ELAS – A separação do feminino, primeira etapa da jornada

Começamos o caminho da heroína com Nyai Loro Kidul, deusa sereia da ilha de Java. Nyai era a filha única do rei Pajajaran. Como a lei não permitia que uma mulher reinasse, seu pai casa-se novamente para ter um filho que ocuparia o trono depois de sua morte. Sua nova esposa lhe dá o tão aguardado herdeiro.

A rainha, no entanto, tinha grande ciúmes da beleza de Nyai Loro Kipul. Diz, então, ao rei que ele deveria escolher entre ela e sua filha, ameaçando abandonar o palácio com o futuro herdeiro em caso de decisão desfavorável. Incapaz de decidir, o rei recorre a uma feiticeira. A bruxa faz com que Nyai se torne vítima de uma doença de pele incurável, pois acreditava que a princesa, não sendo mais bela, poderia continuar no castelo sem incomodar a invejosa rainha.

Mas Nyai não se conforma com sua nova condição. No seu desespero, ela ouve uma voz dizendo-lhe que se atirasse ao mar, pois lá poderia curar-se. Então, ela deixa o palácio e lançar-se ao oceano. Os demônios e espíritos a acolhem, restabelecem sua beleza e a coroam como a Rainha dos Mares do Sul.

Em nossa sociedade, o mundo é visto através de uma perspectiva masculina. Assim, as características associadas ao feminino são julgadas distorcidamente como inferiores. Por muito tempo mulheres foram consideradas passivas, dependentes, manipuladoras, sedutoras, carentes de poder. Em nossa cultura, que internalizou esse mito, surge uma dualidade: de um lado, o mundo masculino que parece valorizar a independência e o sucesso, e do outro, o universo feminino que parece ensinar a viver através do outro e não buscar sua própria realização.

Segundo Joseph Campbell, a tarefa do herói e da heroína é romper com a ordem estabelecida e criar uma nova.
Assim sendo, o primeiro passo nesse sentido se dá pela separação do feminino, muitas vezes representada pela rejeição da mãe ou pela rejeição de seu modo de viver. No entanto, ao fazermos isso, negamos aspectos da natureza feminina tais como a criatividade, a sensualidade, a intuição, etc. Para alcançarmos a cura dessa separação e atingir um estado de inteireza é preciso avançar nessa jornada. É um caminho de desafio e surpresas. Vamos?

Você está presente? (Deixe de se preocupar…!)

Frases de Eckhart Tolle para lembrar que apenas o Agora é real:

“O que quer que você experimente, sinta, faça ou pense, sempre acontece no Agora.”

“Você é o céu. As nuvens são as coisas que acontecem, o que vem e vai.”

“Esteja presente, alerta, conectado com o poder do agora e da consciência,  que é quem você realmente é.”

“A  identificação com aos diálogos dentro da mente faz com que os pensamentos se tornem compulsivos.”

“Presença é um estado de percepção e de consciência do Agora.”

Aproveite a vida

Mês de março. Já.

Como vivi esses dois primeiros meses do ano? Foram dias em que me senti viva ou apenas repeti o mesmo dia quase 60 vezes?

E os meus mais de 50 anos? Foram anos interessantes, ou me limitei a reeditar um roteiro que havia sido escrito muito antes da minha chegada a este planeta?

Essas são perguntas que merecem ser respondidas honestamente. À medida em que o tempo passa e que avançamos nos anos, elas se tornam ainda mais primordiais. Afinal, estamos na contagem regressiva, certo? E não digo isso com amargura ou com intenção de assustar. Em algum momento, cada um de nós irá embora. Não há novidade nisso. Assim sendo, esse questionamento é essencial: estou aproveitando meus dias, minhas horas, meus minutos, cada instante?

Antes de mais nada, o que significa “aproveitar”? Pois bem, antes, para mim, essa palavra tinha a conotação de me divertir, dançar, rir, estar em companhia agradável. É claro que há momentos especialíssimos na vida, viagens, amor, vivências variadas. Mas, hoje, acho que aproveitar não se limita à diversão. A prova é que estamos cercados de meios para nos distrair: jogos eletrônicos, filmes, séries. É muito simples apertar um botão e desligar o mundo. Mas, isso é estar vivo? Esse estado de conforto aparente diante de uma tela pode abrigar um profundo vazio.

