada parece satisfazer?

Pois é, acho que isso acontece com todas nós, mas… por que? A primeira ideia que me ocorre é que, nesses dias, estamos ausentes de nós mesmas! Por alguma razão, frequentemente inconsciente, emitimos um sinal de ocupado, não estamos disponíveis, não estamos presentes no aqui e no agora, entra o piloto automático que nos governa através do dia e somos capazes de realizar todas as tarefas rotineiras, mas temos dificuldade em estabelecer a conexão interna. Se eu não estou me comunicando comigo mesma neste momento, como poderei me expressar e me comunicar com o outro? Como poderei abrir as comportas do processo criativo e fazê-lo fluir?

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Nos sentimos esvaziadas, desconectadas parcialmente da vida, vagando feito almas penadas entre o nada e coisa nenhuma. Enquanto não fizermos um mergulho dentro desse estado emocional esquisito, para poder entrar em contato e compreender o que está acontecendo, ficamos imobilizadas nele. Quando nos falta vivência, nos obrigamos a continuar “no mundo” apesar dessa ausência em nós, e o resultado tende a ser desastroso. Tumultuamos as relações e projetamos no outro a razão da confusão, discutimos, nos perdemos, não encontramos a chave do carro, a conta a ser paga, salgamos a comida, adentramos por conversas improdutivas que só nos fazem criar distancia ainda maior do centro da questão, que, via de regra, é interno.

A vantagem da maturidade pode ser aproveitada nesses momentos. Poder silenciar e voltar-se para dentro é uma boa alternativa. Permitir-se o recolhimento, nem que seja por alguns minutos, o recuo para recuperar a energia e poder voltar a circular. Não temos que representar o mesmo personagem o tempo inteiro, precisamos reconhecer nossas limitações e necessidades, respeitar o ritmo interno sem que isso seja interpretado por nós mesmas como fracasso ou incompetência.

É mais produtivo adiar aquela conversa, deixar para retornar o telefonema mais tarde, remarcar o almoço com a amiga em outro dia, afinal o mundo aguenta ficar sem nós. Somos nós que não aguentamos atuar no mundo quando nos encontramos desconectadas. Eu preciso estar em mim e comigo para poder estar com o outro; do contrário não há a menor possibilidade de empatia. Vamos usar nossos recursos de acordo com a lei da economia de energia, vamos nadar a favor da correnteza, poder boiar quando nos falta força até retomarmos o folego e, a partir disso, conseguir novamente sair nadando de braçada pelas águas correntes da vida!

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