Mules para a próxima estação

Ontem estive no shopping JK e comprei um par de mules na Arezzo. Eles estão com inúmeras opções entre estampadas, de veludo (altíssima tendência, vai bombar no inverno!) e de couro.

[O grupo Arezzo&CO detém cinco marcas distintas de sapatos: a Arezzo propriamente dita, a Schutz, Ana Capri, Alexandre Birman e Fiever. Apesar de admirar o alcance do grupo e a estrutura para lançar moda no melhor estilo fast fashion, tenho minhas ressalvas quanto a estar tanto de um mercado somente em uma mão]. Mas vamos ao post.

Como disse, comprei mules. Sempre achei esses sapatos estranhos mas, de tanto ver os modelos da Gucci em todas as revistas, acabei por achá-lo viável. Experimentei um inspired ontem e resolvi arriscar. Olha só:

Escolhi o modelo de jacquard estampado. O original Gucci [foto abaixo] está U$700 e, para uma moda realmente passageira não há porquê gastar tanto (~R$2300).

E como usar isso? Veja os exemplos:

Com jeans cropped. Simples assim. Ouse na parte de cima do look, se quiser, mas mantenha o jeans liso e sem maiores novidades afora o comprimento curto.

Já para quem for bem fashionista, pode ser usado também com calças tipo pijama ou até saias.

Esse tipo de sapato não tem salto e fica bem firme nos pés, sendo uma opção age-friendly.

É uma novidade e é controverso. Mas não é delicioso experimentar coisas novas? #ADORO

Você vai encarar? 

Tempo, tempo, tempo

Mal começou o segundo mês do ano e já tenho a impressão subjetiva que 2017 está na metade… acabo de voltar das férias e parece que elas aconteceram a um longo tempo atrás… vocês também compartilham dessa sensação?

Pois é, dizem que o tempo é relativo, que nós, humanos, criamos essa medida chamada tempo, mas que, de fato, ele não existe. O Universo é atemporal assim como o nosso inconsciente é atemporal, como bem postulou Freud. Tudo ocorre simultaneamente: passado, presente e futuro são instâncias arquitetadas pela mente racional que nomeia, discrimina e separa.

É essa mente racional que faz com que a gente conte o número de anos vividos, e se assuste com eles quando passamos do que consideramos juventude. Uau, já passei dos 50, meu Deus, onde eu estava que nem me dei conta disso? Já estamos em fevereiro de 2017, uau!!! Onde eu estive entre o Natal e agora? Os filhos cresceram e eu nem percebi, onde eu estava enquanto eles saiam da barra da minha saia e ganhavam asas para voar por aí?

A resposta é simples: você, eu, todos nós, estávamos vivendo!!! Você, eu e todos nós continuamos vivendo. A vida é uma pulsação intermitente, é energia que flui em diferentes frequências, e nos coloca em um processo contínuo de experimentação, elaboração, aprendizagem. E, quanto mais mergulhamos nesse processo, mais temos a impressão de que o tempo passa depressa. A intensidade do que vivenciamos dá o tom do que imaginamos ser a velocidade da passagem do tempo.

Via de regra somos seres intensos, vivendo em um planeta repleto de oportunidades que se apresentam através dos eventos. E como tudo é energia, a vida parece ser uma cachoeira que jorra água aos borbotões. Às vezes parece que vamos nos afogar; outras vezes conseguimos desfrutar com calma o cenário que se apresenta.

Talvez, neste eterno agora, estejamos vivenciando uma aceleração. É como quando estamos na escola, o ano está acabando e ainda há matéria para ser ensinada, precisa ser agora, e lá vem aquele montão de coisas. Mal dá tempo de compreender um tópico, vem o seguinte, e o outro, e é preciso dar conta.

Pois bem, se o propósito de nossa existência for aprender para se desenvolver, está tudo certo, os ponteiros do relógio pouco importam. O que importa é com que intensidade mergulhamos em nossas vidas, e com que determinação e consciência seguimos nosso propósito. O primeiro desafio é descobrir o tal do propósito de cada um de nós; para isso é necessário baixar um pouco a cortina das janelas que nos fazem olhar para fora, e nos voltarmos para dentro, em silêncio, para que possamos ouvir o que nossa alma sussurra.

