Domingo de Natal

Hoje é Natal! Para os cristãos a data é especial, comemora-se o nascimento do filho de Deus, que veio à Terra para mostrar o caminho da salvação. Mas independente da religião, o Natal possui tantos outros significados simbólicos. Vamos primeiro separar o joio do trigo; há o Natal dos que saem correndo, de última hora, para comprar presentes, os mais baratos ou mais fáceis, para cumprir tabela no jogo do amigo secreto. Há também aqueles que respiram fundo, tomam fôlego para passarem a noite junto de pessoas que fazem parte do mesmo bando, sem necessariamente haver afinidade. Há o Natal dos que sofrem de solidão, dos que estão distantes das pessoas amadas, dos que perderam um amor para a vida ou para a morte. Há os que não se mobilizam minimamente com essa data, os que não crêem, por medo ou cansaço. Mas, para todos esses e tantos outros, não há a presença do espírito do Natal, é só mais uma data festiva, onde pode-se comer e beber à vontade.

O espírito de Natal é um sopro que toca os que estão de coração aberto e disponíveis para o encontro. No presépio, o filho de Deus é uma criança, um menino deitado sobre a manjedoura. O espírito natalino tem a ver com as crianças, que deixam-se levar pela magia e pelo encanto, que acreditam que Papai Noel vai entrar pela janela e trazer a concretização dos seus desejos. Tem a ver com o renascimento da nossa criança interior, que depois de ficar escondida debaixo do peso de um ano inteiro de trabalho e batalhas de todas as ordens, espreita novamente o horizonte, levanta-se, quer brincar, comemorar, sonhar e acreditar no sonho de um mundo onde pode-se olhar para o outro e reconhecê-lo como um aspecto nosso, uma parte de nós, que por ser diferente nos complementa, nos convida a conhecer outro universo, a trilhar outros caminhos. Um mundo onde a família não é bando, mas grupo, formado de pessoas que compartilham da mesma ancestralidade, que caminham juntas pela jornada da vida, apoiando-se e aprendendo, nos erros e nos acertos, nos encontros e desencontros, mestres uns dos outros, cuja troca de experiências constrói uma possibilidade de ampliação de consciência e expansão da energia amorosa.

Essa energia amorosa é um esboço da energia Crística, de amor e sabedoria, compaixão e perdão, que o menino Deus representa. O Natal traz a possibilidade de reacendermos a chama dessa energia que vive em nossos corações, de incendiá-la para que ganhe vulto, cresça e aqueça o coração de todos que estão ao nosso redor. E quem está ao nosso redor? Engana-se o que pensa só na família e nos amigos, a humanidade inteira está ao nosso redor, estamos inseridos nela, e ela em nós. E a humanidade está inserida na Terra, e esta no Sistema Solar, e este em uma galáxia vizinha a tantas outras galáxias, e portanto, o Universo inteiro compartilha dessa expansão amorosa.

Natal é consciência Crística, somos todos energia luminosa, fagulhas de amor à espera do despertar. Que possamos contatá-la e distribuí-la pelos quatro cantos, pelos quatro elementos e através dos quatro compromissos: a impecabilidade da palavra, a consciência de não levar nada para o lado pessoal (o mundo não gira ao redor de nós), não tirar conclusões (isso nos leva a evitar os julgamentos pessoais), e dar o melhor de si, sempre. Talvez esse possa ser um dos caminhos que nos leve de encontro ao tão sonhado mundo melhor, que não será deixado debaixo da árvore pelo Papai Noel, mas que pode ser construído por nós em cada momento precioso de nossas vidas.

À todas vocês, Feliz Natal!

Livre aos 50!!

Você já considerou a possibilidade de parar de pintar o cabelo e exibir uma bela cabeleira branca ou cinza, com um corte descolado? Essa moda, que há alguns anos parecia algo impensável, tornou-se prática comum e constato que cada vez mais mulheres adotam o cabelo grey.

Se fazer essa escolha é uma decisão totalmente pessoal, acho fantástico podemos optar, decidir se queremos um look mais natural ou se preferimos tingir. Não haver mais a ditadura nesse sentido é um sinal dos tempos.

Sinal de que conquistamos uma liberdade de percepção: para sermos atraentes, para nos sentirmos bem não precisamos mais falsear a idade. A beleza assume a característica do seu tempo. Vejo mulheres lindíssimas, mulheres que não estão querendo “passar por mais moças”, mas que carregam seus anos com um charme inigualável. Escolhem a autenticidade, o bem-viver. Ao invés de provar algo, podemos trilhar o caminho que sentirmos ser o melhor, para cada uma de nós, sem seguir regras.

