Autonomia

Há algumas semanas eu comentei sobre um ritual de final de ano que sugeria a escolha da palavra-chave que nortearia a direção a tomar em 2018. Na verdade, eu fiquei pensando a respeito, mas não conseguia escolher. Felicidade? Abundância? Eu queria algo que tivesse uma real ressonância. Pois bem, hoje, do nada, ela surgiu:

Por que autonomia? Não é uma palavra sobre a qual eu tivesse tecido grandes considerações.

Eu explico. A vida familiar me ocupa muito. Cuidar é algo que eu levo a sério. Isso vai desde as plantas, a cadela, a casa, a comida, o bem-estar de cada um. Também tenho pais idosos. Maravilhosos, mas idosos e eles demandam atenção. E isso, claro, não é tudo. Tenho meu trabalho como professora, como tradutora e gosto de estar atualizada com a imprensa francesa e poder compartilhar isso com meus alunos. Como sou instrutora de Being Energy, todo ano faço cursos de reciclagem e tenho que praticar sempre os movimentos. Além disso, participo de um grupo de estudos sobre espiritualidade e, junto com minha amiga Ana, que publica neste blog todos os domingos, coordeno um círculo de mulheres. Ah! E tem que sobrar tempo para ficar bonita e cheirosa, claro.

Tenho certeza de que esse ritmo de vida não é exclusividade minha. Muitas mulheres atuam em várias áreas da vida ao mesmo tempo, cuidando, provendo, se desenvolvendo. É rico e produtivo. Mas não é fácil. Às vezes, parece um excesso, parece que fazemos tanto… que tem alguém fazendo pouco demais. E é aí que a autonomia entra.

Quando penso em autonomia, penso em fazer com que meu filho seja muito mais independente e assuma mais responsabilidades dentro (e fora) de casa. Que ele faça um pouco mais e eu, um pouco menos. Que ele se torne mais autônomo.

Com relação a decisões, educação, tarefas, há tantas pequenas coisas que podem ser divididas com o marido. E por que isso não é feito o tempo todo?  Porque eu simplesmente nem lembro dessa possibilidade. Quando me dou conta, já fiz. Você também é assim? Pois, neste ano, que cada um arque com sua parte no bolo das tarefas, construindo um dia a dia mais leve.

Há a autonomia financeira. Quem não quer? Essa é uma meta pela qual vale a pena se esforçar. E finalmente, há a autonomia emocional. Em 2018, que minhas escolhas possam ser cada vez mais pessoais, cada vez menos dependentes de opiniões alheias.

Pois a ideia é ter e dar autonomia para que a vida possa se desenvolver mais livremente. Não é uma palavra ótima para que o ano seja Realmente novo?

Saturno na Cabeça!

Hoje comprei uma agenda. Não é uma agenda artística, importada, bonita, como eu sempre procuro. É uma agenda básica, semanal, cinza, com uma boa diagramação para tornar possível uma melhor organização. Pois é, mesmo sem pensar no assunto, acabei comprando uma agenda “saturnina”. A vida é assim.

Dizem os astrólogos que este ano estará sob a égide do bom e velho “Saturnão”, astro temido por alguns por conta do sentido de responsabilidade (cobrança?) que ele imputa. Saturno rege as estruturas, os ossos, o tempo. É aquele que representa o arcabouço e o caminho sem atalhos. Saturno é exigente e as conquistas associadas a ele são resultado de esforço e de trabalho. Logo, é melhor deixar logo de lado a preguiça e atacar os projetos, com método, paciência, perseverança.

Não é para desanimar, viu? Consistência e foco são qualidades que precisamos sempre desenvolver ou aperfeiçoar. Decidi aceitar o desafio saturnino e melhorar nesse aspecto. Tenho uma boa quantidade de trabalho à frente, pois sou meio “artística” e volta e meia faço coisas baseadas mais na intuição do que na razão. Toca criar uma estrutura mais organizada e ter mais método no dia a dia. Será que vai ficar chato? Isso eu não sei, e quando descobrir escrevo um outro post.

4 Rituais para começar 2018 com o pé direito

Por que não praticar algum ritual para iniciar bem o ano? É sempre bom colocar um pouco de energia positiva na vida. Pensando nisso, fiz alguma pesquisa e selecionei quatro rituais que me parecem bem legais:

  • Palavra chave

Tudo começa com uma olhadinha no ano que está acabando e com um breve balanço, pois a partir da consciência do lugar e estado no presente a gente pode fazer melhores escolhas para o ano que começa.