O segundo compromisso

O livro Os Quatro Compromissos, de Don Miguel Ruiz [resenha aqui], traz ensinamentos preciosos:

  1. Seja impecável com a sua palavra
  2. Não leve nada para o lado pessoal
  3. Não tire conclusões
  4. Dê sempre o melhor de si

Quando efetivamente aplicados em nosso dia a dia mudam nossa forma de agir e melhoram a vida.

Vou lhes dar o exemplo que para mim foi o mais marcante. Dirijo muito pela cidade de São Paulo, o que significa incontáveis minutos (quando não horas) num trânsito infernal. A coisa mais comum é acontecer mal entendidos nesse ambiente: alguém que joga o carro na frente do nosso para forçar passagem, motoqueiros que não nos deixam mudar de faixa (sim, isso é muito comum por aqui), motoristas lentos que nos fazem perder os faróis verdes, etc.

Típico trânsito da Av. 23 de Maio, onde trafego frequentemente

A mentalização do segundo compromisso ao dirigir transformou esse ambiente de guerra em algo tranquilo para mim. Não importa o que aconteça, a simples consciência de que aquele ato aparentemente hostil não foi algo feito visando me aborrecer intencionalmente, não foi nada pessoal, retira o stress da situação.

A diferença em paz de espírito é notável. Para não esquecer nunca mais disso anotei o texto do segundo compromisso num marcador de livros e prendi-o no quebra-sol do carro.

Tente essa prática. Você vai se surpreender com a eficiência de uma frase aparentemente tão simples.

Obs.: Este post apareceu primeiro no blog Pílulas de Moda e foi escolhido para republicação aqui devido minhas férias.

Eros e Psique

– Fernando Pessoa –
 
Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
Do além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.
A Princesa adormecida,
Se espera, dormindo espera.
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado.
Ele dela é ignorado.
Ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o Destino –
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E, vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora.
E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.
.

Corpo e Coaching

Para mim, coaching era algo do mundo coorporativo. Algo que você faz quando tem que atingir uma meta e não consegue. Ignorância minha. Existe o coaching ontológico, do ser, onde todo o trabalho é voltado para a pessoa. Não importa a meta, mas a relação dela com essa meta, pois ele visa a integração do ser: linguagem, corpo e emoção.

Trata-se de um trabalho focado. A meta é resolver a questão e dar ferramentas, tornar a pessoa capaz de caminhar sozinha. Através de conversas, de perguntas que fazem refletir e cujo objetivo é mudar o observador, a perspectiva. Mas, e o corpo? Como ele entra nessa conversa? É preciso que o coach tenha um olhar para ele, como é o caso do Sandro Mattos, bailarino, coreógrafo, professor de dança. Em uma sessão de coaching ele observa o conflito que existe quando, por exemplo, a emoção diz uma coisa e o corpo diz outra.

“Nesse caso, a gente não está SE escutando. O meu trabalho é justamente fazer com que essa pessoa esteja inteira.”

Diz ainda que, na nossa sociedade, o corpo carrega muitos tabus, muito bloqueios e que enquanto estivermos presos a esse tipo de percepção, a vida não vai fluir. “Separar a cabeça do corpo” é irreal. Somos um todo completo, intelectual, corporal, emocional.

Segundo ele, a limitação dos movimentos é algo que nos é imposto pela sociedade, televisão, etc., sem que a gente se pergunte a razão. Aceitamos sem perguntar.

“O coach é a arte das perguntas. É se perguntar sempre, não aceitar passivamente, podendo mudar o que você quiser, mudando o observador.”

Ele explica:

“Você está olhando para mim, você vê tudo que há atrás de mim. Eu não estou vendo nada. Isso não significa que não existe só porque eu não estou vendo. Não é assim, são perspectivas diferentes, cada um está observando um ângulo. Na vida, eu não sei o que é real, não sei o que é verdade. Eu conheço a minha verdade, a minha realidade. Que eu posso transformar o tempo inteiro. Ela está sempre em movimento. Assim como existem várias possibilidades, vários ângulos, eu posso ver a vida de qualquer outra maneira. Eu posso lembrar do meu passado e rever os fatos. Estou olhando o meu passado por um ângulo só. E se eu olhar meu passado por um outro ângulo? Ele vai deixar de ser verdadeiro? Não. Você só mudou o olhar.”

Ou seja, o truque é ser flexível por inteiro: na emoção, no corpo e na mente. E uma ajudinha não cai nada mal nessa hora. Para obter mais informações, clique aqui.