Ho’oponopono

Às vezes, acordo com um pensamento em minha mente. Pode ser a palavra que faltava para eu terminar uma tradução ou algum tipo de orientação. Aprendi a respeitar essas intuições sem discutir. O exemplo mais convincente ocorreu no dia do meu casamento. Acordei com a seguinte frase na cabeça: “Telefone para o padre Cláudio”. Liguei e descobri que o Padre havia perdido a agenda e não fazia a menor ideia que deveria nos casar naquela noite. Graças a esse telefonema deu tudo certo.

Ontem, acordei com a palavra Ho’oponopono na cabeça. Indiscutivelmente, não é uma palavra banal. Quando tomei contato com esse sistema confesso que me pareceu muito estranho. No entanto, a história do Dr. Ihaleakala Hew Len cria impacto suficiente para fazer refletir a respeito. Ele realizou algo impensável: curar pacientes de um hospital de criminosos doentes mentais sem vê-los. É tão inusitado que merece verificação.

Nas palavras do Dr. Ihaleakala:  “Quando eu trabalhava no hospital psiquiátrico e examinava as fichas dos pacientes eu sentia dor dentro de mim. Era uma memória compartilhada. Era um programa que fazia com que os pacientes agissem como agiam. Eles não tinham controle. Estavam presos em um programa. Enquanto eu sentia o programa, eu ia fazendo a limpeza.” 

Em Havaiano, Ho’o significa “causa”, e ponopono quer dizer “perfeição”, portanto Ho’oponopono significa “corrigir um erro” ou “tornar certo”. De acordo com os antigos havaianos, os problemas são originados por pensamentos contaminados e memórias dolorosas. Praticar o Ho’oponopono seria uma forma de liberar a energia estagnada. Para tanto, são usadas as chaves mentais: “Sinto muito. Perdoe-me, por favor. Obrigada. Eu te amo.”

Ele é um processo para resolver problemas e se baseia nos princípios abaixo:

  1. O universo físico é uma manifestação dos meus pensamentos.
  2. Se os meus pensamentos são destrutivos, eles criam uma realidade física destrutiva.
  3. Se os meus pensamentos são perfeitos, eles criam uma realidade física repleta de AMOR.
  4. Sou 100% responsável por criar o meu universo físico do jeito como ele é.
  5. Sou 100% responsável por corrigir os pensamentos destrutivos que criam uma realidade enferma.
  6. Não há o lá fora. Tudo existe como pensamentos na minha mente.

O fato é que depois do espanto inicial de ter resgatado o Ho’oponopono de alguma parte do meu cérebro, perguntei a mim mesma o que fazer com essa orientação matinal: “Peça perdão para o seu corpo”. Obedeci. Durante todo o dia, sempre que me lembrava usava as chaves mentais: Sinto muito. Perdoe-me, por favor. Obrigada.. Eu te amo.”

Surpreendentemente (não sei por que ainda me surpreendo!), comecei a me sentir fisicamente muito melhor, com um conforto renovado. Constatei que muitas vezes desrespeitei a saúde de meu corpo com alimentos errados, poucas horas de sono, sobrecarga de trabalho. Como é que podemos nos esquecer de dar amor à nós mesmos, de nos cuidarmos com o carinho que merecemos?

Não compreendo ainda por quais caminhos funciona a cura pelo Ho’ oponopono, mas não faz mal. Não é um processo mental, mas uma vivência, uma percepção íntima de que não há limites e que a separação é ilusória. Funcionamos integrados. Quando nos fragmentamos os problemas começam. Por que não tentar o sistema havaiano para caminhar para a solução?

Fontes de pesquisa:

http://stelalecocq.blogspot.com/2010/10/entrevista-com-dr-ihaleakala-hew-len.html

Corpo – Mente – Espírito

Nosso blog, “E aí, 50? ”, comemorou seu primeiro ano de vida. No momento de sua criação, cada uma de nós escolheu seus assuntos de preferência. Eu tinha intenção de me concentrar sobre o tema do corpo, mas acabei discutindo sobre espiritualidade. Na verdade, sobre os dois. Dá para separar? Eu não consigo. Acho que nossos pensamentos, crenças, sentimentos ficam impregnados no corpo. Se estamos felizes, brilhamos. Se a depressão nos atinge, é como se murchássemos. 

E assim, mais uma vez, vou misturar os dois assuntos. Estou terminando este mês um novo ciclo de formação no sistema “Being Energy”, do qual sou professora. Nesse programa, o corpo, a mente e o espírito são contemplados. Um dos aspectos abordados foi o que chamamos de “recapitulação”. Recapitular é retomar um fato do passado e revê-lo sem julgamento, em estado sereno. É o oposto de reviver emocionalmente. Trata-se de observá-lo a partir do momento presente e resgatar a energia que pode ter ficado bloqueada em função do ocorrido.

Outro assunto muito tratado é a alimentação, pois a escolha do que ingerimos nos afeta física, emocional e espiritualmente. Como resultado desse trabalho, eu me lembrei exatamente em que circunstância da minha vida comecei a ganhar peso. Foi libertador.

Por que será que emagrecer é tão difícil? É claro que chocolate é gostoso e que comer bem em boa companhia é uma delícia. Mas, você já pensou em que momento o ganho de peso se iniciou? Que seu corpo pode ter acumulado peso movido pela necessidade de protegê-la contra emoções destrutivas? E que permitir-se emagrecer é se dar a autorização de deixar ir o que não serve mais? Na verdade, é olhar para si e se enxergar nova. Desapegar-se do que passou.