Então, toca a escolher uma palavra chave. Ela é um recurso para ter claro em que direção se quer caminhar. Ela deve nos inspirar a alcançar aquilo que consideramos um estado ideal em nossa vida. Abundância? Liberdade? Amor? Zen?  Escolha algo que ressoe intimamente, sem levar em consideração a opinião de outros.

Encontrou? Ótimo! Deixe a criatividade correr solta e faça um desenho, cole a palavra no armário, faça com que ela esteja visível. A rotina e a correria do dia a dia nos fazem esquecer até as coisas mais fundamentais. E você não quer esquecer o que quer alcançar, certo?

  • Quadro dos desejos

Sabe quando estamos folheando uma revista e de repente damos aquela paradinha, por que algo chamou atenção? Pois é, arranque a página e recorte. Seguindo sua intuição, procure em revistas, imagens, palavras citações e ou frase que inspirem. Espalhe sobre uma superfície plana e perceba o que essas imagens comunicam de especial para você. Você pode reagrupá-las por área de vida (pessoal, profissional, familiar…) ou seguir sua própria inspiração.  

Você pode fazer uma colagem e colocar em um local estratégico para poder ver sempre e para que as imagens e palavras se inscrevam na cabeça e no coração.  

  • Deixe ir !!!

Ritual fácil e eficiente. São necessários: alguns minutos, papel e caneta. Basta escrever o que não nos serve mais, o que queremos largar de vez. Exemplo: ex-marido, quilos, lembranças tristes, emprego chato…

E então, (que maravilha!!), a gente passa o papel na trituradora, ou queima, onde for possível! Que sensação boa! A ideia é parar de arrastar o que não serve mais e eliminar da vida aquilo que nos perturba!

  • Uma carta para você mesma! 

A ideia é escrever para si mesma uma carta e se desejar a realização de todos os sonhos, mesmos os mais loucos. Considere os aspectos pessoais, profissionais, de família, emocionais, financeiros. Nessa carta, você projeta em que situação quer se encontrar daqui a um ano.

Então, coloque essa carta em algum lugar especial, ou peça a alguém para entregá-la a você em dezembro de 2018, que é quando você vai relê-la.

Fiquei curiosa para saber qual será a sensação de rever os sonhos e descobrir o que terá sido conquistado!

Espero que algumas dessas ideias a inspirem e que elas se revelem instrumentos para colocar foco na vida. Vamos “esquentando os motores” para criar sempre o melhor para nós e para aqueles que nos rodeiam!

Que seu Natal seja lindo e que seu coração esteja leve!

Fonte: http://yoopa.ca/psychologie/parent/relations-familiale/quatre-rituels-pour-commencer-la-nouvelle-annee-en-beaute

“Você pensa e fala demais. Deixe de falar sozinho.”

“- Você fala sozinho demais. Não é só você que faz isso. Nós todos o fazemos. Temos diálogos internos. Pense nisso. Sempre que você está só, o que você faz?

– Converso comigo mesmo.

– Sobre o que conversa consigo?

 – Não sei, sobre qualquer coisa, imagino.

– Vou lhe dizer a respeito de que conversamos conosco. Conversamos sobre nosso mundo. Na verdade, conservamos nosso mundo com nossos diálogos internos.

– Como o fazemos?

– Sempre que terminamos de falar conosco, o mundo está sempre como devia ser. Nós o renovamos, o animamos com vida, o mantemos com nosso diálogo interno. Não é só isso, mas também escolhermos nossos caminhos ao conversarmos conosco. Assim, repetimos as mesmas escolhas várias vezes até o dia da nossa morte, pois ficamos repetindo o mesmo diálogo interno a vida toda, até o fim. Um guerreiro sabe disso e procura parar de falar. Esse é o último item que você tem que aprender se quiser viver como um guerreiro.”

Uma Estranha Realidade”, Carlos Castaneda

Segundo dom Juan, homem de conhecimento, profundo conhecedor da tradição tolteca e mestre de Carlos Castaneda, o diálogo interno é aquilo que conserva nosso mundo da forma com ele é. Embora surpreendente a princípio, a declaração de dom Juan é de uma lucidez cristalina. Pois não vivemos hoje em um mundo onde os problemas psiquiátricos atingiram uma proporção nunca antes vista?

