“A Gata do Dalai Lama” e “A Arte de Ronronar”

 

Se você, como eu, está cansado de ouvir que o mundo está caótico e que o comportamento humano é desalentador, esses dois romances de David Michie são para você.

Através dos olhos da simpática gata protagonista nos é apresentada uma outra realidade: compaixão e compreensão reinam soberanas no reino do Dalai Lama. Quero mudar para lá!

Os dois livros são leves, mas não superficiais. Os conceitos do budismo são transmitidos através de histórias e eventos cotidianos da vida de pessoas comuns. A possibilidade de autotransformação, de redenção, é sempre presente.

A leitura é fácil e agradável. Após terminar os livros, fica o sentimento de esperança e a vontade de agir mais amorosamente. As palavras do autor, na primeira página do livro “A Gata do Dalai Lama”, se tornaram um mantra para mim:

“Que todos os seres alcancem a felicidade e todas as causas verdadeiras da felicidade.
Que todos os seres se libertem do sofrimento e de todas as causas verdadeiras do sofrimento.”

Que assim seja!

Nunca suficientemente magra

O livro “Jamais assez maigre” [Nunca suficientemente magra], escrito pela ex-top model Victoire Maçon Dauxerre – que já foi uma das vinte modelos mais requisitadas do meio fashion – denuncia os abusos aos quais as mulheres são submetidas para se enquadrarem em um padrão de beleza irreal e que ameça a saúde.

Selecionada pela Agência Elite, a francesa troca Paris por New York para se lançar no mundo da moda, onde o sucesso parecia estar ao seu alcance. Afinal, ela era jovem, bela e magra. Mas, logo descobriu, não era magra o bastante. Para desfilar na Semana de Moda ela deveria passar do tamanho 36 para o 32. Em dois meses.

“Ninguém me disse que tinha de perder peso. Disseram-me que em setembro iria à Fashion Week, que as roupas eram 32-34 e que tinha de caber nelas”, confessa.

Para realizar essa façanha, ela substitui três refeições diárias por… três maçãs acompanhadas de água com gás, e apenas um pedaço de frango ou peixe por semana. Resultado: ela se torna um ser esquelético de 1,80 m e 47 quilos e conquista seu lugar nas passarelas. Preço da aventura: uma anorexia nervosa que combate por muitos anos.

Agora a ex-modelo veste 38 e é reconhecida pela sua difícil luta contra a anorexia, motivo pelo qual está empenhada em desmitificar a indústria da magreza.

Seu caso não é incomum. Como ela, muitas mulheres se sentem oprimidas pelo padrão de magreza excessiva, veiculado como belo. E não apenas modelos e bailarinas. Mulheres de todas as idades se comparam e sentem-se aquém do esperado. ‘Não, não somos magras o suficiente’.

No entanto, quando a indústria da moda exige um manequim tão reduzido, não é para valorizar a beleza feminina, mas para que a roupa tenha um caimento ideal, sem pregas e sem ondulações. Alta e extremamente magra, a mulher é transformada em cabide. E isso não deveria ser nosso sonho de consumo. 

Ao contrário, acho que devemos encontrar e honrar aquilo que há de único em cada uma de nós, sem nos deixarmos manipular. Reconhecer, pura e simplesmente, que a beleza existe sob todas as formas. E, afinal, está na hora do mundo da moda voltar-se para a mulher real que, por definição, tem elegantes curvas. Não há nada de errado em ser escandalosamente curvilínea!

Hoje procuro ser minha própria referência. Não é fácil, mas é sábio
Outro dia ouvi uma amiga dizer: “Perdi muito tempo achando que eu seria feliz quando ficasse magra. Hoje não faço mais isso. Aproveito cada dia!”
Isso resume tudo: Vamos escolher viver autenticamente, sem pedir autorização. Um brinde à quem você é!

