Viver de Verdade

Viver de verdade é seguir seu mapa interno.
Não é necessário se curvar a nenhum padrão mas, simplesmente, entrar em contato com o próprio ser e perceber aquilo que nos faz sentir vivos.
Lembro-me de um fim de tarde em Paris, onde eu estudava. Eu voltava de uma caminhada e parei para admirar o rio Sena. De repente, tive a percepção de como aquele momento era único e precioso. Um sentimento de gratidão e de alegria tomou conta de mim. Eu estava no lugar certo, na hora certa, fazendo a coisa certa. Nada a dizer. Tudo a viver.

Esse momento ainda está comigo, assim como muitos outros, onde estive, de fato, presente. É fácil perceber a diferença, pois há tantas outras ocasiões em que ficamos apenas “cumprindo” algo, representando um papel, fazendo de conta que estamos nos divertindo ou nos interessando, quando na verdade… a alma está longe, em outro lugar.

Acho que resgatar a alegria de viver é retomar contato com essa alma, que de tanto “cumprir” se esquece de existir e de cantar. É perguntar a ela: “E, então? O que te faz feliz?”

Afinal de contas, o que pode ter mais importância na vida do que andar pelos caminhos que importam, que são significativos, descobrindo atalhos, veredas e guias que desvendam passagens nunca antes imaginadas? E como fazer esses percursos se nos limitarmos a repetir, sem sentir emoção alguma, a trilha de alguém que já fez, nos arrastando por um trajeto que não é nosso?
Viver de verdade, para uma mulher, é descobrir dentro de si uma guerreira, que pode enfrentar intempéries e, mesmo na turbulência, se perceber pronta para amar.

Não quero! Quero!

Não quero.
Nossa sociedade privilegia a negatividade. Programas de televisão que exploram minuciosamente os casos policiais, reality shows em que vemos pessoas brigando têm audiência garantida. O fato é que desde crianças ouvimos lamúrias de vários tipos e em vários tons. As discussões sobre os descalabros da política, as dificuldades nos relacionamentos, as censuras dos pais por não sermos exatamente o que eles tinham em mente… Em poucos anos aprendemos a “colecionar o negativo” e esquecemos de agradecer ou valorizar o positivo.

Assim, já adultos, nós nos tornamos detectores eficientes de tudo o que não queremos. Mas, esse processo, muitas vezes torna-se inutilmente acusatório. “Eu não quero que você chegue tarde. Eu não quero que meu filho brigue na escola. Eu não quero que meus amigos fiquem distantes. Eu não quero ser obrigada a cumprir sempre os mesmo rituais dominicais”, etc. Pronto: ingredientes perfeitos para se compor uma sopa muito indigesta. Primeiro, só vemos o que não queremos. Segundo, não temos poder nenhum, pois somos “vítimas”.

A identificação do negativo tem que ser uma etapa em direção aquilo que queremos. É importante sim, enxergar, perceber as mudanças na vida que se fazem necessárias. Mas, cuidado com os “ não quero…” eternos. Eles podem aprisionar. No fundo, são desculpas, pois não nos obrigam a fazer nenhuma mudança, já que o culpado é o outro. E quando o negativismo se torna constante paramos de acreditar que podemos transformar, paramos de sonhar. Para agir temos que ser criativos. E não há criatividade em reclamações repetidas e em crenças sombrias.

Quero!
Quando se identifica algo que não é bom, é preciso passar rapidamente para a fase do “quero”. Vamos pegar um exemplo exagerado. Alguém que reclama para si mesmo: “Não quero mais ter essa vidinha sem sentido. Estou sempre só e não faço nada de diferentes nos finais de semana!”

Passar seus dias repetindo mentalmente essa frase só terá o efeito de cristalizar esses pensamentos e dar-lhes força suplementar, criando a sensação de estar sem saída. Existe a consciência do não desejo, mas o desejo está submerso na descrença e na desistência. A solução é agir na criação: “Quero muito fazer algo diferente neste fim de semana. Vou selecionar uma peça de teatro. Vou convidar um amigo. Acho que vai ser muito legal.”

