Liberte-se do espelho!

Adoro a Avenida Paulista, com seu charme peculiar, seu aspecto cosmopolita. No sábado, voltando de carro por ela, olhava as pessoas, cada uma do seu jeito, com um tipo de roupa diferente… De repente, percebi que nenhuma delas se assemelhava aquilo que é veiculado como beleza. As pessoas que eu via eram de todas as cores, a maioria mais baixa e mais gorda do que qualquer modelo de revista, qualquer blogueira, atriz ou ator de cinema. Por segundos, achei o mundo feio.

Pedestres atravessando na faixa na Avenida Paulista, onde é possível observar uma grande quantidade de pessoas andando a pé independente do dia e do horário, pois é uma região muito comercial, onde existem diversos prédios residenciais, comerciais e lojas das mais variadas. -Foto: Renata Carlini
Pedestres atravessando na faixa na Avenida Paulista -Foto: Renata Carlini

Como assim? Tem alguma coisa errada nessa forma de pensar!

Como podemos julgar as pessoas nos baseando em conceitos que não têm a ver com nossa realidade? Por que uma russa loira e alta seria mais bonita que uma boliviana baixinha? Onde está escrito isso? A resposta é simples e chocante: na nossa cabeça! Fomos domesticados, ensinados sobre o que é belo e o que não. Mas, isso faz sentido?

Houve um tempo em que, na China, as meninas tinham os dedos dos pés quebrados e enfaixados para trás para que seus pés não crescessem e pudessem caber em diminutos sapatos. Quanto menor o pé, maior a beleza. As meninas eram submetidas a esse processo que as mutilava, causando dores para toda a vida, para serem “atraentes” e poderem se casar. Se morássemos lá nessa época, provavelmente teríamos a mesma visão. Assustador, não?

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Na Mauritânia, ainda hoje, meninas são obrigadas a comer quantidades superiores às que seu corpo pode suportar para conseguirem um marido. Lá, a obesidade é o padrão estético ideal. Os problemas de saúde resultantes, tais como diabetes, artrite, pressão alta, são comuns. Mas, e se tivéssemos nascido lá? Será que não enxergaríamos o mundo da mesma forma?

É muito fácil vermos o absurdo em outras culturas. Afinal, elas são diferentes… e nós é que temos razão, certo? Errado! Não há isso de padrão ideal, de modelo a ser seguido. Cada corpo é único, tem sua própria beleza. Esquecer disso significa ajustar as lentes por um padrão que nos foi ensinado, significa julgar e se julgado pelo olhar alheio. Não estamos livres dessa sujeição. O ideal de magreza que é veiculado é um exemplo, e pessoas que sofrem de anorexia nervosa conhecem bem esse problema. Na verdade, é raro ver uma mulher que não queira emagrecer um pouquinho, eu inclusive…

Olhar para si mesmo e descobrir-se perfeito a seu modo não é um exercício fácil, mas é algo que nos traz saúde. E acredito que a saúde seja a única referência válida. É também um exercício de lucidez. O que mais na vida me aprisiona sem que eu nem perceba? Que “verdades absolutas” nos foram incutidas? O corpo, mais uma vez, nos ajuda através da sua concretude. Vamos ser livres, ao menos, nele. Vamos ser saudáveis! Vamos nos amar como somos!

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O que é adequado vestir aos 50′?

Quando fiz uns 45 anos comecei a me preocupar muito com o que eu deveria passar a vestir. “Será que esta roupa está adequada à idade? Será que eu deveria parar de usar esse tipo de estampa?” – e por aí afora. E o que eu encontrei para ler foram regras e mais regras a serem seguidas, todas muito limitantes:

Não pode mais usar saia curta. Não pode deixar os braços de fora. Não pode usar roupa justa. Nada de muita pele aparecendo. Etc, etc…

Você também já se deparou com isso?

Fato é que essa noção de “pode-não pode” é muito limitante e muito errada. Depois de tanto tempo escrevendo sobre Moda (blogo desde 2011) posso lhe dizer que os posts que vão ditar regras continuarão a ser muitos, mas você não deve acreditar neles.

