Um tempo para não fazer nada

Olhem que interessantes este dois posts sobre como aproveitamos nosso tempo:

4 Absurdly Easy Things I Do That Make Life Disproportionately Better

O que estamos falando aqui é da “arte” de não se fazer nada. Nós, humanos, temos por hábito nos ocupar o tempo todo. Veja sua agenda: aquele espacinho vazio ali não está lhe incomodando?

Imagine separar um dia inteiro na semana, ou então alguns minutos todos os dias, para ficar só com seu eu interior: sem trabalhos, sem celular, sem tv, sem distrações externas.

Por estar trabalhando somente em suporte às Empresas e não indo mais à Sede todos os dias, me sinto meio de férias eternas. E mesmo assim… preencho o tempo com afazeres, seja ler, escrever, me atualizar. Como será ficar totalmente desconectada das rotinas diárias?

Uma forma conhecida e provada de conseguir isso é a meditação. Você se torna mais presente e mais centrada com esse hábito. Mas, e quem não consegue meditar? [eu fico desesperada com o “inspire-expire”, em pouquíssimo tempo me sinto sem ar! Vai entender…]

Mesmo para quem não vê como incorporar a meditação à rotina, ficar somente alguns minutos parado sem qualquer estímulo está sendo considerado como de caráter francamente benéfico. O segundo artigo diz para sentar no chão e somente deixar a vida correr, por em média 20 minutos diários. Ouvir os pássaros ou a barulho do motor da geladeira, não importa. Somente descanse a mente.

Vou incorporar essa dica à 2017. Simples e, pelos relatos dos artigos citados, muito positivo. Você topa?

Obs.: Este post apareceu primeiro no blog Pílulas de Moda e foi escolhido para republicação aqui devido minhas férias.

Os dois deuses do tempo

Somos todos diferentes e únicos, mas há algo que todos recebemos diariamente em igual dose: o tempo. À cada pessoa são dadas as mesmas 24 horas. São as nossas decisões, escolhas, os usos que fazemos delas que determinam nossa qualidade de vida.

Segundo os antigos gregos (vamos falar a verdade, eles sabiam das coisas), dois deuses regem o tempo: Chronos e Kairós.

Chronos é a denominação grega do nosso tão conhecido Saturno, muito citado recentemente por sua influência energética que nos atingirá nos próximos anos.

Mitologicamente, Chronos era um deus tirânico, cruel, que controlava o tempo do nascimento até a morte. Devorava seus filhos para conservar seu poder, sem rivais. Esse deus dominador é a representação do tempo quantificável, o tempo que destrói tudo o que produz, implacavelmente. Estamos frequentemente sob seu julgo. Obedecemos a prazos, tentamos cumprir metas, seguir os ritmos que nos são impostos. Mais que isso, há mesmo aqueles que querem ter a aparência jovem durante a vida inteira e travam uma batalha sem fim com Chronos, através de cirurgias plásticas, tratamentos… Uma luta inglória, pois o Tempo põe fim a tudo.

E qual é o mito de Kairós? Ele era representado por um jovem calvo, com um cacho de cabelo na testa, com asas nos ombros e nos calcanhares. Era impressionantemente ágil, se deslocava muito rapidamente e só era possível detê-lo agarrando-o pelos poucos cabelos e encarando-o de frente. Era tão fugaz que muitas vezes passava despercebido. Mas, depois que se ia, não era possível trazê-lo de volta. Para vermos Kairós, precisamos estar no momento presente. Ele é o deus da oportunidade, do momento adequado. É necessário agarrar e viver a oportunidade, pois ela poderá não mais aparecer e não vai esperar por nós.

Kairós é o tempo que não pode ser planejado. Ele acontece. São momentos que se tornam eternos, mesmo que tenham sido muito breves. É um tempo interno, sem nenhuma relação com o relógio. Em Kairós, nos sentimos vivos. Em Chronos, sobrevivemos.

Os gregos acreditavam que, ao vivermos em Kairós, podemos enfrentar Chronos. Se tivermos a consciência do momento presente, sempre fluido, mutável, único, podemos ver as oportunidades. E seguimos mais leves, sem fardos do passado ou antecipações do futuro.

