Sobre todas nós

Hoje faz uma semana que conseguimos colocar este blog funcionando, e um pouco para comemorar, um pouco para conversar sobre ele, nós três, que nos aventuramos nessa empreitada, saímos para almoçar.

Um encontro entre amigas é sempre algo muito interessante; os assuntos pipocam e estouram feito milho em óleo quente, um atrás do outro, ao som de muitas risadas e com um jeito de travessura. Falamos de tudo um pouco, desde relembrar coisas que fizemos no decorrer da vida (a maioria delas engraçada, claro) até o que estamos vivenciando hoje, nesta estação da maturidade.

Ao escrever isso vem um verso de Caetano: “Não me venha falar na malícia de toda mulher, cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”. Sabem de uma coisa? A delicia é maior do que a dor, infinitamente maior!! Nós mulheres aprendemos desde muito cedo que a sensibilidade é uma vantagem porque ela nos possibilita adentrar no universo dos relacionamentos como quem mergulha no mar num dia quente, cheias de vontade, alegria e prazer.

E na medida em que o tempo passa e vamos nos libertando dos afazeres em excesso, maior ainda é a vontade de mergulhar.

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Cada fase da vida tem seu custo e seu encanto; se por um lado não temos mais aquele corpinho de dar inveja e, como bem escreveu Rubem Alves, a quantidade de jabuticabas que já comemos é maior do que as que ainda restam na bacia, por outro vivemos um momento onde já não se faz importante provar a nós mesmas ou a quem quer que seja, quem somos. Disso já temos vaga ideia… Nossas carreiras já estão consolidadas, nossos filhos cresceram e não somos mais imprescindíveis, conseguimos sair de casa mesmo que o cabelo não esteja impecavelmente arrumado e somos até capazes de aceitar um convite para um encontro de última hora com amigos queridos mesmo sem termos ido à manicure, não é fantástico isso?

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A vida sempre vale a pena, e a maturidade traz de presente para nós um olhar mais tranquilo e mais seguro em relação à vida, afinal já atravessamos tantas tempestades e sobrevivemos a todas elas… e melhor ainda, já sabemos que o amanhecer do dia seguinte é um espetáculo imperdível, cheio de cores, ensolarado como nunca!

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E aí, 50?

Pois é, depois de período longo de incubação, de tentativas e erros, estamos aqui (re)iniciando o blog que queremos fazer, um espaço para reflexão sobre corpo, moda, saúde e comportamento de quem encontra-se na estação da maturidade. Na verdade gosto da ideia de que o tempo, assim como o concebemos, não existe. Nós humanos instituímos o calendário e contamos a vida através de datas, da marcação da passagem do tempo, de nomenclaturas e categorias, mas já repararam que só nós fazemos isso?

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O Universo, assim como o nosso inconsciente, é atemporal; tudo ocorre simultaneamente, paralelamente, no eterno agora. A natureza segue o ritmo interno, muda com as estações, que não tem a ver com datas, mas com ciclos de nascimento, vida e morte. E os ciclos tem relação com a prontidão, com o instante em que algo já se esgotou e o novo ocupa seu lugar. Há primaveras frias, invernos chuvosos, verões mais secos, e tudo é possível porque as estações não seguem os padrões que nós estabelecemos, a vida não ocorre na separação do tempo, a vida pulsa além do tempo e do espaço.

Por isso este blog comporta todo mundo, independente da idade cronológica, já que o que vamos abordar aqui tem relação a um ciclo, a uma estação da vida, a vivências que podem acontecer dentro de nós a qualquer momento em que estivermos prontas para isso.

Sejam bem vindas, sentem-se aqui conosco, vamos olhar para nós mesmas, vamos entrar em nós e explorar esse Universo inteiro que anseia por manifestar-se, expressar-se e expandir-se. Vamos olhar para o passado com gratidão por todas as lições aprendidas, pela possibilidade da maturidade em alguns aspectos; para o presente com entusiasmo pelo que desejamos e podemos fazer agora, nos permitimos fazer agora, e para o futuro com muitos sonhos recém plantados no quintal de nossas almas!

Rhododendrons at Riga botanical garden

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