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Agora estamos em um período de emancipação das noções restritas. Podemos olhar para fora dessa caixinha e dizer claramente que somos donas do nosso nariz e, por isso, nós que decidimos o que vamos ou não usar. Quer melhor exemplos que as divas do blog Advanced Style? [todas as fotos deste post são dele]

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Aí você me pergunta: Mas não há regra nenhuma?? Não, amiga, não há. Vale o que lhe fizer sentir bem. A vida é muito curta para a gente não se divertir com o vestir. E todo dia é uma nova oportunidade para você sair com sua cor favorita, seu sapato preferido e o modelo de roupa que mais lhe agradar.

Então… Vamos aproveitar a liberdade?

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Empoderamento

Vocês já repararam que o modismo não se restringe a um determinado aspecto do comportamento humano como, por exemplo, a maneira de se vestir, mas é muito mais abrangente e abarca usos e costumes, inclusive na linguagem falada e escrita? Pois é, é exatamente o que está acontecendo com a palavra empoderamento.

Cada vez que surge um modismo parece tratar-se de uma novidade, mas, via de regra, não é assim. Muitas vezes é só uma roupagem diferente para alguma coisa que de nova não tem nada, mas é válido quando nos dá a possibilidade de resignificar uma ideia, tornando-a inclusive mais forte.

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O que mais se ouve e se lê atualmente é sobre o empoderamento da mulher, como se tivéssemos recém descoberto um poder que vem de fora, da sociedade, e que é dado às mulheres como um presente ou uma maneira de reconhecimento do seu valor. Aliás, um dos significados que o dicionário traz é a “socialização do poder entre os cidadãos, inclusão social e exercício da cidadania”. Mas Paulo Freire, um dos principais educadores brasileiros, traduziu o termo empowerment para o português como sendo “a capacidade do indivíduo realizar, por si mesmo, as mudanças necessárias para evoluir e se fortalecer”.

Podemos pensar que empoderar-se é um processo de emancipação, de libertação dos parâmetros que restringem, limitam, cerceiam, tanto externos quanto os internalizados. É aventurar-se dentro de si mesmo como quem parte para uma expedição e descobrir os próprios recursos, potenciais, atributos; e a partir dessa descoberta, assumi-los plenamente. Não há melhor escolha a se fazer do que assumir ser quem se é, desfazendo-se dos personagens vitimizados que acabamos encenando durante a vida.

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Na estação da maturidade descobrimos a força da mulher sábia que habita em nós, o poder que ficou oculto sob o véu da repressão, da opressão, da depressão; o poder que tantas vezes delegamos ao outro, invejamos no outro, desejamos do outro, como se nós não o carregássemos no ventre, na alma, no coração.

O poder está em nós, e esse poder é o elemento de transmutação da vida passiva para a ativa, da vida lamentada para a desejada, a ponte que nos faz partir da dor em direção ao prazer. Esse poder é um direito, uma conquista e uma responsabilidade que temos em relação a como vamos transitar por este planeta enquanto estivermos por aqui. É através desse exercício que mudamos de lugar, abandonamos a plateia e subimos ao palco para sermos a protagonista da nossa vida!!

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Yoga

Sou praticante de yoga desde 1997. E hoje, mexendo em meu armário, encontrei vários livros teóricos sobre essa prática. Pois, na verdade, yoga não é apenas uma atividade física, mas uma disciplina, um modo de estar no mundo. Você percebe o corpo, espaço onde se dá nossa experiência, para perceber a mente.

Você sabia que o objetivo inicial do yoga é atingir a iluminação? Surgiu aproximadamente em 2000 AC, mas só foi sistematizado bem mais tarde (400-200 AC), pelo erudito indiano Patânjali que reuniu e classificou uma série de práticas ascéticas e técnicas contemplativas que existiam na Índia desde tempos imemoriais e estabeleceu uma fundamentação teórica. Seu livro, o Yoga Sutra, é a base filosófica do yoga que conhecemos.

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Os “asanas” ou posturas e os “pranayamas”, exercícios respiratórios, atuam no sentido de nos revitalizar e nos dar energia e calma para agir… ao invés de reagir impulsivamente diante de cada contrariedade.

Em cada “asana” os conceitos de estabilidade, permanência e conforto têm como objetivo fazer cessar toda agitação mental. Através de uma postura confortável, estável, busca-se acordar os canais de contato com o Eu Superior.

