Cuidados pessoais essenciais

Sabe aquela conversa sobre horário biológico? Tenho certeza de que é verdade, pois descobri que acordar às 6 horas da manhã, como tenho feito ultimamente, é algo totalmente contrário à minha natureza. A cada manhã, saio de casa de cara lavada e olhos parcialmente abertos. Quase não me reconheço. Cadê aquela pessoa que era incapaz de ser vista sem ter passado delineador? Aquela que levava um tempo enorme na produção? Pois é, às 6 horas da manhã ela não existe.

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Esse estado de descuido fez com que eu me perguntasse: quanto tempo dedico a mim mesma? Quanto tempo, aos outros? Constatei, então, que faz um mês que não faço as unhas, nem as sobrancelhas, que estou precisando urgentemente pintar o cabelo, mas só de pensar já fico com preguiça, que quase não toco mais piano ou leio sem ser interrompida. As obrigações com filho, marido, cachorra, casa, comida, pais, trabalho… (ufa!) acabam levando a melhor. E embora uma atitude de atenção para com o entorno seja positiva, um exagero nesse sentido não é.

Sei de muitas amigas que passam pela mesma situação. A dedicação aos outros e a rotina pesada fazem com que se esqueçam de si mesmas. Você também é assim? Pois bem, para recuperar a boa disposição e a saúde integral é preciso equilibrar essa balança, ou seja, se colocar na própria agenda. A boa notícia é que o processo é bem agradável: vamos ter que aprender a dosar o tempo dedicado às tarefas com o tempo pessoal, reservar um momento para nos cuidarmos, nos divertirmos, para colocarmos o prazer em meio às obrigações. Quero fazer essa “lição de casa”. E você?

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Princesa ou Mulher Maravilha?

O mundo anda mesmo muito louco. De repente, resolvemos ressuscitar personagens da ficção e tratá-los como seres reais.

Depois de descobrir (espantadíssima) a existência de uma “Escola de Princesas”, leio a notícia de que a “Mulher Maravilha” foi nomeada embaixadora da ONU para promover os direitos das mulheres. Hein? Dá para repetir?

É isso mesmo. A personagem é a embaixadora honorária das Nações Unidas para a autodeterminação de mulheres e meninas, anunciou a Organização no dia 21 deste mês. A razão dessa escolha? A Mulher Maravilha representaria o empoderamento feminino, por ser forte, atuante, inteligente, poderosa…

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Foi uma boa escolha? Em que medida a Mulher Maravilha, de corpo irreal e poderes idem, representa o esforço e a luta por mais direitos e menos violações? Por que não uma mulher de carne e osso, como tantas que trabalham, cuidam da família, têm uma atuação importante no mundo? Mistério.

Do outro lado da moeda, temos uma escola que quer formar “princesas” e considera a virgindade como um “valor” a ser preservado. Mais uma vez, volto à mesma nota: não existe bem que provenha da ausência de escolha. Ser obrigada a “se guardar” para o príncipe, desconsiderando o próprio julgamento, é se exilar de si mesma. Nesse sentido, a garota não é mais dona do seu desejo, não possui mais seu corpo. Este passa a ser um bem a ser usufruído pelo futuro esposo. Medo!

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Será que estamos tão descrentes do mundo e das possibilidades das pessoas reais que resolvemos debandar para um universo paralelo? Por que a princesa ou a mulher com superpoderes? E se, na verdade, não estamos buscando uma “mitologia” que oriente a nossa vida, já que temos dentro de nós todos esses arquétipos femininos?

Somos, ao mesmo tempo, a heroína, que se supera para realizar seu ideal e vencer as adversidades; a princesa, que busca o verdadeiro amor e romance; a feiticeira, sensual e poderosa, detentora de poderes e mistérios; e finalmente, a mãe/curandeira que acolhe, reconforta, cuida, protege. Todas elas morando no mesmo corpo. Só que esse corpo não pode ser aprisionado e limitado a apenas um papel. Ser saudável é poder transitar por todos eles.

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Liberte-se do espelho!

Adoro a Avenida Paulista, com seu charme peculiar, seu aspecto cosmopolita. No sábado, voltando de carro por ela, olhava as pessoas, cada uma do seu jeito, com um tipo de roupa diferente… De repente, percebi que nenhuma delas se assemelhava aquilo que é veiculado como beleza. As pessoas que eu via eram de todas as cores, a maioria mais baixa e mais gorda do que qualquer modelo de revista, qualquer blogueira, atriz ou ator de cinema. Por segundos, achei o mundo feio.

Pedestres atravessando na faixa na Avenida Paulista, onde é possível observar uma grande quantidade de pessoas andando a pé independente do dia e do horário, pois é uma região muito comercial, onde existem diversos prédios residenciais, comerciais e lojas das mais variadas. -Foto: Renata Carlini
Pedestres atravessando na faixa na Avenida Paulista -Foto: Renata Carlini

Como assim? Tem alguma coisa errada nessa forma de pensar!

Como podemos julgar as pessoas nos baseando em conceitos que não têm a ver com nossa realidade? Por que uma russa loira e alta seria mais bonita que uma boliviana baixinha? Onde está escrito isso? A resposta é simples e chocante: na nossa cabeça! Fomos domesticados, ensinados sobre o que é belo e o que não. Mas, isso faz sentido?