Obs.: Este post apareceu primeiro no blog Pílulas de Moda e foi escolhido para republicação aqui devido minhas férias. <3

O Clube do Biscoito

Um livro com um nome tão peculiar! Conta a história de 12 amigas que se reúnem anualmente, na primeira segunda-feira de dezembro, para trocar receitas, biscoitos caseiros e para falar da vida.

Neste dia, essas mulheres sentem-se à vontade para compartilhar qualquer tema: a paixão e a esperança de um novo amor, as desilusões e as traições amorosas, os medos e as alegrias da maternidade, a agonia de perder um filho e, acima de tudo, a admiração e o respeito que sentem umas pelas outras. Contudo, neste ano, além das histórias divertidas, há alguns assuntos sérios a tratar: a filha mais velha de Marnie está enfrentando uma gravidez de risco. O pai de Jeannie está tendo um caso com sua melhor amiga. Taylor, após ser abandonada pelo amor de sua vida, está com as finanças por um fio. Já Rosie enfrenta a repulsa de seu marido à ideia de um possível filho.

Livros que falam de sororidade sempre me atraem. E este não foi diferente. Ao longo da noite de festa em que trocam seus embrulhos caprichados de biscoitos, cada uma das amigas divide com as outras um pouquinho da sua história, suas dificuldades, alegrias, mágoas, como somente boas amigas conseguem fazer.

Além de 12 receitas reais de biscoitos, a autora ainda acrescentou o histórico de vários ingredientes, como açúcar, sal, gengibre, etc.: onde primeiro apareceram, há quanto tempo, quem cultivava e como, e por aí afora.

Cada alimento que estudei deu ensejo a um filão de história e proporcionou uma visão das forças e acontecimentos responsáveis por nossa civilização e cultura. Afinal, foi o cultivo do trigo que possibilitou a existência de povoações; foi nosso desejo pela canela que levou à descoberta do Novo Mundo; e nosso vício pelo açúcar, possível apenas devido à escravidão, foi crucial para que os Estados Unidos fossem o país diversificado que é.

O texto em si tem altos e baixos, é um pouquinho arrastado para suas 290 páginas. Porém, acima dos dramas particulares está a clareza com que é mostrado o quanto precisamos de nossas amigas. A vida sem amigas é árida e difícil. Amigas são uma dádiva que precisamos cultivar e manter sempre por perto. Não podemos nunca prescindir delas. Uma ode à amizade feminina!

10 anos mais jovem em um final de semana

Usando de um título provocativo a autora deste livro curtinho (107 páginas, em inglês), Jan Small, pretende dar as dicas para que “em uma semana, você surpreenda suas amigas e se sinta no topo do mundo”.

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Claro que acreditar piamente nessa promessa seria loucura. Mas vamos ver o que o livro oferece? Abaixo estão os títulos dos capítulos e algumas anotações minhas:

 

Retire 10 anos (e 10 pounds*) com seu guarda-roupa  {*4,5 kg}

Evitar vestir dos pés à cabeça com um só estilo ou estilista pois, segundo a autora, pessoas jovens sempre escolhem usar um mix eclético de itens. Escolher clássicos com alguma peça atual e combinar qualidade com estilo é o ideal. Nada de tailleur, nada de mostrar muita pele, porém as saias nunca devem estar abaixo dos joelhos e devem manter o corte ajustado. Não usar nada que interesse adolescentes, como tornozeleiras, tie-dye, cores ácidas . Cuidado especial com os óculos de grau: fugir dos modelos ultrapassados e escolher sabiamente a armação. Abdicar dos sapatos feios confortáveis, seguir a moda e tentar modelos atuais, sendo que quanto mais salto você conseguir usar, melhor. Malhas e camisetas com logos e slogans estão terminantemente vetadas. Use roupas que alonguem, revelem suas melhores qualidades e escondam seus defeitos (dããã…). E, importante, faça uma análise de cores. Saber usar as cores certas para sua pele e cor de cabelos é fundamental.

