Assédio

Esta semana estourou mais uma estória, entre tantas e tantas estórias, de assédio sexual de um galã maduro da TV sobre uma jovem corajosa e anônima. É claro que isso rendeu pano pra manga, houve uma mobilização importante de apoio à vítima e de repúdio ao seu algoz.

O assédio é sempre uma das formas mais primitivas de violência, seja ele sexual, moral, processual ou psicológico. É um ato perverso, onde alguém decide abordar o outro insistentemente com o objetivo claro de exercer domínio e de impor o seu desejo, a despeito do desejo do outro. Na verdade, no ato de assediar não existe o outro enquanto alteridade; o outro é só uma extensão do desejo perverso do assediador de dominar, humilhar, intimidar, ameaçar. É uma escada que o individuo escala para sentir-se poderoso, é um uso que transforma um ser humano em um objeto qualquer, descartável.

A que ponto chegamos! Como é possível que uma criatura se permita apropriar-se de um corpo que não é o seu, seja tocando-o ou possuindo-o com um olhar de animal faminto! Quanto mais buscamos a luz na compreensão do que somos e do que estamos fazendo aqui, mais aparece a sombra de um aspecto doente e cruel da sociedade na qual vivemos e pela qual somos todos responsáveis.

O assédio não é só sexual, muito embora esse seja concreto, perceptível. Em tempos “modernos” de redes sociais, basta um deslizar de dedos sobre os posts publicados para constatar o cerco que se faz em torno de um grupo de pessoas que pensam de uma determinada maneira, por outro grupo que pensa de maneira diferente. Há assédio de cunho político dos que se dizem da direita para os esquerdistas, e destes para os da direita. Há assédio de cunho religioso desta igreja para aquela, desta igreja para uma seita, de uma seita para outra. Há assédio de homens sobre mulheres (na sua grande maioria), mas também há de mulheres sobre os homens. De pessoas que ocupam cargos de chefia em relação a seus subordinados; de habitantes locais sobre os que chegam de outras partes do mundo; entre raças diferentes, sistemas econômicos diferentes e por aí vai.

Parece que perdemos a capacidade de suportar, elaborar, conviver, aprender com o que é diferente de nós; há uma necessidade irracional de exercer domínio, de convencimento de que o lado no qual estamos é o lado certo, é o lado para onde todos deveriam vir. O desrespeito ao corpo do outro é só uma brincadeira, como é que o outro não entendeu?? A cantada fora de contexto é um elogio, como alguém pode ofender-se??

Ou seja, perdeu-se a capacidade de respeitar… Mas vamos lá, para a velha reflexão.

Não respeitar a outra pessoa é só uma consequência da falta de respeito por si mesmo, da ausência de reconhecimento de que somos todos seres humanos envolvidos nesta aventura de viver, crescer, aprender, evoluir, brilhar… Que não há sociedade que se desenvolva antes que todos os seus membros se desenvolvam como indivíduos, adquiram consciência de seus atos, sonhos e propósitos. O “salve-se cada um por si” caducou faz muito tempo…

Hello!!! Pisamos o mesmo solo, respiramos o mesmo ar, nos banhamos nas mesmas águas. E depois, viramos pó do mesmo jeito. Ou crescemos juntos no respeito e na consciência, ou afundamos juntos na ignorância e na mediocridade. Façamos as escolhas!

Minha seleção de filmes do Netflix

É muito bom reservar um tempo para assistir um bom filme. Distrai e pode ser uma fonte de ideias, de aprendizado, de debates, de conversas.

Acredito que alimentar a mente é tão importante quanto alimentar o corpo, pois, aquilo que lemos, que ouvimos, que vemos, fica reverberando dentro de nós. Assim sendo, uma boa escolha que leve em conta o que nos faz feliz, agrada a alma.

Por exemplo, não gosto de filmes de guerra. Eles podem ser emocionantes e tocantes, mas me recuso a vivenciar, nem que seja por procuração, as atrocidades que são cometidas.

Não assisto filmes que tenham cenas de violência gratuitas, não suporto cenas de tortura ou estupro. Para que me expor a isso? Para que encher minha mente de tristeza e maldade?