Toda pessoa busca se sentir atraente, confortável, saudável. Só que algumas vezes, essa tríade não anda junta. Já houve casos de mulheres que tiraram costelas para afinar a cintura. Os saltos altíssimos (que continuo achando lindos) são causadores de dores nas costas e nos joelhos. Passei alguns anos da minha vida adulta pendurada neles, diariamente. Hoje, sou moderada. Nos dois casos citados, a saúde e o conforto são colocados em segundo lugar em nome da beleza.

O que explica o fato de fazermos esses pequenos sacrifícios? Talvez o desejo ou a necessidade de se sentir admirada, de receber a aprovação dos outros. Nesses momentos o olhar alheio é a principal referência.

A verdade é que com o passar dos anos, ganhamos muito mais do que alguns quilos e algumas rugas: ganhamos o “direito” de fazer aquilo que NÓS achamos bonito. E o trio beleza, conforto e saúde coexiste com muito mais facilidade. Saímos com sapatilhas, roupas elegantes e confortáveis, sem ter que impressionar ninguém. Mas, podemos sair arrumadíssimas, super produzidas, se isso for nossa vontade. O que mudou? Temos a nós mesmas como referência. E isso não tem preço.

O Clube do Biscoito

Um livro com um nome tão peculiar! Conta a história de 12 amigas que se reúnem anualmente, na primeira segunda-feira de dezembro, para trocar receitas, biscoitos caseiros e para falar da vida.

Neste dia, essas mulheres sentem-se à vontade para compartilhar qualquer tema: a paixão e a esperança de um novo amor, as desilusões e as traições amorosas, os medos e as alegrias da maternidade, a agonia de perder um filho e, acima de tudo, a admiração e o respeito que sentem umas pelas outras. Contudo, neste ano, além das histórias divertidas, há alguns assuntos sérios a tratar: a filha mais velha de Marnie está enfrentando uma gravidez de risco. O pai de Jeannie está tendo um caso com sua melhor amiga. Taylor, após ser abandonada pelo amor de sua vida, está com as finanças por um fio. Já Rosie enfrenta a repulsa de seu marido à ideia de um possível filho.

Livros que falam de sororidade sempre me atraem. E este não foi diferente. Ao longo da noite de festa em que trocam seus embrulhos caprichados de biscoitos, cada uma das amigas divide com as outras um pouquinho da sua história, suas dificuldades, alegrias, mágoas, como somente boas amigas conseguem fazer.

Além de 12 receitas reais de biscoitos, a autora ainda acrescentou o histórico de vários ingredientes, como açúcar, sal, gengibre, etc.: onde primeiro apareceram, há quanto tempo, quem cultivava e como, e por aí afora.

Cada alimento que estudei deu ensejo a um filão de história e proporcionou uma visão das forças e acontecimentos responsáveis por nossa civilização e cultura. Afinal, foi o cultivo do trigo que possibilitou a existência de povoações; foi nosso desejo pela canela que levou à descoberta do Novo Mundo; e nosso vício pelo açúcar, possível apenas devido à escravidão, foi crucial para que os Estados Unidos fossem o país diversificado que é.

O texto em si tem altos e baixos, é um pouquinho arrastado para suas 290 páginas. Porém, acima dos dramas particulares está a clareza com que é mostrado o quanto precisamos de nossas amigas. A vida sem amigas é árida e difícil. Amigas são uma dádiva que precisamos cultivar e manter sempre por perto. Não podemos nunca prescindir delas. Uma ode à amizade feminina!

Tchau querido!

Faltam 13 dias para terminar o ano, e aposto que estamos todos em contagem regressiva, esperando ansiosamente pela descida das cortinas, pelo game over. Vamos combinar que 2016 não foi fácil para ninguém!! Independente das questões pessoais, o cenário político e seus personagens bizarros contribuíram de forma ampla, geral e irrestrita para o peso que estamos sentindo sobre nossos ombros e pela sensação de exaustão que nos toma diariamente; o show de horrores não deu tréguas!

Todos temos um limite para suportar com certa sanidade as nuances grotescas da vida, e quando esse limite é ultrapassado, nos sentimos como se algo se esgarçasse dentro de nós; talvez seja a trama do tecido constituído de esperança, expectativa positiva, confiança, crença na justiça, que fica puído diante da performance desses “ditos” homens da política, que mentem, roubam, dissimulam, arrombam o país e sugam de canudinho o fruto do nosso trabalho escravocrata. E feliz ou infelizmente, 2016 trouxe à tona a ponta do iceberg desse submundo do crime legalizado, e fomos completamente impactados por tudo isso.