Como aparentar mais jovem e magra num instante

Postura! Escolha um exercício como ballet, yoga ou Pilates, que melhoram e mantêm boa postura.

Rejuveneça seu rosto e pescoço

Cremes, tratamentos estéticos, botox, preenchimento, massagens. Parece que neste caso não há milagres possíveis.

Um corpo mais jovem

Esfoliação e hidratação, nunca esquecer. Se puder fazer um bronzeamento artificial, melhor ainda (há cremes que dão aparência de bronzeado).

Modernize seu corte de cabelo

Gente, este foi o item que mais achei interessante! Ela diz que para conseguir um novo corte de cabelo é necessário também um novo olhar. Se você corta há muito tempo com um mesmo profissional, ele já terá uma ideia formada sobre qual é o melhor corte para você. Quer mudar? Consulte as amigas e vá a um novo cabeleireiro!

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Um sorriso mais jovem

O perfume da juventude

Aparente mais jovem com maquiagem

Não deixe suas mãos entregarem sua idade

Pense em você como jovem: é uma coisa de atitude

Contenha os anos para sempre

Não posso detalhar todos os itens para não infringir direitos autorais. Como você pôde ver pelos capítulos que comentei, são dicas simples, todavia muitas vezes esquecemos de colocá-las em prática.

Muita coisa pode realmente ser feita em um final de semana, porém esse tanto de atenção e cuidado pessoal parece mais adequado a um esforço contínuo do que a uma corrida de dois dias.

Resultado: achei interessante, tem dicas boas, não é realista quanto ao tempo (óbvio). Como todo livro de aperfeiçoamento pessoal, vai funcionar o tanto quanto a leitora resolver investir nos conselhos.  #instigante

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No caminho

Com o final do ano se aproximando, é meio automático fazermos o balanço do que vivemos, do que foi bom e do que precisamos melhorar.

Pessoalmente, acabo sempre me recriminando por minha falta de obstinação, por me entusiasmar e depois ir abandonando as atividades aos poucos, geralmente por estar cansada demais ou ocupada demais. Bem no meio de um momento de feroz autocrítica, li o livro “No caminho – fragmentos para ser o melhor”, de Maria Júlia Paes da Silva.

grd_34564_15133Nele, a autora relata seu trabalho diário, persistente, de todo dia cumprir aquilo que se determinou a fazer e o resultado desse esforço. A caminhada é cotidiana, o compromisso consigo mesmo é refeito a cada dia, ano após ano. O resultado é visível, é real.

Sei disso porque conheço Maria Julia e constato a veracidade de suas palavras. Admiro sua postura equilibrada e bem-humorada diante da vida. Ver uma pessoa próxima manter seus compromissos internos e executá-los coerentemente, me deu mais vontade de fazer o mesmo. Deixou de ser algo impossível. Tornou-se prróximo, concretizável. Está ali, presente na próxima decisão, entre comer um doce ou uma fruta, entre ler ou assistir televisão, entre fazer uma caminhada ou deitar e descansar um pouco.

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Não há resposta correta. A cada momento, temos que respeitar nossa realidade. No entanto, se quero melhorar meu condicionamento físico, sei que devo escolher caminhar mais vezes do que me deitar na rede de balanço. Isso é ser coerente.

Aquele projeto de começo de ano (às vezes, do começo de todos os anos) de fazer ginástica e emagrecer, não será alcançado se for passageiro. A primeira semana na academia pode ser seguida de várias semanas de ausência se nosso propósito não for real, ou se ele for imediatista. Mas ele pode ser lindamente realizado se optarmos por dar pequenos passos, todos os dias, sem nunca tirar os olhos do objetivo.

Espero que o livro “No Caminho” inspire muitas pessoas, assim como me inspirou, ensinando que cada passo, por pequeno que seja, é fundamental quando estamos criando nosso destino.

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