Corpo – Mente – Espírito

Nosso blog, “E aí, 50? ”, comemorou seu primeiro ano de vida. No momento de sua criação, cada uma de nós escolheu seus assuntos de preferência. Eu tinha intenção de me concentrar sobre o tema do corpo, mas acabei discutindo sobre espiritualidade. Na verdade, sobre os dois. Dá para separar? Eu não consigo. Acho que nossos pensamentos, crenças, sentimentos ficam impregnados no corpo. Se estamos felizes, brilhamos. Se a depressão nos atinge, é como se murchássemos. 

E assim, mais uma vez, vou misturar os dois assuntos. Estou terminando este mês um novo ciclo de formação no sistema “Being Energy”, do qual sou professora. Nesse programa, o corpo, a mente e o espírito são contemplados. Um dos aspectos abordados foi o que chamamos de “recapitulação”. Recapitular é retomar um fato do passado e revê-lo sem julgamento, em estado sereno. É o oposto de reviver emocionalmente. Trata-se de observá-lo a partir do momento presente e resgatar a energia que pode ter ficado bloqueada em função do ocorrido.

Outro assunto muito tratado é a alimentação, pois a escolha do que ingerimos nos afeta física, emocional e espiritualmente. Como resultado desse trabalho, eu me lembrei exatamente em que circunstância da minha vida comecei a ganhar peso. Foi libertador.

Por que será que emagrecer é tão difícil? É claro que chocolate é gostoso e que comer bem em boa companhia é uma delícia. Mas, você já pensou em que momento o ganho de peso se iniciou? Que seu corpo pode ter acumulado peso movido pela necessidade de protegê-la contra emoções destrutivas? E que permitir-se emagrecer é se dar a autorização de deixar ir o que não serve mais? Na verdade, é olhar para si e se enxergar nova. Desapegar-se do que passou.

Muitas vezes, nos criticamos, desfazemos do corpo, nossa verdadeira casa. E se as mudanças corporais estão relacionadas às etapas da vida, o brilho no olhar, o vigor físico e o desejo muitas vezes são mais afetados pelos nossos pensamentos, pelos acontecimentos do que pela idade. Somos guerreiras dentro de uma armadura incrivelmente vigorosa.

Assim, aos 50 anos, ou em qualquer momento da vida, dedique alguns minutos a cada dia para honrar seu templo pessoal, para render homenagem à incrível precisão do organismo com sua imensa capacidade de viver, de se levantar, de trabalhar, aprender, amar. Seu Corpo – Mente – Espírito agradece.

Somos todas muito iguais

Recebi um link para uma página da Awebic com uma daquelas listas tão adoradas pela Internet: 23 lembretes que adultos de 23 anos precisam ler agora.

Entre os itens há alguns que podemos considerar válidos até os +50, mas estes dois abaixo são perfeitos:

Há duas enormes verdades nesses casos. Sim, nosso corpo nunca mais será igual ao que era aos 17 anos e precisamos tratá-lo corretamente para continuarmos vivendo bem nele. E sim, todas nós somos mais atraentes do que imaginamos.

Quando olhamos o espelho só vemos defeitos e nos amaldiçoamos por isso. Aliás, se alguém falasse para nós o que dizemos em nossas autocríticas, nunca mais olharíamos para essa pessoa, não é mesmo?

Use carinho para se avaliar. Aos 17 estávamos no auge da produção de colágeno e elastina, mas não tínhamos certeza do que fazer da vida, se teríamos sucesso, se encontraríamos alguém para partilhar a jornada. Hoje somos plenas de conhecimento e vivência, e nosso corpo e rosto têm mais é que mostrar isso. Daqui a alguns anos olharemos para trás e teremos certeza de como éramos bonitas. Então, por que não aproveitamos para sermos felizes conosco mesmo no tempo presente?

Não vamos perder essa chance de ACORDAR para viver o AGORA. Ame-se. Vista-se com o que tiver vontade. Saia da rotina massacrante ao menos uma hora por dia. Vamos fazer nosso melhor e APRECIAR o que somos HOJE.

*Post inspirado pelo texto da Ana deste domingo.

