Diário em Tópicos

Ainda em ritmo de começo do ano, comprei o livro “Diário em Tópicos” de Rachel Wilkerson Miller. Trata-se, mais especificamente, de um guia para quem quer utilizar o sistema do Bullet Journal® (ou BuJo®, para os íntimos, rs).  É indicado para pessoas que, como eu, adoram um caderno bonito, gostam de caneta, lápis, papel, etc. Seres que não se renderam totalmente ao virtual. Se você também é assim, essa forma de organização pode funcionar para você.

O diário em tópicos é um misto de agenda, diário e lista de afazeres. Nele, você cria sua própria diagramação: páginas para projetos futuros, organização da semana, lista do que precisa ser feito hoje, orçamento do mês. Confuso? Na verdade, não.

Comecei fazendo isso no ano passado e acho muito prazeroso. Você não fica limitado ao espaço predeterminado da agenda. Você decide como explorar suar folhas brancas. Pode desenhar, rabiscar, colar imagens. Minha criança interna fica satisfeitíssima. E o melhor de tudo: funciona super bem para organizar a vida.

No livro citado, a autora dá dicas para quem quiser se aventurar e explorar as possibilidades do diário em tópicos. Ela propõe diferentes esquemas para utilizá-lo de forma eficiente. Há muitas sugestões. Uma proposta que eu achei interessante e já adotei é o “controle de hábitos”. Você lista os hábitos que quer instalar ou perpetuar e marca sua constância em uma tabela. No meu caso, coloquei: piano, leitura, caminhada, tomar água, meditação, Being Energy, abdominais. É claro que não tenho a pretensão de fazer todas essas atividades todos os dias. Mas, o simples fato de ter listado e de marcar o que foi feito já funciona como estímulo. É como criar um mapa indicando quais caminhos quero percorrer. Um lembrete eficaz e descontraído.

Se esse tipo de “agenda” parece atraente, fica a dica do livro. É também muito fácil encontrar exemplos de Bullet journals no Pinterest e no Youtube. E lembre-se: nessa agenda é você quem cria e determina tudo. Você é livre. A única regra que pode valer, de fato, é a seguinte: Divirta-se! E pronto!

Uma incrível autora australiana

Gosto de ler escritores contemporâneos – a vida mudou tanto nas últimas décadas, que hoje os clássicos quase sempre me parecem enferrujados, fora da realidade. Exceção favorita: Sherlock Holmes, de Sir Arthur Conan Doyle. Leio e releio desde que estava na sexta série (!) e AMO.

Dos autores modernos, o destaque hoje vai para a australiana Liane Moriarty (1966). Ela tem uma imaginação inacreditável e consegue tecer tramas complicadas, verdadeiros thrillers, fechando os livros com conclusões incríveis e inesperadas.

Li seis de seus livros – acabava um e já procurava comprar o próximo. Coloquei-os abaixo com os links de suas respectivas resenhas, na ordem decrescente de sugestão de leitura (do qual mais gostei para o que menos me agradou).

Pequenas Grandes Mentiras
As Lembranças de Alice
The Hypnotist’s Love Story
Three Wishes 
O Segredo do Meu Marido
Até que a Culpa nos Separe

 

Dois títulos ainda não foram traduzidos para o Português, mas apresentam inglês variando de fácil a intermediário.

Destes seis, o único que não recomendaria efusivamente é “Até que a culpa nos separe”, por criar um suspense enorme e, na minha opinião, não entregar um motivo à altura.

Já os demais: LEIA todos! Ela é fantástica e tenho certeza que você vai adorar.

“A Gata do Dalai Lama” e “A Arte de Ronronar”

 

Se você, como eu, está cansado de ouvir que o mundo está caótico e que o comportamento humano é desalentador, esses dois romances de David Michie são para você.

Através dos olhos da simpática gata protagonista nos é apresentada uma outra realidade: compaixão e compreensão reinam soberanas no reino do Dalai Lama. Quero mudar para lá!

Os dois livros são leves, mas não superficiais. Os conceitos do budismo são transmitidos através de histórias e eventos cotidianos da vida de pessoas comuns. A possibilidade de autotransformação, de redenção, é sempre presente.

A leitura é fácil e agradável. Após terminar os livros, fica o sentimento de esperança e a vontade de agir mais amorosamente. As palavras do autor, na primeira página do livro “A Gata do Dalai Lama”, se tornaram um mantra para mim:

“Que todos os seres alcancem a felicidade e todas as causas verdadeiras da felicidade.
Que todos os seres se libertem do sofrimento e de todas as causas verdadeiras do sofrimento.”

Que assim seja!

Nunca suficientemente magra

O livro “Jamais assez maigre” [Nunca suficientemente magra], escrito pela ex-top model Victoire Maçon Dauxerre – que já foi uma das vinte modelos mais requisitadas do meio fashion – denuncia os abusos aos quais as mulheres são submetidas para se enquadrarem em um padrão de beleza irreal e que ameça a saúde.