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Yoga significa União. A saúde, a concentração são alguns dos benefícios trazidos pela prática. Mas, o que é importante é fazer a União entre essa postura corporal e nossa postura no mundo. Esses benefícios podem se estender ao nosso cotidiano através de maior intelecção, ânimo, disposição e talvez um uso mais sábio do nosso tempo e do nosso espaço. A Terra agradece. E as pessoas com quem nos relacionamos também.

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As cores de 2017

Todos os anos (desde 2000) a Pantone – empresa referência mundial em matéria de estudo de cores – divulga os tons que tenderão a ser amplamente utilizados a cada nova temporada. A definição da Cor do Ano influencia diretamente o desenvolvimento de produtos por indústrias, embalagens, design gráfico, casa e, claro, a Moda.

Sobre a cor do pantone do Ano

A seleção da Cor do Ano exige uma análise cuidadosa e, para chegar a esta definição, a Pantone literalmente varre o mundo à procura de influências de cor que sejam significativas. Isso pode incluir a indústria do entretenimento e dos filmes que estão em produção neste momento, coleções de arte em deslocamento pelo mundo, novos artistas influentes, destinos bacanas de viagem e outras variáveis sócio-econômicas. Influências também podem decorrer de um aumento da tecnologia, da disponibilidade de novas texturas e efeitos que terão impacto na cor, e até mesmo de eventos esportivos que capturem a atenção mundial. Pantone

Era usual a escolha de um só tom como base para um determinado ano, seguido de uma cartela de cores afins. Tivemos o Orchid Radiant em 2014 e o Marsala em 2015. Este ano de 2016 eles inovaram e pela primeira vez escolheram duas cores bases, que tenho certeza você está vendo aos montes das lojas: o Rose Quartz e o azul Serenity.

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Para dominar a moda Primavera Verão 2017 (do hemisfério norte, bem entendido) a Pantone anunciou uma cartela de 10 tendências:

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Primavera / Verão de 2017; uma estação onde a cor evolui, distanciando-se de regras exigentes e ficando acessível à sensibilidade e soluções para novas necessidade de cores. Uma temporada onde a sinergia das cores flui por entre nossas apostas em tendências, desde os tons aerados e bem iluminados até os tons explosivos e brilhantes, levando a harmonias de cores únicas e diversificadas que contam a história da nossa cultura global. Uma estação onde vemos a criatividade desabrochar. Junte-se à evolução da cor! Pantone

Das escolhidas, o Niagara 17-4123, um azul tipo denim, deverá se destacar como o tom predominante:

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Bom, e na prática, o que muda?

Para nós, consumidoras conscientes, não muda quase nada. Tirando o inegável fato que as indústrias têxtil e de Moda irão focar nessas cores e que, portanto, se tivermos que comprar algo semestre que vem vamos vê-las em muitíssimas vitrines, não há maiores alterações de guarda-roupas.

Até porque cor é um conceito muito particular e não adianta estar na moda um “rose quartz” ou um “pale dogwood”: se esse tom não fica bem na nossa pele ( o/ ), não faz sentido comprá-lo.

A paleta em foco, no entanto, é bem democrática: azul denim, um azul mais escuro, um verde militar, um laranja e rosa fortes – cores fáceis de encontrarmos em nosso armário hoje, não é?

E acho que o mais importante já aprendemos nos nossos +50 anos: a gente tem que vestir o que nos dá prazer, o que fica bem, conforme nosso estilo próprio, e não há qualquer obrigatoriedade de se seguir “moda”.

Apesar disso, é interessante sabermos de antemão o que vai bombar nas vitrines, até para nos atualizarmos dentro de nosso próprio guarda-roupas. Sabe aquela parca militar que está meio aposentada? Hora de tirá-la do armário pois a cor está na moda e o modelo também. Para isso servem as informações: para fazermos boas escolhas dentro do que já temos. [Ou em uma comprinha básica também, por que não, né?]  😉

A todas, boas escolhas!

 

P.S. de dezembro/16

A Pantone anunciou a cor do ano de 2017 como a PANTONE 15-0343, intitulada Greenery. O tom verde/amarelo picante é um tom de folhagem, de refrescância.

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Você, gosta? Eu não curto muito esse verde-amarelado…

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