É evidente que a conscientização da sociedade sobre o que acontece nos bastidores da política brasileira é extremamente favorável, uma vez que para haver alguma mobilização para a mudança se faz necessário dar-se conta do problema, reconhecê-lo e nomeá-lo. É evidente tanto quanto que a mudança do calendário não alterará magicamente todo esse panorama. Mas estamos precisando de um tempo, de uma brecha, de uma pausa para respirar.

Talvez as festas de final do ano nos ofereçam essa oportunidade. Vamos diminuir o ritmo do trabalho, nos voltarmos para a família e amigos, celebrarmos a vida e à vida junto às pessoas que amamos, afinal não há mal que nunca acabe, continuamos caminhando, elaborando as perdas e ganhos, aprendendo e crescendo em percepção e consciência.

Daqui a uma semana será Natal, e a duas semanas será Ano Novo. Para muito além da comilança e dos presentes há a chama do renascimento e do recomeço; quando uma lição foi aprendida não há necessidade de ser repetida, podemos passar para a próxima. Que possamos reconhecer com gratidão que a dificuldade nos fortalece, nos faz descobrir talentos e recursos internos que até então estavam adormecidos. Claro que não queremos nos descobrir só através do caminho das dificuldades, queremos mais sossego e alegria, prazer e facilidades. Mas estamos aqui, vivos na reta final dessa maratona, quase rasgando a fita.

Estamos aqui para olhar para 2016 e dizer, em alto e bom tom, tchau querido!!

Você está viva dentro do seu corpo?

Outro dia me peguei exausta, ou melhor dizendo, cedi ao fato de que estava realmente exausta e não queria fazer nada além de dormir. Evidentemente, meu corpo deve ter sinalizado antes que não estava em grande forma, mas, quem liga quando se tem um monte de obrigações a cumprir? Agora, não havia mais nada a negociar. Eu estava tão cansada que cancelei tudo o que era “cancelável” e me dei o direito de ficar na cama, de ler, de fazer o mínimo necessário. Avisei a família que não estava bem, que esperassem menos esforço da pessoa aqui presente.

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Passei a observar e perceber que no geral somos meio robóticos. Nos alimentamos na hora determinada (será que eu estava realmente com fome na hora do almoço?), dormimos no horário preestabelecido e ficamos muito contrariadas quando temos sono “fora de hora”. Além disso, o corpo acaba sendo considerado apenas no aspecto da “boa forma”. Todo mundo sabe sobre a última dieta da moda ou a última atividade física salvadora. Mas, de verdade, e daí? Não é muito mais importante saber se você está viva dentro do seu próprio corpo?

Passei a me questionar e agora pergunto a você:

  • Quanto tempo por dia você passa diante do computador e da televisão?
  • Quanto tempo sentada, atendendo pessoas ou conversando?
  • Você reluta em dormir, apesar do sono e cansaço, porque o computador e suas infindáveis informações a fascinam?
  • O número de horas que você dorme são suficientes para fazê-la acordar disposta?
  • Você presta atenção no que come?
  • Percebe como a alimentação afeta sua energia?
  • Sabe quais alimentos a fazem sentir mais disposta e quais provocam o efeito contrário?
  • Você ouve os pedidos do seu corpo ou eles são desconsiderados e é a mente que dá as ordens?

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Existe algo rebelde em se fazer o que o corpo quer fazer, sem seguir as regras da mente. Dormir quando se tem sono, escutar o corpo quando estivermos diante de um prato de comida e fazer escolhas inteligentes.

Adoro dançar. Sempre adorei. E foi na última aula de dança que percebi que eu estava de volta, presente dentro do corpo. O prazer de me movimentar, o prazer de interpretar com movimentos o ritmo da música, o prazer de estar viva.

Estar viva dentro do próprio corpo tem a ver com a decisão de viver o presente, desligando a culpa do passado e o medo do futuro. Tem a ver com prestar atenção na respiração e na postura, principalmente após ficarmos sentadas por horas sem fim. É desligar o piloto automático e fazer uso do olhar. Há quanto tempo você não admira aquele quadro na parede, ou aquela foto do porta retrato? Será que você ainda os quer ali? Ou está na hora de mudar alguma coisa? Tem coisas que são viscerais. Dê um descanso para a já sobrecarregada mente e pergunte a seu corpo. Ele sabe. Sem corpo são, não há solução.

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