A favor da idade

Nesta sociedade de consumo imediato, pronto, de modinhas, preceitos e preconceitos, a passagem pela década dos 50 anos causa um friozinho na espinha, para dizer o mínimo. É aí que cai a ficha de que estamos envelhecendo.

Na verdade, para ser literal, envelhecemos a cada dia desde o nascimento, na medida em que nos distanciamos do momento da chegada e nos aproximamos do momento da partida. Mas, segundo a ciência, o corpo começa a envelhecer entre os 25 e 30 anos, e acentua esse processo a partir dos 35.

Agora, a ficha cai pra valer por volta dos 50, e sabem por que? Como bem escreveu Rubem Alves em uma das suas deliciosas crônicas, nos damos conta que há, na bacia, muito menos jabuticabas para comer em relação as que já foram comidas. Como o bicho homem tem o hábito de pensar na vida levando em conta o tempo, percebemos que o já vivido está em vantagem quantitativa em relação ao tempo que temos para viver. E aí queridos, o bicho pega.

Se ficarmos sob o efeito desse impacto, não só permitiremos que o envelhecimento instale-se em nós, como daremos até um empurrãozinho para que seja mais rápido. Na cultura de aparências e vitrines é essa a regra do jogo. O que poucos dizem, e acho que vale a pena dizer, é que se estivermos dispostos e abertos ao aprendizado, nadaremos de braçada nessa fase da vida.

O imperativo de ficar na montanha russa emocional já não existe mais, e se aí permanecermos, entre subidas íngremes e descidas alucinantes, é por escolha. Temos a bagagem suficiente que nos autoriza internamente a transitar pela vida de outras maneiras.

Os prazeres também não são mais servidos em pratos que carecem de consumo imediato e apressado. Como um bom vinho, podem ser sorvidos com calma, degustados com refinamentos que só a passagem do tempo nos dá a oportunidade de adquirir.

O valor que damos para as coisas também sofre mudanças. Sentar em uma mesa para um almoço rápido com as amigas e morrer de rir das histórias contadas tem pontuação alta. Chorar com elas ou por elas, também. Olhar para os filhos e vê-los capazes de caminhar com os próprios pés em direção à vida que sonham ter, estoura o limite da tabela. Se perceber mais segura e mais serena, apta a fazer escolhas mais honestas, tá valendo muito. Permanecer em certas situações nas quais não gostaríamos de estar, mas que se faz preciso no momento, e ter plena consciência disso, vale 10!

Estão vendo? Poderia ficar aqui enumerando uma lista imensa de coisas, mas que cada um faça a sua e descubra “a dor e a delícia de ser o que é”, e a dor menor, perto da delicia maior de podermos estar aqui vivas e plenas, mesmo que a pele não esteja mais tão esticada.

Jeans e flats

Calças jeans são quase unanimidade na moda – com raríssimas exceções, todo mundo tem ao menos uma no guarda-roupa. Durante um bom tempo acreditei que para nós, 50′, as jeans deveriam ser retas e de cor escura, preferencialmente sem lavagens (desbotados). E, sim, esse é um modelo sem erro, com ele você estará 100% segura de estar corretamente vestida.

Ultimamente estou tentando incluir novos modelos e cores – afinal, não é todo dia que a gente quer segurança, às vezes quer mesmo é ousar. Sobre novas modelagens, esta aqui está sendo muito usada: a barra assimétrica.

Mais curta na frente que atrás, sem acabamento além do corte, uma boa opção para quem vai comprar jeans agora. E é preferencialmente usada com rasteiras, mules e sandálias flats. O que nos leva ao outro tópico deste post: a escolha do pisante.

Mule: esse tipo de sapato é traiçoeiro pois, se não tiver bastante área sobre o peito do pé, vai lhe obrigar a ficar encolhendo os dedos para “segurá-lo” no lugar, o que é totalmente não recomendado por ortopedistas.

Acima, uma Monse, caríssima, que não resisti a colocar aqui porque fiquei apaixonada pela ousadia dessa combinação de cores, materiais e estampas. As mules são quase chinelos, se não tiverem algum item de interessância, vão ficar exatamente como chinelos de quarto.