Caminho no sentido contrário, e por isso, tenho uma lista de documentários a sugerir que vão encher seu coração e mente de vitalidade e esperança. Vamos lá:

Cosmos

Amo! Apresentado pelo astrofísico Neil de Grasse Tyson é uma séria super bem produzida, com imagens belíssimas. É uma homenagem aos homens e mulheres (sim, aqui somos reconhecidas!) de ciências. Uma viagem deliciosa pelo caminho do conhecimento. Recomendo muito.

The Altruism Revolution

Se você acha que “o mundo está perdido”, este é o filme certo para você. Neste documentário, vemos que a tendência ao amor e à solidariedade não é uma ficção. Estudos comprovam que a generosidade é presente e natural no ser humano. Se você já sabia disso, assista e comprove.

Demain

Quem são as pessoas que estão hoje criando um viver mais orgânico e que respeita a natureza? Elas mobilizam muita gente e esse poder de transformar não está apenas ao alcance de empresários e governo. Com atitude podemos fazer muito mais pelo mundo.

Happy

Onde está a felicidade, de que forma ela se apresenta, sob que circunstâncias? Aqui, novamente, o intuito é focar o que queremos alcançar (a felicidade!) e não os problemas, doenças, etc, etc, etc, que dificultam nosso acesso a ela. Ela é o tema deste documentário e há entrevistas, pesquisas, estudos. Tudo muito bem apresentado e agradável de se ver.

Enjoy!

Como usar cor de rosa

Rosa parece à princípio ser uma cor estritamente infantil, não é? Mas sabe que o rosa pode ser lindo para todas as mulheres se bem combinado e misturado a outras nuances?

O Net a Porter TV fez um vídeo muito legal sobre o tema, e estou aproveitando algumas de suas imagens para este post. Vamos lá:

Primeiro, olha só quantos tons de rosa existem, como é uma cor rica! Você pode se vestir usando somente a paleta mais clarinha como a mais vibrante, e o resultado será completamente diferente:

Os sapatos também são fundamentais para tirar a doçura do look. Vermelho e até verde podem – e devem – ser usados.

E cores como laranja e vermelho vivo complementam super bem a produção em rosa, deixando o look mais moderno e incrivelmente adulto.

Não deixe de ver o vídeo e de olhar as fotos com cuidado: as bolsas, as sandálias, os diversos tons nas araras, tudo está lindo e inspirador nesse editorial. <3

Hora de voltar

Pare para pensar como nossas vidas estão constantemente voltadas para fora, para o mundo exterior. Nós, mulheres mais maduras, temos em nosso curriculum vasta experiência e incontáveis horas de voo em cuidar de tudo e de todos ao nosso redor. No decorrer da vida acumulamos funções e mais funções, e poderíamos ser chamadas de mulheres “poderosas” por darmos conta de tantas coisas ao mesmo tempo, e por tempo quase indeterminado!!

Não sei bem em que ordem mas, via de regra, cuidamos de nós mesmas e do nosso corpo, cuidamos da carreira profissional, a nossa e a do companheiro, dele, da casa e de tudo que a ela está relacionado, dos filhos em suas diversas fases e múltiplas necessidades, cuidamos das amigas e das relações que estabelecemos, dos compromissos sociais, dos almoços e jantares festivos e não festivos, dos pais que envelhecem e precisam cada vez mais de nosso apoio, nos preocupamos com os irmãos e sobrinhos, com aquela tia velhinha que precisa de um carinho, com a moça que nos ajuda em casa e que anda com uma carinha jururu, com a programação dos finais de semana, com a viagem de férias, com a economia doméstica e mundial, com o dinheiro que falta, com a nossa espiritualidade, com os mistérios da vida, as nuances inconscientes, com o que é dito e o que é silenciado, com a aparência, com os fios brancos que precisam ser pintados, com as plantas de casa, com o gato, o cachorro, o papagaio, com os amigos dos filhos, com a informação do que está acontecendo para não ficarmos de fora, ufa!!! E não pense que acabou, desconfio que essa lista é interminável… eu é que cansei de nomear as atividades.