Muitas vezes, nos criticamos, desfazemos do corpo, nossa verdadeira casa. E se as mudanças corporais estão relacionadas às etapas da vida, o brilho no olhar, o vigor físico e o desejo muitas vezes são mais afetados pelos nossos pensamentos, pelos acontecimentos do que pela idade. Somos guerreiras dentro de uma armadura incrivelmente vigorosa.

Assim, aos 50 anos, ou em qualquer momento da vida, dedique alguns minutos a cada dia para honrar seu templo pessoal, para render homenagem à incrível precisão do organismo com sua imensa capacidade de viver, de se levantar, de trabalhar, aprender, amar. Seu Corpo – Mente – Espírito agradece.

Somos especiais

Há pessoas fantásticas no mundo. Contou-me uma aluna sobre sua avó, senhora portuguesa que, após estabelecer-se no Brasil, decidiu chamar amigos e parentes. Durante anos ela recebeu, abrigou, tratou e alimentou uma grande quantidade de imigrantes. Por ocasião de sua morte, pessoas que minha aluna nunca havia visto estavam presentes e agradeciam a senhora graças à qual haviam sobrevivido e se instalado satisfatoriamente neste país.

Ouvir histórias assim é um presente. Faz a gente enxergar todo o bem que é feito anonimamente, toda grandeza que pode existir em um ser humano. Eu me pergunto por que não falamos mais sobre pessoas assim, por que preferimos histórias de traição e não de integridade e bondade.

Segundo o ho’oponopono somos 100% responsáveis por tudo o que sucede. Assim, diante do negativo, pedimos perdão e enviamos amor. Então, diante do positivo podemos nos lembrar que também somos cocriadores e podemos escolher reverenciar, admirar e reconhecer esses aspectos dentro de nós. 

Gentilmente, vamos resgatar, abraçar nossa própria luz. Não há razão para não nos descobrirmos, a cada dia, mais iluminados.

Frases que merecem ser lidas

“Alternativa é a escolha que temos no âmbito social. Possibilidade é a dimensão de alcance do ser luminoso. As alternativas podem ser limitadas, mas as possibilidades são sempre infinitas, se estivermos em contato com nossa própria luz.” (Carlos Castaneda)

“Quando uma pessoa vive de verdade, todos os outros também vivem. Esse é o principal imperativo da mulher sábia. Viver para que os outros também se inspirem. Viver do nosso próprio jeito vibrante para que outros aprendam conosco.” 
(Clarissa Pinkola Estés – A Ciranda das Mulheres Sábias)

“Nosso grande medo não é o de que sejamos incapazes. Nosso maior medo é que sejamos poderosos além da medida. É nossa luz, não nossa escuridão, que mais nos amedronta.
Nos perguntamos: “Quem sou eu para ser brilhante, atraente, talentoso e incrível? Na verdade, quem é você para não ser tudo isso? Bancar o pequeno não ajuda o mundo. Não há nada brilhante em encolher-se para que as outras pessoas não se sintam inseguras em torno de você. E, à medida em que deixamos nossa luz brilhar, inconscientemente damos às outras pessoas a permissão para fazer o mesmo.” (Nelson Mandela)

“É essencial que a pessoa primeiro aprenda a cantar plenamente sua própria canção e então, como parte de suas necessidades humanas, encontre uma maneira de expressar sua relação com os outros, ou com a raça humana. Só desta maneira atuamos e vivemos como um todo coerente e assim fortalecemos e mobilizamos nossa própria capacidade de autocura.” (Laurence Leshan)

“Sua visão se tornará clara somente quando você olhar para dentro do seu coração. Quem olha para fora, sonha. Quem olha para dentro, acorda.” (Jung)

Desembrulhando-se

Quem não gosta de ganhar presente? Quem não gosta de descobrir, embaixo de tudo o que o cobre, o conteúdo inesperado (ou aguardado!) de um pacote especial? Às vezes, passamos a vida nos dando presentes materiais e isso nos alegra, por algum tempo. Mas, entretidos com o brilho do que existe fora, esquecemos de  desembrulhar o nosso maior presente: a nossa alma. Não existe maior aventura, ou maior alegria do que ir retirando as camadas e camadas que a escondem.

Aos pouco vou descobrindo que aquela pessoa que tinha receio de abordar os outros não era eu, era um outro, uma noção importada que havia colado em mim como uma fita adesiva. Hoje, minha alma tem outros planos.

Aos poucos, vou entrevendo os sonhos que haviam sido meio soterrados pelas convenções e aprisionados em nome das obrigações sociais. Retiro essas fitas que prendiam minha alma e ela começa a respirar um pouco mais.

Contendo a furiosa vontade de viver e de experimentar tudo, havia um papel muito resistente chamado “você deve” e uma grande caixa opaca ocultava o brilho de um Ser ávido de felicidade.

Assim, ao avançar me “desembrulhando”, vou encontrando tesouros inimagináveis. Ideias, antes tidas como inconcebíveis, passam a habitar o mundo dos vivos, do possível, do provável.

Haverá caminho mais inesperado do que trilhar o território interior, esquadrinhá-lo e discernir aquilo que nos pertence daquilo que acreditávamos ser nosso? Jornada longa, mas fascinante, cujo prêmio é encontrar-Se.