As acima estão  no site OQVestir, escolhidas por mostrarem estilos e marcas diferentes.

Sandálias: bem mais confortáveis, têm amarração ou tiras no calcanhar, deixando o pisar mais firme. Um pouco de salto é bem vindo, mas nada muito alto – até uns 4 cm estão dentro desta proposta.

Exemplo de interessância: Esta Jacquemus “Les Boutons Sandals” com saltos diferentes. Não é uma ousadia? E uma graça?

Em nosso País, pelo próprio clima, é mais difícil encontrar sandálias fechadas como a acima. E a nomenclatura também é confusa: encontrei mules na seção de sandálias e vice-versa. Vale olhar tudo quando estiver procurando online.

Escolhi aqui as mais fechadas ou com saltos diferentes (achei um bolinha e um quadrado ).

Conselho final: o conhecido é bom, porém, sair da caixinha e buscar novas formas de se expressar, mesmo que somente através da moda, é muito melhor.

Paul McCartney (e a rotina)

Este domingo fui com meu marido e um filho assistir ao show de Paul McCartney aqui em SP, no Allianz Parque (estádio do Palmeiras). Foi absolutamente fantástico!! Pontualidade britânica para iniciar o espetáculo, duas horas e quarenta minutos de palco, um público animado que cantou todas as músicas acompanhando o ex-Beatle.

Como ele tem pique para dar um show desses aos 75 anos, é um mistério. Tenho certeza que ele está bem mais disposto que eu, que ainda estou nos 50′

Mas o que eu queria conversar aqui é outra coisa: o quanto é difícil sair da rotina. Quando compramos os ingressos (creio que em Maio), à mera lembrança que iríamos ver Paul McCartney surgiam sorrisos de alegria e empolgação. Nesta última semana antes do show propriamente dito, a coisa mudou…

A ideia de sair do conforto de casa para enfrentar trânsito e multidão, ainda ter que lutar por boa posição de cadeiras – os lugares não eram marcados, dependiam do horário de chegada – e naquele tempinho feio… nossa, deu uma preguiça!… Juro que eu e meu marido estávamos quase cogitando em abandonar o programa.

Mas a melhor coisa que fizemos foi sair, acompanhar o filho e ir ao estádio. Passamos alguns momentos de incerteza até encontrar lugares razoavelmente bons, o tempo estava geladíssimo, bem ao estilo “terra da garoa”, porém a satisfação de ver, ouvir e cantar junto com o Paul… não tem preço (parafraseando a propaganda de Cartão de Crédito).

Conclusão: a rotina nos põe uma bola de ferro no pé e, se a gente não se rebelar e lutar para sair dela, passa a vida inteira fazendo sempre a mesma coisa. E fazer o diferente é simplesmente MARAVILHOSO. Recomendo.

Somos todas muito iguais

Recebi um link para uma página da Awebic com uma daquelas listas tão adoradas pela Internet: 23 lembretes que adultos de 23 anos precisam ler agora.

Entre os itens há alguns que podemos considerar válidos até os +50, mas estes dois abaixo são perfeitos:

Há duas enormes verdades nesses casos. Sim, nosso corpo nunca mais será igual ao que era aos 17 anos e precisamos tratá-lo corretamente para continuarmos vivendo bem nele. E sim, todas nós somos mais atraentes do que imaginamos.

Quando olhamos o espelho só vemos defeitos e nos amaldiçoamos por isso. Aliás, se alguém falasse para nós o que dizemos em nossas autocríticas, nunca mais olharíamos para essa pessoa, não é mesmo?

Use carinho para se avaliar. Aos 17 estávamos no auge da produção de colágeno e elastina, mas não tínhamos certeza do que fazer da vida, se teríamos sucesso, se encontraríamos alguém para partilhar a jornada. Hoje somos plenas de conhecimento e vivência, e nosso corpo e rosto têm mais é que mostrar isso. Daqui a alguns anos olharemos para trás e teremos certeza de como éramos bonitas. Então, por que não aproveitamos para sermos felizes conosco mesmo no tempo presente?

