Camiseta com frase

Desde que a Dior desfilou em sua passarela uma camiseta branca com os dizeres “We should all be feminists” [Nós todos devemos ser feministas], a moda das camisetas com frases de empoderamento pegou como fogo em rastilho.

O estilista Prabal Gurung também aderiu, com frases políticas e feministas:

Que as peças acima estão super na moda e que estão sendo consideradas como extensão das redes sociais (é como se você usasse uma hashtag #), não há dúvidas.

Já as com palavras únicas como Merci, Ciao e Salute pouco comunicam, fazem só uma “gracinha” mesmo.

E aqui, no nosso universo +50, será que são usáveis? Vocês gostam?

Particularmente, tenho que acreditar muito numa causa para sair com sua mensagem na roupa. Das acima só usaria a da Dior: com sentença da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, é feminista sem ser agressiva, unifica homens e mulheres indistintamente.

E, a propósito, também uso a qualquer tempo camisetas do Doctor Who ou do Queen. Acho que o que a gente AMA tem todo o direito de sair conosco, orgulhosamente estampado no peito! Não é mesmo?

Machismo

O projeto PostSecret tem posts novos todos os domingos. Já é um ritual para mim esperar pelos novos segredos, sendo que muitas vezes me sinto como voyeur e em outras como cúmplice de quem escreveu.

Percebo, por ele, como nossa voz não é ouvida muitas vezes, e como há situações em que simplesmente não podemos falar.

Este final de semana aconteceu uma coisa que me deixou perplexa e me deu a dimensão exata do machismo em que estou inserida.

Estivemos fora de São Paulo e, na volta, falávamos do hotel maravilhoso em que havíamos ficado. Meu marido se referiu a ele como “pousada” pela segunda vez, ao que eu corrigi que era um hotel, não uma pousada. O que ouvi então, em uma voz irada, foi inesperado:

“- Quem você pensa que é para me corrigir na frente de outras pessoas?”

Hoje penso que deveria ter dito que sou a esposa dele, uma pessoa culta e inteligente e que, portanto, tenho direito à palavra. Mas na hora simplesmente fiquei muda, chocada com a grosseria e desrespeito.

Espero que a nova geração consiga viver em uma sociedade mais igualitária. Infelizmente, até minha geração ainda está imbuída de machismo e tratando suas mulheres com menosvalia.

Os musos da FLIP

Na Flip – Festa Literária Internacional de Paraty – deste ano, a Folha de São Paulo fez uma reportagem ímpar com três autores presentes: eles foram sagrados “musos” da Feira e responderam a perguntas que normalmente são destinadas às mulheres, como “qual a rotina de beleza, os cuidados com o corpo e a dificuldade em conciliar carreira e filhos”.

As respostas foram bem humoradas e igualmente irônicas. O poeta e tradutor Guilherme Gontijo Flores disse: “Eu tenho medo de acharem que eu sou apenas um rostinho bonito sem conteúdo. Espero que valorizem também meu trabalho e não apenas o meu corpo”. [risos]

A grande importância dessa brincadeira é mostrar a disparidade da atenção dada a um homem e à uma mulher de destaque. Veja só: ninguém se importa com o que o homem está vestindo, o foco é sempre para seu trabalho. Já no caso feminino, por mais importante que seja o cargo, as perguntas são rasas e costumeiramente o julgamento de valor não é pelo trabalho, e sim pela aparência. Está mais do que na hora de mudarmos isso!

Outra frase de Flores: “A questão é não existir essa cisão sexista em que a mulher é da ordem do corpo e o homem é da ordem da mente. Isso é terrível.”

Precisamos nos policiar para nós também não reduzirmos as mulheres a cabides de roupas e maquiagem. Vamos dar a devida atenção às carreiras e feitos de nossas iguais!