Selecionada pela Agência Elite, a francesa troca Paris por New York para se lançar no mundo da moda, onde o sucesso parecia estar ao seu alcance. Afinal, ela era jovem, bela e magra. Mas, logo descobriu, não era magra o bastante. Para desfilar na Semana de Moda ela deveria passar do tamanho 36 para o 32. Em dois meses.

“Ninguém me disse que tinha de perder peso. Disseram-me que em setembro iria à Fashion Week, que as roupas eram 32-34 e que tinha de caber nelas”, confessa.

Para realizar essa façanha, ela substitui três refeições diárias por… três maçãs acompanhadas de água com gás, e apenas um pedaço de frango ou peixe por semana. Resultado: ela se torna um ser esquelético de 1,80 m e 47 quilos e conquista seu lugar nas passarelas. Preço da aventura: uma anorexia nervosa que combate por muitos anos.

Agora a ex-modelo veste 38 e é reconhecida pela sua difícil luta contra a anorexia, motivo pelo qual está empenhada em desmitificar a indústria da magreza.

Seu caso não é incomum. Como ela, muitas mulheres se sentem oprimidas pelo padrão de magreza excessiva, veiculado como belo. E não apenas modelos e bailarinas. Mulheres de todas as idades se comparam e sentem-se aquém do esperado. ‘Não, não somos magras o suficiente’.

No entanto, quando a indústria da moda exige um manequim tão reduzido, não é para valorizar a beleza feminina, mas para que a roupa tenha um caimento ideal, sem pregas e sem ondulações. Alta e extremamente magra, a mulher é transformada em cabide. E isso não deveria ser nosso sonho de consumo. 

Ao contrário, acho que devemos encontrar e honrar aquilo que há de único em cada uma de nós, sem nos deixarmos manipular. Reconhecer, pura e simplesmente, que a beleza existe sob todas as formas. E, afinal, está na hora do mundo da moda voltar-se para a mulher real que, por definição, tem elegantes curvas. Não há nada de errado em ser escandalosamente curvilínea!

Hoje procuro ser minha própria referência. Não é fácil, mas é sábio
Outro dia ouvi uma amiga dizer: “Perdi muito tempo achando que eu seria feliz quando ficasse magra. Hoje não faço mais isso. Aproveito cada dia!”
Isso resume tudo: Vamos escolher viver autenticamente, sem pedir autorização. Um brinde à quem você é!

Obs.: Este post apareceu primeiro no blog Pílulas de Moda e foi escolhido para republicação aqui devido minhas férias. <3

O Clube do Biscoito

Um livro com um nome tão peculiar! Conta a história de 12 amigas que se reúnem anualmente, na primeira segunda-feira de dezembro, para trocar receitas, biscoitos caseiros e para falar da vida.

Neste dia, essas mulheres sentem-se à vontade para compartilhar qualquer tema: a paixão e a esperança de um novo amor, as desilusões e as traições amorosas, os medos e as alegrias da maternidade, a agonia de perder um filho e, acima de tudo, a admiração e o respeito que sentem umas pelas outras. Contudo, neste ano, além das histórias divertidas, há alguns assuntos sérios a tratar: a filha mais velha de Marnie está enfrentando uma gravidez de risco. O pai de Jeannie está tendo um caso com sua melhor amiga. Taylor, após ser abandonada pelo amor de sua vida, está com as finanças por um fio. Já Rosie enfrenta a repulsa de seu marido à ideia de um possível filho.

Livros que falam de sororidade sempre me atraem. E este não foi diferente. Ao longo da noite de festa em que trocam seus embrulhos caprichados de biscoitos, cada uma das amigas divide com as outras um pouquinho da sua história, suas dificuldades, alegrias, mágoas, como somente boas amigas conseguem fazer.

Além de 12 receitas reais de biscoitos, a autora ainda acrescentou o histórico de vários ingredientes, como açúcar, sal, gengibre, etc.: onde primeiro apareceram, há quanto tempo, quem cultivava e como, e por aí afora.

Cada alimento que estudei deu ensejo a um filão de história e proporcionou uma visão das forças e acontecimentos responsáveis por nossa civilização e cultura. Afinal, foi o cultivo do trigo que possibilitou a existência de povoações; foi nosso desejo pela canela que levou à descoberta do Novo Mundo; e nosso vício pelo açúcar, possível apenas devido à escravidão, foi crucial para que os Estados Unidos fossem o país diversificado que é.

O texto em si tem altos e baixos, é um pouquinho arrastado para suas 290 páginas. Porém, acima dos dramas particulares está a clareza com que é mostrado o quanto precisamos de nossas amigas. A vida sem amigas é árida e difícil. Amigas são uma dádiva que precisamos cultivar e manter sempre por perto. Não podemos nunca prescindir delas. Uma ode à amizade feminina!