No entanto, nossa sociedade está muito ligada ao tempo mensurável. Organização, planejamento, datas são elementos que nos permitem uma maior eficiência, são a base da nossa cultura. Porém, nada nos impede de viver Kairós. Nada nos impede de estar presentes, atentos às oportunidades, experimentando, usufruindo, tornando o tempo cronológico significativo. Tudo isso para dizer que, nestes tempos de Saturno, temos sempre escolha: podemos equilibrar rotina com ritual, obrigação com prazer, Chronos e Kairós, aprendendo a dançar com maestria esse intrincado ballet.

É um belo desafio.

Obs.: Este texto foi inspirado neste vídeo de Pá Falcão e neste texto.

Férias!!

Passadas as festas de final de ano e toda correria que isso implica, chega o tão esperado momento das férias. Para cada uma de nós férias tem significados diferentes, ou propostas diferentes, que dependem do nosso momento e das nossas possibilidades.

De qualquer maneira o desejo passa pelo não compromisso, pela ausência do relógio e pela oportunidade de se fazer o que bem se entende, sem atrelamentos que nos acompanham todos os outros incontáveis dias do ano!

Férias tem cheiro de terra molhada, de dama da noite que esparrama seu perfume pelo ar, de brigadeiro que gruda no fundo da panela, de maresia, de eucaliptos que balançam ao vento. Tem cheiro de infância, da nossa e de nossos filhos, ou netos. Combina com risada de criança, fila para banho na casa que reúne toda família, o correr para tirar as roupas do varal antes que a chuva caia. Combina também com areia esparramada pelo chão, com ataques de riso frente ao inusitado, com bolas e mais bolas de sorvete com direito a cobertura. Férias tem sabor de liberdade…

Pois é, eu estou saindo de férias e me dei o direito de não levar o notebook, não ficar plugada na internet, trocar o facebook pelo “face to face”. Por esta razão só voltarei com os textos no primeiro domingo de fevereiro. Mas programei algumas poesias que serão postadas nos próximos domingos de janeiro. Achei que férias e poesia também combinam, têm a ver com aproximar-se de si mesmo, tocar o coração, se encher de beleza.

A todos vocês, boas férias! Mesmo aos que vão continuar trabalhando, que não saem nesse período do ano, aproveitem as férias dos outros. A cidade mais esvaziada, o transito que flui, as ruas mais tranquilas, a oportunidade de se fazer o que se deseja sem ter que encarar longas filas, o horário de verão que deixa o dia mais longo, e nos dá a oportunidade de aproveitar o parque, a piscina, o bar com os amigos, a sorveteria com as crianças após o expediente. Pensando bem, férias é um estado de espirito com maior tempo disponível, é vontade de curtir a vida, de buscar o prazer possível, de ter leveza e beleza nos olhos para olhar a vida com outra disposição.

Até a volta, continuem acessando e se deliciem com a poesia!

Ano Novo!

Acaba de nascer um novo ano, recém saído do hábito humano de contar o tempo, como se cada dia fosse uma conta de um terço, e este tivesse 365 contas. Acabado o terço, acaba o ano, e começa a contagem novamente. Vamos percorrer as contas como se o fizéssemos pela primeira vez, e nos enchemos de expectativas, projetando como serão os dias deste “novo” ciclo.

Somos seres complexos; não nos basta o ciclo das estações, tão pouco o ciclo da própria vida. Precisamos de calendário e de relógio, não mais nos guiamos pelo nascer e pôr do sol, pelas características de cada estação, pelas folhas que brotam ou caem das árvores. Precisamos de dia e hora, de GPS, de calendário. Criamos a fantasia de que, ao final de um ano, nos livramos de um montão de coisas que não desejamos mais e, ao iniciarmos outro, renovamos as esperanças e abrimos um leque de possibilidades para alcançarmos o que queremos. De certa forma, esperamos que o ano seja diferente do seu antecessor, e esquecemos que nós é que temos que ser diferentes do que temos sido até então…

É fato que existem variáveis externas de um momento para outro. Os amantes de astrologia entendem que momentos diferentes trazem influencias astrológicas diferentes, de acordo com o movimento dos planetas e os desenhos que formam nos céus através de quadraturas, trígonos e sextis. A numerologia também estabelece que cada número vibra em uma determinada frequência, e que esta produz uma influência sobre nós. De qualquer maneira, essas frequências energéticas são sugestões que podemos aproveitar ou não, mas nada nos tira a responsabilidade pelo que fazemos e como fazemos com nossas vidas.