Houve um tempo em que, na China, as meninas tinham os dedos dos pés quebrados e enfaixados para trás para que seus pés não crescessem e pudessem caber em diminutos sapatos. Quanto menor o pé, maior a beleza. As meninas eram submetidas a esse processo que as mutilava, causando dores para toda a vida, para serem “atraentes” e poderem se casar. Se morássemos lá nessa época, provavelmente teríamos a mesma visão. Assustador, não?

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Na Mauritânia, ainda hoje, meninas são obrigadas a comer quantidades superiores às que seu corpo pode suportar para conseguirem um marido. Lá, a obesidade é o padrão estético ideal. Os problemas de saúde resultantes, tais como diabetes, artrite, pressão alta, são comuns. Mas, e se tivéssemos nascido lá? Será que não enxergaríamos o mundo da mesma forma?

É muito fácil vermos o absurdo em outras culturas. Afinal, elas são diferentes… e nós é que temos razão, certo? Errado! Não há isso de padrão ideal, de modelo a ser seguido. Cada corpo é único, tem sua própria beleza. Esquecer disso significa ajustar as lentes por um padrão que nos foi ensinado, significa julgar e se julgado pelo olhar alheio. Não estamos livres dessa sujeição. O ideal de magreza que é veiculado é um exemplo, e pessoas que sofrem de anorexia nervosa conhecem bem esse problema. Na verdade, é raro ver uma mulher que não queira emagrecer um pouquinho, eu inclusive…

Olhar para si mesmo e descobrir-se perfeito a seu modo não é um exercício fácil, mas é algo que nos traz saúde. E acredito que a saúde seja a única referência válida. É também um exercício de lucidez. O que mais na vida me aprisiona sem que eu nem perceba? Que “verdades absolutas” nos foram incutidas? O corpo, mais uma vez, nos ajuda através da sua concretude. Vamos ser livres, ao menos, nele. Vamos ser saudáveis! Vamos nos amar como somos!

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Yoga

Sou praticante de yoga desde 1997. E hoje, mexendo em meu armário, encontrei vários livros teóricos sobre essa prática. Pois, na verdade, yoga não é apenas uma atividade física, mas uma disciplina, um modo de estar no mundo. Você percebe o corpo, espaço onde se dá nossa experiência, para perceber a mente.

Você sabia que o objetivo inicial do yoga é atingir a iluminação? Surgiu aproximadamente em 2000 AC, mas só foi sistematizado bem mais tarde (400-200 AC), pelo erudito indiano Patânjali que reuniu e classificou uma série de práticas ascéticas e técnicas contemplativas que existiam na Índia desde tempos imemoriais e estabeleceu uma fundamentação teórica. Seu livro, o Yoga Sutra, é a base filosófica do yoga que conhecemos.

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Os “asanas” ou posturas e os “pranayamas”, exercícios respiratórios, atuam no sentido de nos revitalizar e nos dar energia e calma para agir… ao invés de reagir impulsivamente diante de cada contrariedade.

Em cada “asana” os conceitos de estabilidade, permanência e conforto têm como objetivo fazer cessar toda agitação mental. Através de uma postura confortável, estável, busca-se acordar os canais de contato com o Eu Superior.

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Yoga significa União. A saúde, a concentração são alguns dos benefícios trazidos pela prática. Mas, o que é importante é fazer a União entre essa postura corporal e nossa postura no mundo. Esses benefícios podem se estender ao nosso cotidiano através de maior intelecção, ânimo, disposição e talvez um uso mais sábio do nosso tempo e do nosso espaço. A Terra agradece. E as pessoas com quem nos relacionamos também.

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A palavra Corpo

Quando leio a palavra “Corpo” em alguma mídia feminina, é inevitável pensar imediatamente na última dieta da moda, em fotos de mulheres com barriga negativa, em cremes para tratamento da pele. Não é “desse” corpo que quero falar aqui. A magreza, o corpo dito perfeito, conceitos que nos são impostos, desfilando na rua ou nas passarelas, podem ocupar as páginas de revistas. Aqui, vamos ser mais livres.

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Quando penso em corpo, qualquer que seja qual sua forma e tamanho, penso no cuidado que devemos dedicar a ele, amorosamente, respeitando necessidades e limites. Afinal, vamos juntos pela vida afora. E quando penso em alimentação, penso em saúde, em nutrir para ter energia, para poder caminhar plenamente, estar no mundo.

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Desde sempre a correlação entre estados emocionais e bem-estar físico me fascina. Corpo, para mim, rima com alma. Não tem como separar.

A gente adoece de tristeza, emagrece quando se separa, irradia luz quando está apaixonada, exprime doçura e bondade através dos olhos. A gente descobre uma força desconhecida quando tem que enfrentar sozinha uma dificuldade, rejuvenesce depois de uma sessão de risadas com as amigas, encolhe quando briga com o filho.

É fácil saber quem é o líder de um grupo: basta olhar a postura. Quem ocupa mais espaço? Quem se retrai? Inconscientemente, todos nós fazemos leituras corporais. O corpo revela.

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Mas, e o que ele esconde? Quais memórias estão guardadas na nossa musculatura? E quais movimentos libertam? Acredito que a harmonia interna passe pela sintonia entre esses dois canais: emoção-pensamento e corpo físico. E sobre isso há muito a ser dito. Vamos caminhar juntas?

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