Já me senti viva estudando, dançando sozinha na minha sala, conversando com uma pessoa querida, assistindo aula sobre um tema que me fascinava, vendo um documentário que me fez rever conceitos. E já me senti amortecida no meio de uma festa, por assim dizer, “maravilhosa”. Não é apenas o exterior que conta, o maravilhoso está dentro de nós.

Às vezes, a vida que se apresenta é desafiadora. É assim. O que fazer? Onde fica o “aproveitar” quando há alguém doente na família, quando falta dinheiro, quando algo desconcertante ocorre? Nesse momento, o aproveitar se transforma em aprendizado. Sem fugir e sem desesperar, diante do inevitável, a gente procura absorver toda a lição contida nele. E assim, “aproveita a oportunidade” para crescer.

Gosto da frase de Aldous Huxley:

“Experiência não é o que acontece com um homem; é o que um homem faz com o que lhe acontece.”

 

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Silêncio, por favor

Som de televisão, de música, de internet. Latido de cachorro, miado de gato, grito de criança. Carro acelerando na rua, buzina. Gente no telefone, uma conversa que começou, mas parece não ter fim.

Tudo isso faz parte da vida. Estamos tão habituados à agitação, ao enorme volume de informações e de solicitações às quais somos submetidos que raramente nos damos conta do quanto isso nos sobrecarrega.

É bem verdade que para haver equilíbrio é preciso a presença das duas polaridades: movimento e quietude. E, talvez por não serem frequentes, os momentos de calma e isolamento tendem a me encantar.

Neste mundo conectado, encontrar tempo para si mesmo parece um artigo de luxo. Tanto que há “spas”, mosteiros, espaços que propõem dias de desconexão, silenciosos em um ambiente de natureza. A ideia é bem atraente para mim. E para você?

 

“Não podemos ensinar nossas crianças a competir com as máquinas, pois estas são mais inteligentes.”

 Você tem a sensação de não acompanhar o ritmo de mudança que ocorre na tecnologia? É uma situação compartilhada por todos aqueles que são meramente usuários, e não criadores, dos instrumentos, máquinas e recursos que vão progressivamente sendo colocados à nossa disposição: internet das coisas, assistente pessoal, casa inteligente… Enquanto escrevo este texto o que mais já terá sido inventado? Tenho certeza que estou defasada. Toda essa nova infraestrutura altera nossa forma de estar no mundo.

Há algumas semanas, no World Economic Forum em Davos, isso foi debatido. De acordo com o McKinsey Global Institute, robôs poderão ocupar 800 milhões de postos de trabalho por volta de 2030, isto é, dentro de 12 anos. A automação e a inteligência artificial tornarão o trabalho manual e repetitivo obsoleto.  Diante desse quadro, o que fazer?

Passo a palavra para Jack Ma é um dos homens mais ricos e poderosos do mundo, fundador e chefe do Grupo Alibaba, conglomerado tecnológico multinacional.

“Educação é um grande desafio agora. Se nós não mudarmos nossa maneira de ensinar, dentro de 30 anos nós estaremos com um grande problema. A base do que ensinamos se refere aos últimos 200 anos. Nós não podemos ensinar nossas crianças a competir com as máquinas, pois estas são mais inteligentes. Os professores precisam parar de ensinar conhecimento. Temos que ensinar algo único, algo que uma máquina não possa jamais alcançar. Valores, crenças, pensamento independente, trabalho de equipe, atenção e cuidado para com os outros. O conhecimento informativo não pode ensinar isso. Eu acho que nós deveríamos ensinar esportes, música, pintura, arte. Dessa forma, garantir que os seres humanos sejam diferentes. Tudo o que ensinamos deve ser diferente das máquinas. Se uma máquina pode fazer algo melhor do que um ser humano, temos que levar isso em consideração.”

Adorei essas palavras, vindas de alguém que vive em meio à tecnologia. Ele nos diz: vamos lembrar o que nos faz Humanos! Diante do avanço da informática, diante da nossa incapacidade de produzir no mesmo ritmo que as máquinas, temos que lembrar da nossa humanidade, nossa capacidade de nos conectarmos uns aos outros, de sermos solidários, de expressarmos nossas angústias e nossas alegrias através da escrita, da dança, do desenho, da fotografia, da escultura, da culinária, entre outras formas. Lembrarmos da nossa fragilidade e da nossa filosofia. Recordarmos nossa capacidade de sonhar e de sermos únicos. Aquilo que nos distingue das máquinas não está no plano do fazer, mas do Ser. Sejamos!