Então, além de torcermos para que o ano novo nos traga o que desejamos obter, talvez devêssemos fazer o contrário também, devêssemos nos comprometer a fazer com que o ano seja uma oportunidade de realização do que sonhamos. Vamos brincar com a ideia?

Imagine que 2017 seja uma criança que acaba de nascer, um bebê que é colocado sobre o nosso colo. Olhamos para ele, damos as boas vindas, comemoramos sua chegada e??… Bem, não podemos esperar que ele cuide de nós, nós é que precisamos nos organizar para cuidar dele. Nós precisamos nos organizar para aproveitar bem seus dias e suas noites, para abrigá-lo como se abriga a um amigo, dar o nosso melhor para que a convivência seja gratificante. Nós precisamos nos movimentar por suas horas com a consciência de quem sabe para onde está indo, aonde pretende chegar. Com a alegria de quem está aberto a fazer novas descobertas, assim como preparado e bem equipado para atravessar as noites escuras, sem estrelas.

Se o caminho até então percorrido não nos atrai mais, que tenhamos coragem para corrigir a rota e fazer todas as mudanças necessárias, sem perder de vista que mudança é processo, demanda tempo, paciência, determinação e trabalho. E sobretudo amor! Amar para mudar, perdoar para mudar, agradecer para mudar. Como bem colocou o grande poeta português, Fernando Pessoa:

“Tudo vale a pena se a alma não é pequena”.

Que nossas almas se expandam o suficiente para preencherem todos os espaços de 2017; que esses dias que virão sigam o ritmo da alma de cada um de nós, que nossos corações pulsem, vibrem e deem o tom para a espetáculo que acaba de começar. Que possamos compreender que somos os construtores do nosso mundo, e que ele será o resultado daquilo que sonhamos.

Bons sonhos, boas realizações, feliz ano novo!

Em 2017, viva o HOJE

Por que existem calendários, datas, festas? Os animais conhecem os ciclos da natureza instintivamente. Simplesmente sabem quando acasalar, emigrar, hibernar. Já o homem procurou pontuar a vida através de rituais, desenvolveu uma capacidade de encontrar padrões, observando as mudanças na natureza, as constelações no céu. Os calendários são o resultado da nossa necessidade de contar o tempo.

Datas e festas são formas de simbolizar a vida. Se para alguns, o dia 1 de janeiro é simplesmente uma continuação do ano anterior, para outros, trata-se de uma oportunidade imperdível para zerar o cronômetro. Ritualizá-las cria uma organização interna, estabelece um novo marco. E o recomeço pode ser totalmente real, assim como é real a energia de milhões de pessoas acreditando em mudança, expressando esperança. E é real o movimento de deixar para trás o que não serve mais e criar o novo.

Cada um vive o momento como quer ou como pode. Mas, geralmente temos sempre um ritual, seja ele intimista (lista de desejos pessoalíssima), ou compartilhado (nas águas de Iemanjá, por exemplo).

Seja qual for a sua escolha, seja generoso com você mesmo! Generoso com o que foi e com o que vai ser. 2016 está chegando ao fim. Ufa! Que alívio! Mas, não maldiga o ano, encontre gratidão dentro de você. Há sempre o que agradecer, há sempre alguma vitória ou algum aprendizado. Às vezes, mais do que se imagina num primeiro olhar.

Que 2017 seja lindo! Mas, não se atormente com listas impossíveis. Menos é mais. Seja generoso aqui também. Qual aspecto da minha vida pede um real investimento de energia? O que realmente quero potencializar aproveitando esta ocasião? Deixe de fora tudo aquilo que não for um desejo seu, pessoal, verdadeiro, abandone todos os quereres que têm a ver com a necessidade de aceitação e aprovação pelos outros. Você verá que a lista será bem menor, e os objetivos, bem mais fáceis de alcançar.

E lembre-se, na verdade, o único ponto de poder é o HOJE e nesse hoje, o AGORA. Acalme a mente e honre este instante. Ele é tudo que existe. Se a cada minuto fizermos isso, teremos uma vida feliz. Viva um dia de cada vez, acalme a mente, aprecie a sua existência. Em 2017 e sempre.

Felicidades!