No fundo, o fato de poder imaginar, sonhar algo diferente, já é uma saída. É a liberdade mental de estabelecer o novo, de sair do lugar conhecido e arriscar novos passos em direção ao desejo. Ninguém sabe o que poderá acontecer. Mas, a sensação de estar tomando para si a direção do seu destino é única. É o reino do quero, do gosto, do desejo e faço. Reino de infinitas possibilidades.

O Poder do Hábito

Por que fazemos sempre as mesmas coisas, do mesmo jeito? Por que somos tão terrivelmente repetitivos?
O livro “O Poder do Hábito” deixa claro que mudar não é fácil, embora seja possível, quando tomamos consciência de como os hábitos funcionam. Mas que fique claro: este não é um livro de autoajuda.

Bem embasado, ele é voltado especialmente para o mundo corporativo (os hábitos que modificam empresas, o uso que elas fazem de comportamentos padrões de consumo para poder prever e nos incentivar a comprar mais…) mas não se limita a isso. É agradável e interessa mesmo aqueles que, como eu, não vivem a realidade das grandes firmas. Charles Duhigg usou casos concretos e pesquisas (há uma muito interessante sobre a força de vontade) para trazer o tema para nosso cotidiano e fiquei com a sensação, meio incômoda, é verdade, de ser uma peça em uma engrenagem maior. O que não deixa de ser uma tomada de consciência. Gostei.

“A Gata do Dalai Lama” e “A Arte de Ronronar”

 

Se você, como eu, está cansado de ouvir que o mundo está caótico e que o comportamento humano é desalentador, esses dois romances de David Michie são para você.

Através dos olhos da simpática gata protagonista nos é apresentada uma outra realidade: compaixão e compreensão reinam soberanas no reino do Dalai Lama. Quero mudar para lá!

Os dois livros são leves, mas não superficiais. Os conceitos do budismo são transmitidos através de histórias e eventos cotidianos da vida de pessoas comuns. A possibilidade de autotransformação, de redenção, é sempre presente.

A leitura é fácil e agradável. Após terminar os livros, fica o sentimento de esperança e a vontade de agir mais amorosamente. As palavras do autor, na primeira página do livro “A Gata do Dalai Lama”, se tornaram um mantra para mim:

“Que todos os seres alcancem a felicidade e todas as causas verdadeiras da felicidade.
Que todos os seres se libertem do sofrimento e de todas as causas verdadeiras do sofrimento.”

Que assim seja!

Fundação Ema Klabin

Um passeio delicioso para quem está em São Paulo neste feriado é visitar a Fundação Ema Klabin, “casa museu” situada à Rua Portugal, esquina com a Avenida Europa.

A Fundação tem como missão preservar a memória de Ema Klabin, empresária e filantropa, falecida em 1994, e divulgar sua coleção.

A partir dos anos 40 Ema Klabin passou a adquirir obras de arte, formando assim um conjunto de telas de pintura europeia e de itens de mobiliário europeu antigo.

Idealizada sob medida para abrigar sua bela coleção, a casa foi inaugurada no final de 1960. Ampla, clara, orgânica, ela integra o jardim à decoração. Telas de Di Cavalcante e Lasar Segall, lindos objetos decorativos, móveis clássicos, se sucedem nos diferentes ambientes. É um verdadeiro prazer passear ali.

Mas como a Fundação não tem nenhum espaço gastronômico, se você quiser fazer “uma boquinha” será preciso ir a outro lugar. Uma boa ideia é atravessar a rua e ir tomar um café no MIS – Museu da Imagem e do Som. Essa cafeteria que tem como principal atrativo o fato de ser situada na própria loja do Museu. Ou seja, depois de um espresso ou suco (não há grandes opções) pode-se ficar calmamente vendo todas as coisas expostas lá. Como a-do-ro loja de museu, me diverti muito.

São Paulo tem alguns lugares pouco visitados e cheios de charme. A Fundação Ema Klabin está entre eles. Uma boa opção!