Não vamos perder essa chance de ACORDAR para viver o AGORA. Ame-se. Vista-se com o que tiver vontade. Saia da rotina massacrante ao menos uma hora por dia. Vamos fazer nosso melhor e APRECIAR o que somos HOJE.

*Post inspirado pelo texto da Ana deste domingo.

Jogo rápido

A vida é jogo rápido, estamos aqui e, de repente, não estamos mais. Aparecemos e desaparecemos em um piscar de olhos, muitas vezes sem aviso prévio ou explicações plausíveis; estamos no meio de uma atividade e somos retirados da cena, simples assim.

As justificativas? Aneurisma, ataque cardíaco, bala perdida ou endereçada, acidente, e por aí vai. O fato é que não sabemos a data do bilhete de partida e agimos como se fôssemos permanecer encarnados nesse corpinho por séculos!

Que essa ilusão permeie nossa existência enquanto somos jovens é compreensível, afinal quando se tem 18 anos, a sensação é de uma estrada sem fim pela frente, e o sentimento de onipotência é largo, vamos mudar o mundo e temos todo tempo do mundo para fazer isso. Mas, passada essa fase, e todos nós sabemos que ela passa rápido, a ficha precisa cair.

Postergar as realizações e prazeres é como jogar água para fora da bacia, é preciso entender que cada dia neste planeta lindo é precioso, e que merecemos aproveitá-lo com vontade. Já vivemos meio século, experimentamos de tudo um pouco. Enfrentamos desafios de tamanhos e intensidade variados, nos viramos de todas as maneiras possíveis para “ganhar a vida”, nos lotamos de deveres e obrigações, nos responsabilizamos e nos cobramos por um monte de coisas, e sonhamos que um dia curtiríamos a vida sem pressa.

Pois bem, parece que o tempo de fazer isso é agora, afinal os primeiros 50 anos já se passaram… Mas essa é uma mudança importante, que requer muitas outras mudanças para, de fato, acontecer. Implica em olhar para nós mesmos de um jeito diferente e dimensionar o tempo de outra forma. Implica em rever prioridades, reformular conceitos, perdoar-se e colocar-se como merecedor do prazer. Falando nisso, é preciso procurar por ele no final da lista e trazê-lo para encabeçá-la.

Implica em sair do piloto automático e dirigir a própria vida, em questionar-se sobre o que se deseja a cada momento. Escolher o que se quer comer, beber, vestir; o que queremos e o que não queremos mais ouvir, com quem queremos nos relacionar e de quem precisamos criar saudável distância. Implica em trocar obrigações por concessões, abaixar o volume do coro interno que repete a ladainha da culpa.

Parece difícil? Mas não é, talvez seja apenas um pouco trabalhoso. Esta sexta eu havia terminado de trabalhar mais cedo e resolvi abrir os armários do consultório e organizar as inúmeras pastas de textos, relatórios e anotações. Recebo um telefonema do meu filho que estava na porta de casa e se deu conta que havia esquecido a chave, não tinha como entrar. Disse a ele que viesse até o consultório pegar a minha chave de casa, são três quarteirões de distância. Desliguei o telefone e olhei para a minha mesa lotada de papéis, mas consegui olhar também para a oportunidade de encontrar meu filho no meio da tarde, e pensei que gostaria muito de aproveitar aquele momento.

Quando ele chegou para pegar a chave convidei-o para sairmos e comermos alguma coisa gostosa, convite que foi prontamente aceito. Olhei para a mesa e tive a certeza que tudo aquilo podia esperar para ser arrumado. Saímos, fomos comer, conversamos sobre muitas coisas, ele foi me contando o que havia acontecido na semana, o que ele estava planejando, e foi uma delícia!! Senti que ele retribuiu meu convite convidando-me a entrar um pouco na vida dele.

Fica aqui o convite para você rever suas prioridades, fazer o que te dá prazer, ter tempo para jogar conversa fora, regar as plantas, olhar o por de sol pela janela, ouvir aquela música que tanto gosta. Estar atento para aproveitar cada pequena oportunidade e transformá-la em um momento de prazer!