E assim passa o tempo e a vida, vão e vem as estações e seus ciclos, e começamos a sentir uma certa inquietação, algum desconforto difícil de discriminar, um certo cansaço. Uma vontade de ficar quieta, em silêncio, um pouquinho que seja. Vontade de não fazer nada, folhear revistas, ler um livro, olhar o álbum de fotos onde a vida é recontada através das imagens.

Vontade de ir à praia, não mais para pegar aquele bronze e desfilar com o biquíni da moda, mas para caminhar pela areia nos finais de tarde repousando a alma no mar. Vontade de ir para as montanhas, não no meio do buxixo e dos points, mas no alto daquela pedra onde o nosso olhar se perde na imensidão, entre serras e céu, árvores e nuvens, respirar o ar fresco e perfumado, sentir a energia desse Universo sem começo nem fim.

Vontade de voltar para casa, para aquele lugar interior de onde saímos para ganhar o mundo, feito Amazonas, mulheres integrantes de nações antigas e guerreiras, que cavalgavam pelas florestas conquistando homens e territórios.

O lar é aquele lugar psíquico onde tudo parece funcionar e ter sentido, onde tudo é como deveria ser, onde a voz da alma entoa canções conhecidas que nossas ancestrais cantavam ao redor de uma fogueira, de uma nascente de rio, de um círculo de mulheres. Canções que nos tranquilizam e nos fazem relembrar quem somos, o que gostamos, o que queremos para agora e para depois. Não espere terminar todos os seus afazeres para permitir-se voltar, não espere pelo momento certo porque ele não existe. Volte-se para você mesma e redescubra a dor e a delícia de ser o que é!

E aí, como vai o coração?

É sempre bom dedicar atenção para esse órgão tão especial. Não estou falando de cardiologista, eletrocardiograma ou qualquer outro cuidado físico. Falo simplesmente da sensação que temos dentro do peito, de leveza ou de opressão, diante das diferentes situações de vida.

O coração é o órgão da coragem, o centro da vida. No antigo Egito, dizia-se que Anúbis, o deus guardião dos túmulos e juiz dos mortos, presidia a pesagem do coração em uma balança cujo contrapeso era uma pluma. Ficando a balança equilibrada a pessoa seria aceita triunfalmente no reino de Osíris, senão seria devorada. Não devia ser fácil.

Mas, o que é um coração leve?

É aquele que não carrega dia após dia rancor, mágoa, aborrecimentos. Para o coração ser leve é preciso ir deixando essas coisas pelo caminho. No final do dia, com a cabeça no travesseiro, entregar para o passado o que foi bom e o que não foi. E dormir esvaziado de pensamentos.

Tenho o hábito de fazer “A grande Invocação”, mas toda a forma de se reconectar e de se apaziguar é bem-vinda. O famoso professor de Yoga Hermógenes prodigalizava o seguinte conselho: diante das dificuldades que parecem intransponíveis Entregue, Confie e Aceite.

Mas, às vezes, é tão difícil deixar ir. As ideias insistem em “colar” e a mente não para de desfilar o rosário de preocupações, reclamações, dúvidas… E aí, haja coração. O coitadinho fica diminuído sob o peso de sofrimento auto imposto.

O que fazer? Vale parar e observar o ritmo da própria respiração, parar de trabalhar por alguns minutos e olhar as plantas pela janela, vale pasmar alguns segundos diante do milagre do momento presente, sem pensar em mais nada. A mente descansa. O coração se fortalece.

Porque o amor tem que começar comigo, com você, com uma atenção carinhosa para essa pessoa que a cada dia faz escolhas e recria seu mundo da melhor forma possível. Não se trata de recompensar uma boa performance, mas de se dar um carinho gratuito, espontâneo, incondicional. Simplesmente pelo fato de estar aqui, de estar em vida. Comemorar o minuto presente se amando sempre e cada dia um pouco mais.

No seu dia a dia enamore-se de você. Presenteie-se com um coração leve.