Segundo o neuropsicólogo americano Rick Hanson nosso cérebro capta as experiências negativas com maior intensidade do que as positivas. Assim, se ouvirmos 10 elogios e um crítica durante o mesmo dia, a crítica ficará mais presente no cérebro. E aí, lá vamos nós conversando obsessivamente conosco.

Somos todos meio vítimas do falar incessante da nossa mente, que compulsivamente nos fazer rememorar fatos, ansiar pelo momento seguinte, ou listar tudo o que devemos fazer, ser ou parecer. É quase uma máquina cujo botão para desligar é inexistente.  Nosso diálogo interno vai recriando nosso mundo, repetindo as angústias, reafirmando crenças. Fica a pergunta: Que mundo estamos criando e recriando através dessa mente falante?

E é nesse contexto que meditações, técnicas tais como Mindfulness (atenção plena) começam a ser cada vez mais praticadas, estudadas e respeitadas. Vários hospitais americanos estão utilizando a meditação para prevenir recaídas depressivas e algumas escolas já integraram a prática meditativa como um meio para melhorar a concentração.

Além disso, fiquei agradavelmente surpresa ao saber que o especialista Christophe André apresentou nesta semana, no dia 12, uma conferência sobre a meditação na Assembleia Nacional francesa.

O pensamento criativo, ideias novas, inspiração surgem quando estamos presentes. A fala contínua e repetitiva da mente estressada só causa incômodo. Em vista de tudo isso, deixo as palavras de dom Juan a título de lembrete:

“- Você pensa e fala demais. Deve parar de falar sozinho.”

Escolha a Alegria!

A cada dia temos de presente 24 horas só para nós. O que fazemos com elas?

Há dias bons, outros nem tanto. Em algumas manhãs, saltamos da cama, ansiosos pela vida. Às vezes, queremos apenas dormir e esquecer o que se anuncia. Somos assim. Mas, de qualquer forma, sempre podemos escolher. Escolher como vamos encarar a realidade que se descortina diante de nós. Escolher reclamar ou celebrar.

Hoje, fiz uma seleção de frases de dois pensadores que me inspiram muito. Todas elas falam de coragem, de vida, de alegria. Espero que elas possam lhe trazer um sopro de energia, assim como fazem comigo.

Osho

“Sempre que houver alternativas, tenha cuidado. Não opte pelo conveniente, pelo confortável, pelo respeitável, pelo socialmente aceitável, pelo honroso. 
Opte pelo que faz o seu coração vibrar. Opte pelo que gostaria de fazer, apesar de todas as consequências.”

“A palavra coragem é muito interessante. Ela vem da raiz latina cor, que significa “coração”. Portanto, ser corajoso significa viver com o coração. E os fracos, somente os fracos, vivem com a cabeça; receosos, eles criam em torno deles uma segurança baseada na lógica. Com medo, fecham todas as janelas e portas – com teologia, conceitos, palavras, teorias – e do lado de dentro dessas portas e janelas, eles se escondem.

O caminho do coração é o caminho da coragem. É viver na insegurança, é viver no amor e confiar, é enfrentar o desconhecido. É deixar o passado para trás e deixar o futuro ser. Coragem é seguir trilhas perigosas. A vida é perigosa. E só os covardes podem evitar o perigo – mas aí já estão mortos. A pessoa que está viva, realmente viva, sempre enfrentará o desconhecido. O perigo está presente, mas ela assumirá o risco. O coração está sempre pronto para enfrentar riscos; o coração é um jogador. A cabeça é um homem de negócios. Ela sempre calcula – ela é astuta. O coração nunca calcula nada.”

“Esqueça essa história de querer entender tudo. Em vez disso, viva, em vez disso, divirta-se! Não analise, celebre!”

 
Joseph Campbell

“Siga a sua alegria, e o mundo abrirá portas para você onde antes só havia paredes.”

“Precisamos estar dispostos a nos livrar da vida que planejamos, para podermos viver a vida que nos espera. A pele velha tem que cair para que uma nova possa nascer.”

“Dizem que o que procuramos é um sentido para a vida. Penso que o que procuramos são experiências que nos façam sentir que estamos vivos…”

“Encontre um lugar em você onde haja alegria e a alegria vai eliminar a dor.”

“Não podemos curar o mundo de seus pesares, mas podemos escolher viver com alegria.”