O Peso das Dietas

Você está saboreando alegremente um suculento pedaço de pizza. Aí, a pessoa na sua frente declara que vai “amanhã, vai malhar em dobro para queimar as calorias.” Vontade de sugerir que a criatura mantenha a boca ocupada, mastigando, pois, esse tipo de comentário tem como objetivo lembrar que estamos cometendo o pecado da gula e que quem não vive sob o controle de uma dieta restritiva não é legal.  Mas será que controlar permanentemente tudo o que comemos é uma necessidade real? Será que não estamos menosprezando a sabedoria do nosso próprio corpo?

Segundo Sophie Deram, autora do livro “O Peso das Dietas”, é isso mesmo que está acontecendo. Os estudos mostram que dietas restritivas são contraproducentes. Um grande número de pessoas pode experimentar compulsões alimentares pós-dieta. É o chamado efeito sanfona, o emagrece-engorda que faz parte da vida de tanta gente.

Ela explica é que devemos retomar o contato com nosso próprio corpo, ouvir seus sinais de fome e de saciedade, escolher os alimentos de acordo com nosso discernimento.

Transcrevo aqui algumas de suas frases:

“Uma alimentação saudável deve ser variada, equilibrada e consumida com prazer e com atitudes adequadas, por exemplo, comer sem culpa. O comportamento é tão importante quanto o nutriente! ”

“Você tem que aprender a escutá-lo (o corpo). A senti-lo, a entendê-lo para mostrar a ele que você está bem e não sob um ataque ou vivendo em uma época com falta de alimentos, assim ele não precisa armazenar gordura para proteger você! “

“Peso não é a causa, mas sim a consequência do seu estado de saúde e bem-estar.“

“Em vez de tentar controlar o seu corpo, dance com ele! A chave é resgatar a sua percepção de fome e saciedade para comer conforme a sua necessidade.”

“Você tem fome de quê? Nem sempre é de comida! Pergunte-se.”

Gostei muito do livro. Ele acrescenta consciência ao ato de comer. Uma refeição deve ser um momento de prazer e não de angústia.  E, como sempre, tudo começa com a escuta do próprio corpo.

E aí, como vai o coração?

É sempre bom dedicar atenção para esse órgão tão especial. Não estou falando de cardiologista, eletrocardiograma ou qualquer outro cuidado físico. Falo simplesmente da sensação que temos dentro do peito, de leveza ou de opressão, diante das diferentes situações de vida.

O coração é o órgão da coragem, o centro da vida. No antigo Egito, dizia-se que Anúbis, o deus guardião dos túmulos e juiz dos mortos, presidia a pesagem do coração em uma balança cujo contrapeso era uma pluma. Ficando a balança equilibrada a pessoa seria aceita triunfalmente no reino de Osíris, senão seria devorada. Não devia ser fácil.

Mas, o que é um coração leve?

É aquele que não carrega dia após dia rancor, mágoa, aborrecimentos. Para o coração ser leve é preciso ir deixando essas coisas pelo caminho. No final do dia, com a cabeça no travesseiro, entregar para o passado o que foi bom e o que não foi. E dormir esvaziado de pensamentos.

Tenho o hábito de fazer “A grande Invocação”, mas toda a forma de se reconectar e de se apaziguar é bem-vinda. O famoso professor de Yoga Hermógenes prodigalizava o seguinte conselho: diante das dificuldades que parecem intransponíveis Entregue, Confie e Aceite.

Mas, às vezes, é tão difícil deixar ir. As ideias insistem em “colar” e a mente não para de desfilar o rosário de preocupações, reclamações, dúvidas… E aí, haja coração. O coitadinho fica diminuído sob o peso de sofrimento auto imposto.

O que fazer? Vale parar e observar o ritmo da própria respiração, parar de trabalhar por alguns minutos e olhar as plantas pela janela, vale pasmar alguns segundos diante do milagre do momento presente, sem pensar em mais nada. A mente descansa. O coração se fortalece.

Porque o amor tem que começar comigo, com você, com uma atenção carinhosa para essa pessoa que a cada dia faz escolhas e recria seu mundo da melhor forma possível. Não se trata de recompensar uma boa performance, mas de se dar um carinho gratuito, espontâneo, incondicional. Simplesmente pelo fato de estar aqui, de estar em vida. Comemorar o minuto presente se amando sempre e cada dia um pouco mais.

No seu dia a dia enamore-se de você. Presenteie-se com um coração leve.